Alagoas
Galba Novaes critica influência do dinheiro na política e defende retomada do debate de ideias
Deputado lamenta substituição de convicções por interesses políticos e alerta para o uso da pobreza como instrumento de dominação eleitoral
O deputado estadual Galba Novaes (MDB) manifestou preocupação com os rumos da política brasileira durante pronunciamento na sessão ordinária desta terça-feira (13), na Assembleia Legislativa de Alagoas. O parlamentar criticou o que considera uma crescente influência do poder econômico nas disputas eleitorais e o enfraquecimento dos compromissos políticos baseados em princípios e propostas.
Em seu discurso, Novaes afirmou que a política vem deixando de ser um espaço de defesa de ideias para se transformar em um ambiente marcado por conveniências e acordos de interesses. Segundo ele, até mesmo os compromissos assumidos publicamente passaram a ser relativizados conforme as circunstâncias.
“E a palavra, que antes representava um compromisso de honra, muitas vezes passou a valer apenas enquanto atende às circunstâncias do momento”, criticou.
Ao refletir sobre sua trajetória na vida pública, o deputado declarou que sempre considerou a atividade política uma missão importante quando exercida com responsabilidade e compromisso com a sociedade. Entretanto, demonstrou insatisfação com as mudanças que observa no cenário nacional.
“Infelizmente, é com profunda tristeza que observo os caminhos que a política brasileira vem tomando”, afirmou.
Galba Novaes, que encerrará seu mandato em 31 de janeiro do próximo ano, também questionou a perda de espaço das discussões programáticas diante dos interesses econômicos.
“Com raríssimas e honrosas exceções, estamos assistindo à transformação da política dos ideais na política do dinheiro. A política das convicções, substituída pela política das conveniências”, declarou.
O parlamentar defendeu a importância de recuperar o debate político fundamentado em propostas, valores e diferentes visões de sociedade. Durante o pronunciamento, questionou a ausência de lideranças dispostas a sustentar suas convicções, mesmo diante de possíveis prejuízos eleitorais.
“Onde estão os grandes debates? Onde estão as ideias? Onde estão os homens e mulheres que defendiam uma causa, uma filosofia, uma visão de sociedade, mesmo quando isso lhes custava uma eleição?”, indagou.
Novaes também ressaltou que a política não deve ser reduzida a uma competição determinada pela capacidade financeira dos candidatos. Para ele, outro problema que merece atenção é a utilização das condições de vulnerabilidade social como mecanismo de influência política.
“E existe algo ainda mais grave, que precisa ser dito com coragem: a pobreza não pode continuar sendo utilizada como instrumento de dominação política”, afirmou.
O pronunciamento foi marcado por reflexões sobre o papel da representação pública e pela defesa de uma atividade política orientada por princípios, compromissos e discussão de propostas.
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