Alagoas
Renan Filho faz demonstração de força em Mata Grande e diz que adversários abandonaram o Sertão
Ao lado de Renan Calheiros e Paulo Dantas, ex-governador e atual senador fez discurso duro, resgatou obras no Sertão, defendeu continuidade do projeto político e afirmou que, com Lula no Planalto, poderá fazer ainda mais por Alagoas
O ato político realizado neste domingo, 31 de maio, em Mata Grande, no Alto Sertão de Alagoas, teve clima de pré-campanha, tom de reencontro popular e discurso de confronto direto com os adversários. Ao lado do senador Renan Calheiros e do governador Paulo Dantas, o ex-governador e atual senador Renan Filho foi recebido por apoiadores e lideranças locais em uma mobilização marcada por forte apelo político e pela tentativa de reafirmar a hegemonia do grupo governista no interior alagoano.
Em discurso contundente, Renan Filho buscou transformar a passagem por Mata Grande em uma vitrine de realizações do seu período à frente do Governo de Alagoas e da continuidade administrativa conduzida por Paulo Dantas. O senador relembrou obras, investimentos, ações de segurança pública e a presença do Estado em uma região que, segundo ele, foi historicamente esquecida por grupos adversários.
Logo no início da fala, Renan Filho destacou a recepção recebida no município. Disse que, ao descer do carro, sentiu “a energia do povo matagrandense” e o “calor humano” da população. Também fez questão de agradecer o apoio de lideranças locais e citou o ex-prefeito Erivaldo Mandu, lembrando sua recuperação de saúde e afirmando que Mata Grande não abandonaria seus aliados “no meio do caminho”.
A presença de Paulo Dantas foi usada por Renan Filho como símbolo de continuidade. O senador afirmou que o atual governador cumpriu compromissos deixados com Mata Grande e fez pelo Sertão “o que o Sertão esperava”. Segundo ele, a promessa feita na eleição passada — de que “com Paulo nada vai parar” — teria sido confirmada com a entrega de obras e a manutenção dos investimentos no interior.
Um dos pontos centrais do discurso foi a lembrança das rodovias do Alto Sertão. Renan Filho resgatou a situação da estrada que liga Água Branca, Santa Cruz do Deserto e Mata Grande, afirmando que a obra era uma promessa antiga e que, antes de sua gestão, a região sofria com estradas esburacadas e abandonadas.
O senador contou que, em sua primeira campanha para governador, ficou atolado durante a noite nas imediações de Santa Cruz do Deserto quando seguia para um evento em Mata Grande. Segundo ele, aquele episódio serviu como compromisso político: se fosse eleito, entregaria a estrada. “Pode dar o que der, mas eu vou entregar essa pista”, afirmou, ao relembrar o momento.
Renan Filho também fez um ataque direto aos adversários, atribuindo ao antigo grupo político ligado ao PSDB a responsabilidade pelo abandono da rodovia. Citou nomes nacionais e estaduais do partido e afirmou que esse mesmo campo político “quer voltar de novo”. A crítica foi recebida como uma tentativa clara de nacionalizar e estadualizar o embate político, colocando de um lado o grupo aliado ao presidente Lula e, de outro, os adversários associados ao período de gestões anteriores.
O senador Renan Calheiros foi apresentado como peça decisiva para viabilizar investimentos em Alagoas. Renan Filho afirmou que o Estado, antes, “não tinha dinheiro para nada” e que, para realizar obras simples, o governador precisava recorrer a Brasília. Segundo ele, foi o prestígio de Renan Calheiros na capital federal que permitiu a renegociação da dívida estadual e abriu espaço fiscal para investimentos.
A fala reforçou a narrativa de que o grupo governista teria conseguido reorganizar as finanças do Estado, destravar obras e levar infraestrutura para regiões antes esquecidas. Renan Filho atribuiu a esse esforço conjunto a capacidade de Alagoas realizar estradas, equipamentos de segurança e outras intervenções no interior.
Outro momento forte do discurso foi a comparação entre dois caminhos políticos. Renan Filho afirmou que, em uma campanha eleitoral, a população pode escolher “um lado ou outro”. Segundo ele, de um lado estaria o campo da “enrolada” e da “mentira”, formado por aqueles que, em sua avaliação, já governaram Alagoas e “nunca fizeram nada” por Mata Grande. Do outro, estaria o projeto liderado por ele, por Renan Calheiros, Paulo Dantas e seus aliados.
A frase marca o tom da pré-campanha: confronto direto, cobrança de legado e tentativa de transformar obras passadas em capital político para a eleição que se aproxima.
Renan Filho também lembrou o desempenho eleitoral que teve no município. Segundo ele, na eleição passada, obteve cerca de 97% a 98% dos votos em Mata Grande, resultado que classificou como uma demonstração extraordinária de confiança popular. O senador afirmou que, mesmo que trabalhe todos os dias pelo município, ainda estará em dívida com o povo matagrandense diante da votação expressiva recebida.
Ao falar de segurança pública, Renan Filho relembrou o período em que a agência bancária do município teria sido fechada em razão da violência. Segundo ele, a situação chegou ao ponto de trabalhadores terem medo de atuar como vigilantes no banco. O senador afirmou que, diante do problema, foi a Mata Grande, determinou ações, construiu o Centro Integrado de Segurança Pública, aumentou o efetivo policial e viabilizou o retorno da agência bancária.
Para Renan Filho, esse episódio simboliza a diferença entre governar de longe e governar com o problema da população “perto de você”. A fala teve forte apelo local, porque associou a presença do Estado à retomada da normalidade econômica e social no município.
O ex-governador também explorou sua passagem pelo Ministério dos Transportes do governo Lula. Disse que percorreu o Brasil inteiro acompanhando obras rodoviárias no Rio Grande do Sul, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Rio de Janeiro e outros estados, mas afirmou que, apesar da missão nacional, seu coração permaneceu em Alagoas.
O trecho funcionou como tentativa de conciliar duas imagens políticas: a de gestor nacional, com trânsito direto junto ao presidente Lula, e a de liderança estadual com raízes no interior alagoano. Renan Filho sustentou que, se já conseguiu fazer investimentos quando governou durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, poderá fazer mais agora com Lula na Presidência da República.
A referência ao governo federal foi um dos momentos mais estratégicos do discurso. Renan Filho disse que, em sua gestão estadual, enfrentou dificuldades por governar sem alinhamento pleno com o Planalto. Agora, afirmou, o cenário é diferente: ele é amigo do presidente Lula, foi ministro dos Transportes e esteve com o presidente várias vezes por semana durante sua passagem pelo ministério.
Na prática, o discurso de Mata Grande serviu para lançar uma mensagem política ao Sertão: o grupo governista pretende apresentar a eleição de 2026 como uma disputa entre continuidade de obras, força em Brasília e presença no interior contra adversários acusados de abandono, promessa vazia e falta de entrega.
O ato também teve função de reorganização da base local. Renan Filho pediu apoio a lideranças e aliados, afirmando que eleição “é time” e que o grupo precisa estar completo. Citou nomes locais e defendeu a unidade como condição para manter Paulo Dantas, Mandu e demais aliados fortalecidos no município.
O evento em Mata Grande, portanto, foi mais que uma agenda política no interior. Foi uma demonstração de força do grupo liderado por Renan Filho, Renan Calheiros e Paulo Dantas em uma região considerada estratégica para a eleição estadual. O discurso teve memória administrativa, cobrança política, apelo emocional, ataque aos adversários e tentativa de transformar realizações concretas em combustível eleitoral.
Ao final, Renan Filho agradeceu o carinho da população, disse que seguiria em caravana por outras cidades do Sertão e afirmou desejar encontrar, nos demais municípios, a mesma energia que encontrou em Mata Grande.
A pré-campanha ainda não começou oficialmente em sua plenitude, mas o discurso deste domingo deixou claro que o tom da disputa em Alagoas tende a ser duro. Em Mata Grande, Renan Filho não apenas pediu apoio. Ele apresentou um roteiro de campanha: comparar obras, lembrar quem entregou, apontar quem, segundo ele, nada fez, e sustentar que, com Lula no Governo Federal, Alagoas poderá receber ainda mais investimentos.
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