Alagoas
Valdemar, o “cacique” do PL: condenado no mensalão e preso por arma, ele ainda dita as regras do partido que JHC quer manter em Alagoas
Mesmo carregando no currículo uma condenação no STF e um novo episódio policial recente, Valdemar Costa Neto segue no topo do PL; encontro com JHC e Dra. Eudócia em Brasília é lido, nos bastidores, como busca de aval para o projeto do prefeito em 2026
A foto publicada pela senadora Dra. Eudócia - ao lado do prefeito de Maceió JHC e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto - foi descrita como “reunião produtiva” e tratou de “desafios e oportunidades” para 2026.
Mas, nos bastidores de Brasília, a imagem fala outra língua: quando um prefeito com ambição estadual aparece ao lado do comando nacional do partido, o recado costuma ser um só — pedir a “benção do cacique” para garantir legenda, estrutura e controle político do diretório no Estado.
E o “cacique”, no caso, é um personagem que carrega manchas pesadas no histórico público — sem que isso o tenha afastado do poder.
Condenado no mensalão, renúncia para escapar de cassação
Valdemar Costa Neto foi deputado federal por São Paulo por vários mandatos e entrou para o rol dos condenados no mensalão (Ação Penal 470). Ele recebeu pena de 7 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e renunciou ao mandato em 2013, gesto que, na prática, encerrou a possibilidade de um processo de cassação na Câmara.
Ou seja: mesmo depois de um dos maiores escândalos de corrupção da história recente do país, Valdemar não só sobreviveu politicamente — como continuou mandando.
Operação da PF e prisão por arma sem registro
Como se não bastasse o passado no mensalão, Valdemar voltou às manchetes em fevereiro de 2024, quando foi preso em flagrante por posse ilegal de arma durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal, no contexto da Operação Tempus Veritatis.
A cena reforçou a contradição que cerca o dirigente: um presidente nacional de partido, figura central da política brasileira, ainda estampando noticiário policial.
PL multado no TSE após ação contra urnas
Sob o comando nacional do PL, o partido também atravessou um dos episódios mais simbólicos do pós-eleição de 2022: o Tribunal Superior Eleitoral confirmou multa de R$ 22,9 milhões ao PL por litigância de má-fé no caso do pedido contra urnas eletrônicas.

Por que JHC aparece nesse retrato agora?
A publicação da senadora Dra. Eudócia e matérias locais descrevem o encontro como articulação política e diálogo sobre 2026.
Só que, no tabuleiro real, ninguém atravessa uma eleição majoritária ou um projeto de poder estadual sem resolver antes três coisas dentro do partido:
1. Quem manda no diretório
2. Quem monta a chapa (e define coligações)
3. Quem controla tempo de TV, fundo eleitoral e palanque
E isso, no PL, passa por Valdemar.
Por isso, a foto tem gosto de bastidor: JHC foi a Brasília carimbar presença com o dono do apito. Para um prefeito que tenta ampliar influência para além de Maceió, estar ao lado do presidente nacional do partido funciona como sinal de força — ainda que o anfitrião traga na bagagem condenação criminal e episódios recentes com a Polícia Federal.
O paradoxo do PL: moralismo no discurso, Valdemar no comando
A contradição é evidente e rende debate: enquanto o PL tenta vestir a fantasia de guardião da moral em palanques e redes sociais, seu principal dirigente nacional é lembrado por mensalão, renúncia e prisão por arma — e, mesmo assim, continua sendo o homem que decide.
E é a ele que JHC recorre quando precisa garantir viabilidade política e partidária para o projeto alagoano de 2026.
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