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Juros altos e custo da construção pressionam mercado imobiliário e antecipam alta de até 20% nos preços, alerta especialista

Cenário econômico com Selic elevada, inflação persistente e reforma tributária deve encarecer imóveis até 2027 e exige estratégia de quem quer comprar ou investir

Tríade Comunicação 30/04/2026
Juros altos e custo da construção pressionam mercado imobiliário e antecipam alta de até 20% nos preços, alerta especialista
- Foto: Tríade Comunicação

O atual cenário econômico brasileiro, marcado por juros elevados, inflação acima da meta e aumento no custo da construção, já impacta diretamente o mercado imobiliário e deve pressionar ainda mais os preços nos próximos anos. Com a taxa básica de juros, a Selic, projetada em 13% para 2026, segundo o Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (27)l, e o custo da construção acumulando alta de 6,28% em 12 meses, de acordo com a FGV, especialistas apontam que o momento exige leitura estratégica e pode representar uma janela de oportunidade para quem pretende investir antes de novos aumentos.

Na prática, o impacto já é sentido no bolso do consumidor. Com juros mais altos, o financiamento imobiliário fica mais caro, elevando o valor das parcelas e reduzindo o poder de compra da população. Isso significa que um comprador que antes conseguiria financiar um imóvel de até R$ 500 mil, hoje pode precisar reduzir sua busca para aproximadamente R$ 400 mil, para que a parcela caiba no orçamento.

Além disso, o custo da construção segue em trajetória de alta, puxado principalmente pelo aumento nos preços de materiais, serviços e mão de obra. Esse encarecimento é repassado diretamente ao valor final dos imóveis. A tendência, segundo análise do mercado, é de intensificação desse movimento com a reforma tributária, que deve elevar ainda mais a carga sobre o setor e pressionar os preços dos novos empreendimentos, afirma Lauro Braga, fundador da Jarvis Imobiliária.

A projeção é de um aumento significativo nos próximos anos. A expectativa é que os imóveis possam registrar valorização entre 15% e 20% até 2027, impulsionados pela combinação de custos mais altos e ajustes tributários. Em um cenário como esse, Lauro destaca que, esperar pode significar pagar mais caro pelo mesmo produto.

Mesmo com juros elevados, o especialista avalia que o momento ainda pode ser estratégico para compra. Isso porque, ao adquirir o imóvel agora, o comprador consegue “travar” o preço atual, enquanto o custo tende a subir nos próximos lançamentos. Já o financiamento pode ser ajustado no futuro por meio da portabilidade, caso haja queda nas taxas de juros, reduzindo o valor das parcelas ao longo do tempo.

Em Maceió, o movimento de valorização já é realidade. Dados do índice FipeZAP mostram que os preços dos imóveis residenciais na capital alagoana subiram 6,18% em 2025, superando a inflação do período. O valor médio do metro quadrado chegou a R$ 9.836, acima da média nacional, o que reforça a tendência de encarecimento e o potencial de valorização da cidade.

“A recomendação varia de acordo com o perfil do comprador. Para quem busca o primeiro imóvel, o momento é considerado favorável, especialmente para quem se enquadra no programa Minha Casa Minha Vida, que oferece condições de financiamento mais acessíveis, com juros reduzidos e parcelas mais baixas. Em alguns casos, a diferença pode chegar a cerca de mil reais por mês em relação às taxas tradicionais de mercado”, aponta o empresário.

Para investidores que buscam renda, a estratégia deve ser mais criteriosa. O foco deve estar em regiões em expansão e em produtos com diferenciais claros, que garantam liquidez e rentabilidade no longo prazo. Destinos turísticos em crescimento e localizações consolidadas tendem a oferecer maior segurança, enquanto imóveis sem posicionamento definido ou em áreas saturadas podem perder competitividade com a chegada de novos empreendimentos.

Já para quem tem capital disponível para compra à vista, a orientação é avaliar com cautela. “Em muitos casos, pode ser mais vantajoso manter o recurso aplicado, aproveitando a rentabilidade financeira, e optar por um financiamento planejado. Como os rendimentos podem superar os juros do crédito imobiliário, essa estratégia permite utilizar o próprio retorno do investimento para pagar as parcelas, preservando a liquidez”.

Com a combinação de juros elevados, crédito mais restrito e aumento contínuo nos custos de construção, o mercado imobiliário entra em um novo ciclo. Para Lauro, mais do que nunca, a decisão de compra exige análise de cenário, planejamento e estratégia. “Em um ambiente de alta de preços, o tempo passa a ser um fator decisivo para quem busca aproveitar oportunidades e evitar custos ainda maiores no futuro”, finaliza.