Quando o atraso perde e o progresso entra pela porta da frente
A história da chegada do Mix Mateus à cidade não é
apenas sobre um supermercado. É sobre poder, atraso, privilégios e, finalmente,
derrota do atraso. Durante seis longos anos, Palmeira dos Índios foi
impedida de receber um empreendimento que geraria empregos, ampliaria a oferta
de produtos e faria o dinheiro circular com mais força na economia local. Não
por inviabilidade técnica. Não por falta de interesse da empresa. Mas por
decisão política.
No passado recente, um político, desses com “p” minúsculo
decidiu barrar a instalação do Mix Mateus para privilegiar um empresário
local, protegendo um mercado fechado, confortável e pouco competitivo. Ele próprio
que me contou a medida tomada. Foi uma escolha clara: impedir o novo para
preservar o velho. O prejuízo não foi do investidor - foi do povo. Foram seis
anos sem empregos diretos e indiretos, seis anos sem concorrência real, seis
anos pagando mais caro por menos opção.
Esse tipo de decisão não aparece em estatística oficial. Não
vira escândalo policial. Mas é uma das formas mais perversas de má gestão: o
atraso planejado. Quando o poder público escolhe quem pode e quem não pode
investir, ele deixa de governar e passa a tutelar interesses privados. E a
cidade paga a conta em silêncio.
Hoje, o cenário mudou. O Mix Mateus chega pelas mãos do Governo
de Alagoas. Chega porque o ambiente político mudou. Chega porque,
finalmente, alguém abriu a porta que antes era mantida trancada. Chega porque o
atraso perdeu força - e porque quem tentou impedir no passado agora não pode
mais fazer nada.
E isso explica o incômodo atual, o barulho tardio, o “mi mi
mi” de quem perdeu o controle. Não é preocupação com o comércio local. É
ressentimento por não mandar mais. Não é defesa do emprego. É medo da
concorrência. Porque concorrência exige eficiência, preço justo, respeito ao
consumidor.
O Mix Mateus não chega para destruir. Chega para competir.
Chega com preço, oferta, escala e logística. E, gostem ou não, isso é saudável.
Cidade que cresce é cidade que disputa. Cidade que se fecha apodrece.
A verdade é simples e incômoda: quem atrasou Palmeira dos
Índios por seis anos não tem autoridade moral para reclamar do progresso agora.
O tempo passou. A cidade cansou. O mercado abriu. E o povo, que sempre foi o
maior prejudicado, finalmente começa a colher algo que lhe foi negado por
decisão política mesquinha.
O progresso, quando chega, não pede licença a quem vive do
atraso.
Ele apenas entra - e fica.
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