Vote consciente, o Brasil está em suas mãos
Este domingo é dia de votar.
Talvez não exista, numa democracia, gesto aparentemente tão simples e ao mesmo tempo tão carregado de consequências quanto apertar alguns números diante de uma urna.
São poucos segundos.
Mas esses segundos podem ajudar a escrever quatro anos da nossa história.
Neste domingo, 4 de outubro, milhões de brasileiros sairão de casa levando no bolso um documento e, na consciência, aquilo que nenhuma máquina pode registrar: suas esperanças, suas angústias, seus sonhos, suas decepções e a expectativa de um país melhor.
É por isso que votar não pode ser apenas apertar um botão.
É preciso votar consciente.
Votar pensando não somente no candidato que aparece sorrindo na televisão ou no vídeo bem produzido das redes sociais. Não apenas naquele que fez a melhor propaganda, falou mais alto, atacou mais ou prometeu mais.
É preciso olhar além.
Olhar para aquilo que está em jogo.
A democracia está sempre em jogo quando o cidadão vota.
A Constituição está em jogo.
A liberdade está em jogo.
O direito de falar, escrever, discordar, protestar, trabalhar, acreditar, não acreditar, reunir-se e cobrar dos governantes está em jogo.
Por isso, antes de votar, pergunte.
Esse candidato respeita quem pensa diferente?
Convive com a crítica?
Aceita ser fiscalizado?
Compreende que governante não é dono do Estado?
Respeita as instituições?
Respeita o voto?
Respeita a imprensa?
Porque uma sociedade verdadeiramente livre não existe apenas quando todos podem elogiar o poderoso.
A liberdade mostra sua importância justamente quando alguém pode criticá-lo.
Imprensa livre não é privilégio de jornalista. É direito do cidadão.
Quando um repórter pergunta, é a sociedade perguntando.
Quando um jornal investiga, é o cidadão querendo saber onde foi parar o dinheiro público.
Quando a imprensa revela aquilo que alguém preferia esconder, ela está cumprindo uma das funções essenciais de qualquer sociedade democrática.
Hoje podem tentar silenciar um jornal.
Amanhã poderá ser uma rádio.
Depois, uma página na internet.
Em seguida, uma pessoa comum.
Por isso, quando escolher seus representantes, observe como eles se relacionam com a liberdade. Desconfie de qualquer projeto de poder que enxergue a crítica como inimiga, a divergência como crime ou o adversário como alguém que precisa ser eliminado da vida pública.
Não precisamos pensar igual.
Aliás, democracia é exatamente o direito de pensarmos diferente e continuarmos convivendo sob as mesmas leis.
O voto consciente também precisa olhar para a vida real.
Para a mulher que acorda ainda de madrugada.
Para o homem que pega dois ônibus para chegar ao trabalho.
Para o comerciário.
Para o operário.
Para o trabalhador da construção civil.
Para a enfermeira.
Para o agricultor.
Para o professor.
Para o motorista.
Para quem trabalha seis dias e descansa apenas um.
O debate sobre a escala 6 por 1 deixou de ser uma discussão abstrata para milhões de famílias. Quem vai às urnas tem o direito de perguntar aos candidatos o que eles propõem sobre jornada, descanso, produtividade, emprego, salário e qualidade de vida.
Não aceite apenas slogans.
Pergunte como.
Pergunte quando.
Pergunte quanto custa.
Pergunte quem paga.
E pergunte quem será beneficiado.
Porque política precisa sair do palanque e entrar na cozinha da casa do brasileiro.
Democracia também é comida na mesa.
É salário que chega ao fim do mês.
É emprego.
É oportunidade.
É o pequeno comerciante conseguindo manter sua porta aberta.
É o trabalhador podendo comprar aquilo de que necessita.
É uma família conseguindo financiar uma casa, trocar uma geladeira, comprar uma motocicleta, abrir um pequeno negócio ou realizar um sonho sem ser esmagada por uma dívida impagável.
Por isso, examine as propostas para renda, emprego, crédito, inflação, produção e desenvolvimento.
A economia não é apenas uma coleção de números apresentados na televisão.
Economia é o preço do arroz.
É o preço do feijão.
É a conta de energia.
É o aluguel.
É o remédio.
É a prestação.
É aquilo que sobra - ou não sobra - depois que todas as contas foram pagas.
Neste domingo, quando chegar diante da urna, lembre-se disso.
Não vote por ódio.
Não vote porque alguém mandou.
Não vote por medo.
Não entregue seu voto porque recebeu um favor.
Não deixe que uma corrente de WhatsApp escolha por você.
Leia.
Pesquise.
Compare.
Questione.
Observe a história de quem pede seu voto.
Veja o que fez quando teve poder.
Veja como tratou o dinheiro público.
Veja como tratou os adversários.
Veja como tratou os jornalistas.
Veja como tratou o trabalhador.
Veja quem estava ao seu lado quando as câmeras estavam desligadas.
E, sobretudo, não permita que ninguém roube de você aquilo que talvez seja uma das maiores conquistas de uma sociedade democrática:
a liberdade de escolher.
Há muitos “ismos” na história que terminaram tentando reduzir o indivíduo, calar vozes, perseguir divergências e concentrar poder.
Mais importante do que repetir rótulos é reconhecer os sinais: intolerância com quem pensa diferente, desprezo pelos direitos fundamentais, ataques à liberdade de expressão, tentativa de enfraquecer instituições e a ideia perigosa de que alguém pode estar acima das leis.
A resposta democrática para qualquer forma de opressão é mais cidadania, mais instituições, mais fiscalização, mais liberdade e mais participação popular.
O governante passa.
O mandato acaba.
O poder muda de mãos.
O povo permanece.
Talvez seja essa a maior beleza da democracia.
O presidente não é dono do Brasil.
O governador não é dono do Estado.
O prefeito não é dono da cidade.
Deputados e senadores não são donos dos mandatos.
O poder é emprestado.
E quem empresta somos nós.
Amanhã, durante alguns segundos diante de uma urna, cada brasileiro terá exatamente aquilo que tantos poderosos passaram a vida inteira tentando conquistar:
poder.
Use-o com responsabilidade.
Pense nos seus filhos.
Pense nos seus pais.
Pense naquele trabalhador que você encontra todas as manhãs no ônibus.
Pense naquele aposentado contando moedas na farmácia.
Pense no jovem procurando o primeiro emprego.
Pense no pequeno empresário tentando sobreviver.
Pense no agricultor olhando para o céu e esperando chuva.
Pense no professor entrando numa sala de aula.
Pense no jornalista que precisa continuar fazendo perguntas.
Pense naquele brasileiro que não conhece você, provavelmente nunca conhecerá, mas que dividirá com você as consequências da escolha feita neste domingo.
Você não precisa votar como seu vizinho.
Não precisa votar como seu patrão.
Não precisa votar como seu empregado.
Não precisa votar como seu pastor, seu padre, seu amigo, seu jornalista preferido ou sua família.
O voto é seu.
E talvez seja justamente essa a mensagem mais bonita que podemos levar para este 4 de outubro.
Escolha livremente.
Escolha conscientemente.
Escolha pensando nos direitos garantidos pela Constituição, na democracia, na liberdade, na dignidade do trabalho, na redução das desigualdades e nas condições concretas de vida da população.
Depois, cobre.
Fiscalize.
Critique.
Proteste quando considerar necessário.
Porque democracia não termina quando apertamos CONFIRMA e ouvimos o “pilili”.
Ali ela apenas recomeça.
Neste 4 de outubro, leve para a urna suas convicções, mas leve também sua consciência.
Vote pelo Brasil em que você acredita — sabendo que ele terá de continuar sendo também o Brasil de quem pensa diferente de você.
Essa é a democracia.
E é isso que torna o voto verdadeiramente livre.
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