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Dia Internacional da Mulher: valorização real ou gesto automático?

Ana Lence 24/02/2026
Dia Internacional da Mulher: valorização real ou gesto automático?
Dia Internacional da Mulher: valorização real ou gesto automático?

Março chegou e, com ele, um dos meses mais simbólicos do ano. Não apenas pelas homenagens que costumam ocupar agendas corporativas, mas, sobretudo, pelos dados, notícias e episódios recorrentes que evidenciam que a luta das mulheres por respeito, equidade e reconhecimento segue urgente e cotidiana. Falar sobre o Dia Internacional da Mulher é, antes de tudo, falar de valorização. E a escolha de escrever Mulher com letra maiúscula não é casual. Trata-se de um gesto consciente de respeito à sua singularidade, à sua força e à sua relevância social, dentro e fora do ambiente de trabalho.

Ao contrário do que muitos imaginam, o Dia Internacional da Mulher não nasceu de um único acontecimento isolado. Sua origem está ligada a uma série de movimentos sociais protagonizados por mulheres desde o fim do século 19, que passaram a questionar jornadas exaustivas, salários injustos e condições precárias de trabalho.

Em 1909, milhares de mulheres ocuparam as ruas de Nova York em protesto por direitos básicos. Em 1911, um incêndio em uma fábrica de confecções escancarou ao mundo a negligência com a vida de trabalhadoras, em sua maioria jovens imigrantes. Já em 1917, mulheres russas lideraram manifestações históricas por alimento e pelo fim da guerra, um movimento que, anos mais tarde, consolidaria o dia 8 de março como data simbólica.

Esses episódios, somados, moldaram o significado do Dia Internacional da Mulher como um marco de resistência, conquistas e de uma luta que permanece em curso.

Reconhecido mundialmente como o mês das mulheres, março convida empresas e instituições a irem além dos discursos. Tem sido o período ideal para que ações concretas falem mais alto do que palavras. É justamente nesta época que muitas organizações recorrem a brindes delicados, genéricos ou meramente simbólicos, que são distribuídos para sinalizar que a data não deve ser esquecida jamais.

Nenhum brinde é caro quando há, de fato, o desejo de surpreender e reconhecer ações e esforços. O custo real está na ausência de cuidado. O problema não está no gesto de presentear, mas na falta de intenção e significado por trás dele. Há casos em que sequer o cuidado com a data correta foi observado.

Em nossos dias, as mulheres exercem um papel vital nas empresas. Estão na linha de frente da condução de processos, no relacionamento com equipes e clientes, na organização de rotinas e na mediação de conflitos. A combinação de fatores como pulso firme, sensibilidade, destreza, habilidade multitarefa e visão sistêmica contribui muito para o equilíbrio e o funcionamento saudável das organizações. Essa atuação virtuosa exige mais do que apenas homenagens protocolares, demanda também coerência entre discurso e prática na sociedade civil.

É inegável que, ao longo dos anos, houve avanços significativos no ambiente corporativo, com as mulheres conquistando espaço e protagonismo no mercado de trabalho. No entanto, numerosos desafios ainda persistem. A desigualdade salarial, a sub-representação em cargos de liderança, o assédio e a falta de políticas adequadas ainda fazem parte da realidade, inclusive em países onde a igualdade de gênero é prevista em lei. Esse cenário reforça que o 8 de março não deve ser tratado como uma celebração vazia e tênue, mas como um aviso da responsabilidade coletiva de avançar.

Nesse contexto, os brindes personalizados assumem um papel estratégico e simbólico. Quando bem pensados, deixam de ser simples objetos e passam a carregar mensagens institucionais intrínsecas poderosas. Eles comunicam respeito, reconhecimento e pertencimento. Acompanham o dia a dia, criam memória afetiva e reforçam valores corporativos. Mais do que isso, demonstram que uma mulher foi lembrada de forma individual e não como parte de uma ação genérica sem consistência.

Um objeto de lembrança ideal é aquele capaz de provocar uma surpresa agradável e sensações prazerosas. Deve ser um gesto que surpreenda quem não apenas entrega resultados no trabalho, mas também administra rotinas exaustivas, concilia múltiplas jornadas, cuida da família, estuda, lidera e ainda encontra espaço para crescer. Elas merecem gestos à altura de quem são efetivamente.

Nosso desejo é que neste mês de março o pensamento da valorização feminina ultrapasse o discurso institucional e se traduza em atitudes concretas, escolhas conscientes e ações consistentes. Que os brindes promocionais possam ser extensões desse respeito e reconhecimento. Homenagear mulheres não deve se restringir apenas ao cumprimento do calendário. Porque é também uma forma de assumir, de modo genuíno, um compromisso com a equidade e com uma real valorização feminina.