Alagoas

Professora da Ufal será premiada por atuação na Nutrição voltada para a Agroecologia

Islândia Bezerra vai receber o Prêmio Lieselotte Ornellas 2025 no dia 12 de maio

Ascom Asbran 04/03/2026
Professora da Ufal será premiada por atuação na Nutrição voltada para a Agroecologia
Professora Islândia Bezerra receberá o prêmio no dia 12 de maio, no Conbran 2026, em Curitiba

O caminho de pesquisas e projetos que pensam em sistemas alimentares sustentáveis e saudáveis levou a professora Islândia Bezerra da Costa, da Faculdade de Nutrição da Ufal (Fanut) a conquistar o Prêmio Lieselotte Ornellas - Nutricionista Destaque 2025. O prêmio, organizado pela Associação Brasileira de Nutrição (Asbran) reconhece profissionais que contribuem para o desenvolvimento científico, tecnológico e cultural da ciência da Nutrição e também com a promoção e reconhecimento social da categoria no Brasil.

“O prêmio é a ponte que a gente vai criar para fortalecer laços e convergências com outras ciências, com outros saberes para pensar nos sistemas alimentares sustentáveis e saudáveis que podem, efetivamente, garantir a soberania e a segurança alimentar e nutricional”, destacou emocionada a professora Islândia.

Potiguar com atuação consolidada em Alagoas, Islândia Bezerra construiu trajetória marcada pelo compromisso com o direito humano à alimentação adequada. Com grande atuação na Agroecologia, sempre fortaleceu o debate sobre a relação entre produção e consumo de alimentos e sobre a problemática alimentar e nutricional. No campo da pesquisa, coordena e participa de estudos voltados à Agroecologia, à Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional e ao Direito Humano à Alimentação Adequada, incorporando ainda a perspectiva feminista como eixo estruturante de análise.

Ela comemora a premiação por destacar o trabalho que é feito sobre o debate de pensar a nutrição não apenas focada no consumo de alimentos, mas também na sustentabilidade na produção deles. Isso é ao que Islândia se dedica e enaltece quem já trilhou essas reflexões.

“Esse prêmio não é meu, é de toda uma trajetória de várias pessoas que vieram antes de mim. Para nós, da Ufal, é mais uma oportunidade de a gente focar nesse caminho que já foi iniciado. Porque com os sistemas alimentares hegemônicos, onde a gente tem uma produção massiva e com o uso de agrotóxicos, de transgênicos, de devastação dos biomas, da produção agropecuária, sem pensar na sustentabilidade, isso complica, dificulta muito todo o trabalho acadêmico”, reforçou.

Indicação e reconhecimento

Para concorrer ao prêmio, o nutricionista precisava ser indicado por uma organização social, entidade de classe ou instituição, de personalidade jurídica, como universidades, sindicatos, conselhos, entre outras. Cada organização só podia indicar um nutricionista e reunir documentos que o credenciem a receber o prêmio. A professora da Ufal foi indicada pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), instituição que teve Islândia como a primeira nutricionista presidenta, por dois mandatos, até ser convidada a ocupar o cargo Diretora de Diálogos Sociais da Secretaria Geral da Presidência da República e Diretora da Secretaria Nacional de Abastecimento, Cooperativismo e Soberania Alimentar do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

Foram mais de três meses de análise de currículos e documentação feita por uma comissão especial formada pela diretoria da Asbran e designados por ela, sempre respeitando possíveis conflitos de interesse. Além de Islândia, a professora da UFBA, Sandra Maria Chaves dos Santos, também será homenageada com o Prêmio Lieselotte Ornellas.

O prêmio será entregue no dia 12 de maio, durante solenidade de abertura do Congresso Brasileiro de Nutrição (Conbran 2026), em Curitiba.

“A expectativa é de a gente trazer o debate [sobre ciência agroecológica] à luz do Congresso Brasileiro de Alimentação e Nutrição para um público que ainda é muito incipiente a esse debate da agroecologia, da produção e consumo de alimentos saudáveis, da criação, da construção e do fortalecimento dos sistemas alimentares sustentáveis e saudáveis que nós, da nutrição, temos tudo a ver. Então, eu tenho uma expectativa muito positiva de que a cerimônia vai nos abrir outras portas e vai construir pontes entre nós, entre os saberes, e os profissionais”, concluiu Islândia.

Sobre Lieselotte Hoeschl Ornellas

Nascida em Florianópolis (SC) em 1917, a mulher que dá nome ao prêmio fez parte da primeira geração de nutricionistas no Brasil. Lieselotte sempre cultivou uma consciência humanista e ética, tendo dedicado boa parte de sua vida à capacitação profissional e valorização dos cursos de nutrição no país.

Expandiu seus conhecimentos em cursos no exterior e a partir do contato com diversas culturas, acumulou experiências que enriqueceram o conteúdo de diversos livros que publicou, e que até hoje são referência em cursos de nutrição do Brasil. Sua participação como profissional e docente, durante 66 anos, contribuiu de forma singular para o desenvolvimento da enfermagem e da nutrição no país. Como presidenta da Asbran em seus primeiros anos, trabalhou intensamente pelo reconhecimento da profissão e da ciência da nutrição.