Alagoas

Ufal é parceira do projeto Dom Helder Câmara para redução da pobreza

Superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário em Alagoas, Gilberto Coutinho, foi recebido nesta quarta-feira pelo reitor Josealdo Tonholo; projeto atua no semiárido nordestino

Lenilda Luna - jornalista 05/03/2026
Ufal é parceira do projeto Dom Helder Câmara para redução da pobreza
Tonholo destacou a importância do engajamento institucional nas ações voltadas ao desenvolvimento regional e à agricultura familiar no estado - Foto: Renner Boldrino

Nesta quarta-feira (4), o reitor Josealdo Tonholo recebeu em seu gabinete o superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em Alagoas, Gilberto Coutinho, para detalhar a parceria da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) no Projeto Dom Hélder Câmara. Estavam presentes também a professora Flávia Moura (ICBS) que será a articuladora do projeto no Estado; a professora Marília Alves, do Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (Ceca); e o pró-reitor de Extesão, Cézar Nonato.

Gilberto Coutinho expôs para o reitor Tonholo os objetivos do projeto. “O Projeto Dom Hélder Câmara já se consolidou, ao longo de mais de 20 anos, como referência em desenvolvimento rural sustentável voltado à agricultura familiar no semiárido, com foco na redução da pobreza rural e da insegurança alimentar, por meio do acesso a políticas públicas, inovação tecnológica e apoio a sistemas alimentares sustentáveis e resilientes ao clima. O projeto atende os nove estados do Nordeste e o norte de Minas Gerais”, relatou Coutinho.

Segundo o superintendente, os recursos para o projeto são de um total de R$ 200 milhões, sendo que R$ 50 milhões são de um empréstimo internacional do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), que foi aprovado no final do ano passado. “A ideia é atender em Alagoas em torno de 7.500 famílias que vão receber assistência técnica, fomento, capacitação nas áreas de cooperativismo, associativismo, da produção, da reintegração de matas ciliares e de incentivo à produção”, explicou Gilberto Coutinho.

O projeto vai se dar através dos territórios, uma estratégia do Governo Federal para descentralizar políticas públicas. “É um programa de mobilização e governança juntando sociedade civil, entidades governamentais municipais, estaduais e federais que atuam na região. Nós vamos atuar na Bacia Leiteira, no Alto Sertão e Médio Sertão. São em torno de 30 cidades que serão atendidas. Nesta terceira etapa do projeto, o MDA buscou consolidar parcerias com as Universidades”, explica Gilberto.

A professora Flávia Moura, que está na articulação do projeto representando a Ufal, destacou a importância desta parceria para a instiuição. “Vamos atuar nesses territórios com atividades de extensão rural, assistência técnica rural, implantação de tecnologias sociais, recuperação de áreas degradadas, adequação ambiental, adequação das cooperativas para o comércio. Então, todo esse suporte vai poder ser dado pela universidade através de seus professores, pesquisadores e alunos que poderão se engajar diretamente nesse projeto”, ressaltou ela.

Além de ter um impacto social relevante, o projeto é uma oportunidade de estabelecer novos campos de aprendizagem. “Vamos inserir os alunos através de atividades de extensão, de pós-graduação também, através de pesquisas aplicadas para o desenvolvimento do semiárido. É um momento muito importante, com uma expectativa muito boa de que possa ser uma via de mão dupla: levamos a tecnologia, mas também aprendemos muito com tecnologias sociais. Nossos alunos terão a oportunidade de vivenciar essa realidade de perto”, relatou Flávia.

O reitor Tonholo destacou a importância do engajamento institucional nas ações voltadas ao desenvolvimento regional e à agricultura familiar no estado. “É uma oportunidade ímpar de engajamento da universidade em causas ligadas aos movimentos sociais e ao aumento da capacidade produtiva da agricultura familiar, especialmente na bacia leiteira, no médio e no alto sertão. A Ufal tem hoje capilaridade, está presente em oito cidades destas regiões e pode atuar diretamente nessas comunidades”, afirmou.

Segundo ele, a expectativa é ampliar o envolvimento da comunidade acadêmica para gerar resultados concretos, como o aumento da produtividade e a melhoria da qualidade de vida em Alagoas. “São parcerias que envolvem diversas áreas, da recuperação de mananciais ao associativismo, do meio ambiente à veterinária e à agroindústria, com foco também na agregação de valor aos produtos da agricultura familiar, fortalecendo e empoderando as comunidades locais”, finalizou Tonholo.