Cidades
Nota da prefeitura sobre atendimento a criança é desmentida pela pai, que denuncia falta de assistência
Contradição expõe crise de gestão e levanta questionamentos sobre quem exerce, de fato, o comando político do município
A nota divulgada pela Prefeitura de Palmeira dos Índios, assinada pelo diretor-geral da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Diogo Guimarães Tenório Cavalcanti, afirmando que a gestão municipal estaria acompanhando o caso de uma criança vítima de erro de diagnóstico e prestando assistência à família, foi publicamente desmentida pelo pai do menino, que permanece com o filho internado na Unidade de Emergência do Agreste (UE), em Arapiraca.
Em vídeos publicados nas redes sociais, o pai afirma de forma categórica que nenhuma assistência efetiva foi prestada pelo poder público municipal, contrariando frontalmente o conteúdo da nota oficial.
“Postaram uma nota dizendo que a prefeitura está dando suporte. Não está dando suporte nenhum. Entraram em contato comigo e com a minha esposa, mas não resolveram nada. Meu filho está largado, sem assistência. Ninguém está ajudando em nada”, declarou.
A família denuncia que a criança sofreu durante horas com fratura na perna e na bacia, após ter sido inicialmente liberada pela UPA sem diagnóstico adequado. Somente na segunda avaliação o quadro grave foi identificado, obrigando a transferência para Arapiraca.
NOTA OFICIAL DIZ QUE HOUVE APOIO — REALIDADE APONTADA PELA FAMÍLIA É OUTRA
Na nota divulgada pela Assessoria de Comunicação, a Prefeitura afirma que tomou conhecimento do caso, que a criança recebeu a assistência necessária, que houve contato com o pai e que a gestão estaria acompanhando de perto a situação, além de ter instaurado sindicância administrativa para apurar os fatos.
O texto ainda sustenta que o município teria se colocado à disposição para prestar todo o apoio possível à família, inclusive mencionando acompanhamento para cirurgia e hospital de retaguarda.
No entanto, segundo o pai da criança, nada disso se materializou em apoio concreto: não houve auxílio logístico, transporte adequado, hospedagem, acompanhamento institucional, nem suporte administrativo.
A divergência entre o discurso institucional e o relato direto da família expõe uma grave fragilidade na comunicação pública e na efetividade da resposta da gestão municipal diante de uma situação sensível envolvendo uma criança.
QUEM LIGOU PARA O PAI: O “PREFEITO” QUE NÃO EXISTE?
Outro ponto que chama atenção no depoimento do pai é a afirmação de que teria recebido uma ligação do “prefeito”, oferecendo apoio. O problema é que Palmeira dos Índios não tem prefeito — tem prefeita.
O episódio reacende uma discussão recorrente nos bastidores políticos e administrativos da cidade: quem, de fato, exerce o comando da Prefeitura?
Na prática, segundo críticas frequentes de setores da sociedade e da oposição, o sobrinho da prefeita continua exercendo influência direta na gestão, atuando como se fosse o verdadeiro chefe do Executivo municipal, em um modelo informal de poder que levanta questionamentos jurídicos, administrativos e institucionais.
A situação ganha contornos ainda mais delicados quando uma família em sofrimento menciona ter sido contatada por um suposto “prefeito” que, formalmente, não existe no organograma institucional do município.
A pergunta que ecoa é direta:
Quem manda na Prefeitura de Palmeira dos Índios: a prefeita eleita ou o sobrinho, ex-prefeito e atual secretário de Estado, um agente informal sem mandato e sem responsabilidade legal?
CRISE DE GOVERNANÇA, LEGITIMIDADE E RESPONSABILIDADE
O caso deixa de ser apenas uma denúncia de falha médica e passa a expor uma possível crise de governança no município, onde:
A comunicação oficial não se sustenta diante dos fatos narrados pela família;
Não há clareza sobre quem responde politicamente pelas decisões;
A assistência prometida institucionalmente não se concretiza;
O cidadão não sabe a quem recorrer efetivamente em uma situação de emergência.
Sob a ótica administrativa e legal, a existência de agentes informais exercendo poder de decisão ou influência pode configurar violação aos princípios constitucionais da administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
SINDICÂNCIA É SUFICIENTE?
A instauração de sindicância administrativa anunciada pelo diretor da UPA é um passo formal necessário, mas não suficiente diante da gravidade do caso. Uma criança sofreu por horas com fraturas não diagnosticadas, precisou ser transferida a outro município e permanece em sofrimento, enquanto a família denuncia abandono institucional.
O episódio pode ensejar:
Apuração pelo Ministério Público;
Responsabilização administrativa e civil;
Auditoria nos protocolos de atendimento da UPA;
Investigação sobre eventual exercício irregular de poder dentro da Prefeitura.
A TRIBUNA DO SERTÃO SEGUE ACOMPANHANDO
A Tribuna do Sertão continuará acompanhando o caso, ouvindo a família, cobrando esclarecimentos da Prefeitura, da Secretaria Municipal de Saúde, da direção da UPA e das autoridades de controle.
Em jogo não está apenas um erro médico, mas a credibilidade da gestão pública, a transparência administrativa e o direito básico da população a um atendimento digno, humano e responsável.
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