Brasil

Influenciadora e advogado são presos em Brasília por ligação com máfia italiana

Dupla assumiu operações do grupo após prisão de integrantes da 'Ndrangheta

Redação ANSA 13/10/2026
Influenciadora e advogado são presos em Brasília por ligação com máfia italiana
Dupla assumiu operações do grupo após prisão de integrantes da 'Ndrangheta

Uma influenciadora digital e um advogado foram presos pela Polícia Federal em Brasília sob a acusação de integrarem um esquema de tráfico internacional de cocaína associado à máfia italiana 'Ndrangheta.

De acordo com as investigações da PF, a influenciadora Paula Simões Assisi, esposa do mafioso italiano Patrick Assisi, e o advogado Patrick Raasch Cardoso teriam assumido a gestão do grupo criminoso após a prisão de Patrick e de seu pai, Nicola Assisi, ocorrida em 2019. Os dois foram capturados à época em Praia Grande, no litoral de São Paulo.

Os investigadores apontam que a dupla coordenava o envio de carregamentos de cocaína para o continente europeu a partir do Porto de Paranaguá, no Paraná. O entorpecente era ocultado em contêineres de empresas comerciais sem qualquer relação com o narcotráfico.

Em interceptação telefônica realizada com autorização judicial, Paula foi gravada conversando em italiano e negociando o envio de 400 quilos de cocaína para a Europa. A defesa dos acusados nega todas as acusações.

O trabalho conjunto de inteligência entre autoridades do Brasil e da Itália, iniciado em 2020 com o suporte da Interpol, permitiu identificar a reorganização do comando da facção em solo brasileiro após as prisões dos dois mafiosos europeus.

A ação culminou na Operação Eredità, deflagrada em 17 de setembro em cooperação com a polícia italiana. Durante as diligências, as equipes também prenderam Franklin Rodrigues de Oliveira, conhecido pelo apelido "BXX". Segundo a PF, ele atuava na logística de envio e pagamentos das cargas, além de intermediar a articulação entre a 'Ndrangheta e facções criminosas brasileiras.

"A esposa de um desses mafiosos trocava muitas mensagens com o advogado, que os representava no processo de 2019. O conteúdo das conversas tratava diretamente de fornecedores de drogas e pagamento de dívidas do crime, revelando indícios fortíssimos de atuação no narcotráfico internacional", afirmou o delegado da PF Eduardo Verza, em entrevista à TV Globo.