Cidades

PF vai apurar ataques a imagens católicas após decisão do STF; Maceió está entre os alvos

Ministro Flávio Dino aponta repercussão em vários estados e cita possível articulação de crimes contra o patrimônio e a fé; medida surge em meio a debates sobre liberdade religiosa no país

Redação 30/09/2026
PF vai apurar ataques a imagens católicas após decisão do STF; Maceió está entre os alvos
PF vai apurar ataques a imagens católicas após decisão do STF; Maceió está entre os alvos - Foto: Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial

Um caso de vandalismo contra símbolos religiosos registrado em Maceió entrou no radar das autoridades federais. Por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) instaurou uma apuração para investigar uma onda recente de ataques a imagens religiosas católicas em diversas regiões do Brasil.

Além da capital alagoana, o levantamento apresentado pelo ministro abrange episódios ocorridos nos municípios de Cuiabá (MT), Salvador (BA), Londrina (PR), Rio Grande (RS), Esmeraldas (MG), Jauru (MT), Santo Amaro (BA) e Novo Progresso (PA). Ao todo, 11 ocorrências noticiadas nos últimos meses foram formalmente citadas no despacho.

De acordo com o ministro, as denúncias chegaram ao seu gabinete por diferentes vias e indicam a aparente disseminação coordenada ou simultânea de atos contra o patrimônio religioso. A atuação da PF foi justificada pelo alcance interestadual dos fatos, pela necessidade de padronizar a colheita de provas e pela gravidade dos indícios de violação dos direitos humanos e da liberdade de crença.

A lista de possíveis infrações penais investigadas é ampla e inclui atos de ultraje a culto, preconceito e violência religiosa, injúria qualificada, ameaça, furto, dano, incêndio e violação de domicílio. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também foi acionada para acompanhar os desdobramentos.

Contexto de tensões e decisões judiciais

A determinação de Dino ocorre em um cenário de intensa movimentação no Judiciário e nas redes sociais. A apuração foi desencadeada logo após o ministro restabelecer publicações na internet que abordavam o debate em torno do título de padroeira do Brasil, atribuído a Nossa Senhora Aparecida.

O tema ganhou centralidade no debate público e eleitoral devido à circulação de conteúdos que vinculavam a campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta intenção de alterar o status da padroeira nacional. O parlamentar e sua equipe negam categoricamente qualquer proposta nesse sentido.

O imbróglio gerou uma sucessão de decisões conflitantes nas cortes superiores:

Tribunal Superior Eleitoral (TSE): O ministro André Mendonça atendeu a um pedido inicial da campanha de Flávio Bolsonaro e ordenou a remoção de postagens sobre o tema, incluindo publicações do humorista Antonio Tabet.

Supremo Tribunal Federal (STF): Flávio Dino derrubou a ordem de remoção no último domingo, apontando que os conteúdos não citavam nominalmente o candidato e que o bloqueio violava garantias de liberdade de expressão.

Reviravolta no STF: Em recurso apresentado pela defesa do candidato, o ministro Luiz Fux suspendeu os efeitos da decisão de Dino, restabelecendo a determinação para retirar as publicações do ar.

Enquanto os desdobramentos jurídicos sobre a veiculação das notícias continuam em análise no STF e no TSE, a Polícia Federal inicia o mapeamento em campo para identificar os responsáveis pelos atos de vandalismo contra os templos e imagens católicas no país.