Alagoas

Liderança feminina transforma o cuidado na Maternidade Escola Santa Mônica

Wedjan Santos e Isis Cardoso – Ascom MESM 08/03/2026
Liderança feminina transforma o cuidado na Maternidade Escola Santa Mônica
Para a profissional, cuidar das pacientes é uma missão - Foto: Ascom MESM

No mês que celebra as mulheres que fazem a diferença, na Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), o destaque é para uma trajetória construída com ciência, sensibilidade e compromisso público. À frente da Maternidade Escola Santa Mônica (MESM), referência estadual para gestantes e recém-nascidos de alto risco, a enfermeira e professora Maria Elisângela Torres de Lima Sanches representa uma liderança que une técnica, gestão e humanidade.

Sua caminhada profissional começou na assistência direta, na Estratégia Saúde da Família, passando pela atuação em Unidade de Terapia Intensiva e pela dedicação à enfermagem obstétrica, atuando na MESM desde 2003 e contribuindo com a Residência de Enfermagem Obstétrica. Desde cedo, escolheu estar ao lado das mulheres, acompanhando suas vulnerabilidades, medos e conquistas. A docência na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) ampliou seu olhar sobre a formação de profissionais comprometidos com o SUS e com a humanização do cuidado. O mestrado na Universidade Federal de São Paulo fortaleceu sua base científica e consolidou seu compromisso com práticas baseadas em evidências.

A chegada à gestão foi consequência natural de uma trajetória marcada por responsabilidade e envolvimento institucional. Para Elisângela, ocupar um espaço de liderança na Uncisal significa muito mais que administrar processos, é assumir o compromisso de impactar diretamente a qualidade da assistência oferecida às mulheres e aos bebês de Alagoas. Para ela, estar à frente da Maternidade Escola Santa Mônica é uma missão.

Elisângela Sanches acredita que gerir uma maternidade pública de alto risco exige decisões rápidas, enfrentamento de limitações estruturais, organização de fluxos assistenciais complexos e constante articulação entre ensino e serviço. A alta demanda, os casos graves e a necessidade permanente de qualificação da equipe fazem parte da rotina. Ao longo do percurso, um dos grandes desafios foi conciliar assistência, docência e gestão sem perder a essência do cuidado. Outro desafio, ainda presente, é ocupar um espaço historicamente marcado por desigualdades de gênero, onde mulheres em posição de liderança frequentemente precisam reafirmar sua competência.

Entre as conquistas que mais orgulham, estão o fortalecimento das boas práticas obstétricas, a consolidação de uma cultura de humanização mesmo em cenário de alta complexidade, a melhoria de processos internos e a formação de novas enfermeiras obstétricas que hoje atuam com autonomia e segurança. Sob sua gestão, a Maternidade Escola Santa Mônica reafirma seu papel como referência técnica e também como espaço de acolhimento.

Sua liderança é marcada por uma combinação de firmeza e empatia. Na saúde materna, essa integração faz diferença concreta, onde protocolos são respeitados, mas a escuta é valorizada. As metas são perseguidas, mas pessoas são priorizadas. A liderança feminina, nesse contexto, contribui para um cuidado mais sensível às necessidades reais das mulheres, sem abrir mão da eficiência administrativa.

Gestão e vida pessoal

Mulher negra em posição estratégica na saúde pública, Elisângela também simboliza avanços importantes na ocupação de espaços de decisão por mulheres. Ela reconhece que houve progressos significativos nos últimos anos, mas entende que ainda há caminho a percorrer para garantir equidade plena nos cargos de maior poder decisório.

Fora da instituição, também é mãe dedicada de dois filhos. Essas dimensões pessoais não são paralelas à sua atuação profissional, mas são parte dela. A experiência da maternidade fortalece sua empatia diante das gestantes de alto risco. O cuidado aprendido na família se reflete na forma como conduz equipes e acolhe histórias.

Para as mulheres que desejam trilhar caminhos semelhantes, sua mensagem é clara: investir na formação, acreditar na própria capacidade e não desistir diante das dificuldades. Liderança, para ela, não se resume ao cargo, mas à disposição de assumir responsabilidades e transformar realidades.

O futuro, segundo sua visão, passa pelo fortalecimento contínuo da assistência humanizada, ampliação de projetos de qualificação profissional e consolidação da Maternidade Santa Mônica como referência não apenas técnica, mas também ética e acolhedora.

Maria Elisângela Torres de Lima Sanches é uma mulher que entende que gestão é, acima de tudo, cuidado ampliado. E reconhece que, mesmo diante dos desafios de uma maternidade pública de alto risco, é possível liderar com competência, sensibilidade e compromisso com a vida.