Um álbum imperdível

04/03/2026
Um álbum imperdível

Hoje trataremos de um CD que é mais do que o registro sonoro de um trio de instrumentistas, é um documento preservacionista cultural e um poderoso propagador do ukelele, instrumento que poucos se dão conta de sua existência, tampouco de sua sonoridade diferenciada. Refiro-me a The Curupira Concert (lançamento digital independente) do ukelelista João Tostes, gravado ao vivo com o pianista Felipe Moreira e o baixista Diogo Fernandes num concerto realizado no Instituto Curupira de Barbacena (MG). Taí um disco que já nasce histórico.

Talvez o leitor se lembre de que eu comentei Ukulele Harmonies Live in Niterói (independente), gravado por Tostes com Vinícius Vivas. À época, perguntei-lhe por que havia decidido fazer do ukelele um instrumento para chamar de seu.

Hoje trataremos de um CD que é mais do que o registro sonoro de um trio de instrumentistas, é um documento preservacionista cultural e um poderoso propagador do ukelele, instrumento que poucos se dão conta de sua existência, tampouco de sua sonoridade diferenciada. Refiro-me a The Curupira Concert (lançamento digital independente) do ukelelista João Tostes, gravado ao vivo com o pianista Felipe Moreira e o baixista Diogo Fernandes num concerto realizado no Instituto Curupira de Barbacena (MG). Taí um disco que já nasce histórico. Hoje trataremos de um CD que é mais do que o registro sonoro de um trio de instrumentistas, é um documento preservacionista cultural e um poderoso propagador do ukelele, instrumento que poucos se dão conta de sua existência, tampouco de sua sonoridade diferenciada. Refiro-me a The Curupira Concert (lançamento digital independente) do ukelelista João Tostes, gravado ao vivo com o pianista Felipe Moreira e o baixista Diogo Fernandes num concerto realizado no Instituto Curupira de Barbacena (MG). Taí um disco que já nasce histórico.

Hoje, voltei a pedir que falasse sobre seu The Curupira Concert. Mais uma vez, Tostes não poupou palavras assertivas: “O concerto foi pensado como um show onde eu conversava com o público, falava do repertório, do cenário e do momento que estava vivendo. O registro (...) é também é um embate pessoal contra o modelo enlatado de música atual. Para tentar um pitch do Spotify, por exemplo, é necessário estar dentro de um padrão que eu não quero ser obrigado a seguir só por conta de algoritmo (...) Minha música e o resgate da cultura brasileira, insisto e persisto em continuar, não podem ser embalados como se faz com o que está nos "top-alguma-coisa" de hoje em dia. Eu quero continuar sendo autêntico da forma que sempre fui. Resolvi lançar agora porque senti que esse material não podia ficar apenas como memória privada. Ele ajuda a compreender de onde vieram escolhas estéticas que sigo fazendo até hoje (...)”.

Mais claro, impossível!

Vamos em frente! A plateia, disposta a ouvir algo inusual, está pronta para ser surpreendida e se deixar enebriar. Não a vejo, claro, mas sinto que ela está atenta aos detalhes dos arranjos e, sabendo que não será convidada gritar “tira o pé do chão!” (rs), ela é toda ouvidos. Os aplausos ao final das interpretações do trio de ukelele, piano e baixo (notem que não há instrumentos percussivos) demonstram que ela, a plateia, está embevecida e agradecida pela audição do repertório e pelas falas de Tostes. A empatia é absoluta!

Assim, os arranjos para “Berimbau” (Baden e Vinícius), “Lamentos” (Pixinguinha e Vinícius), “Gaúcho (O Corta-Jaca)” (Chiquinha Gonzaga), “Brasileirinho” (Waldir Azevedo), “Asa Branca” (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) e “O Ovo” (Hermeto Pascoal) soam renovados por soluções harmônicas e rítmicas que fogem dos padrões habituais.

Já os arranjos – quatro só de JT, um só de Felipe Moreira, outro de Felipe com JT e outro de Diogo Fernandes com JT – encontram na capacidade criativa do ukelele de João Tostes a sua pujança maior.

The Curupira Concert, taí um álbum imperdível!

Ouça o álbum:

https://www.youtube.com/watch?...
wS6XslT6GmNHA9FUy2uw

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

Aquiles Reis

Aquiles Reis

Aquiles Rique Reis (Niterói, 22/05/1948) começou cantando em coral e igreja. Aos 15 anos, trocou o rock pela música brasileira após se encantar com João Gilberto. No CPC, formou o Trio do CPC e participou de movimentos culturais. Em 1964, fundou o MPB-4, que ganhou projeção no Fino da Bossa (TV Record) e entrou na Gravadora Elenco por convite de Aloysio de Oliveira. Foi presidente do Sindicato dos Músicos do Rio até 1984 e militou contra a Ditadura.