Alagoas

Estudante de Design leva pesquisa inovadora a congresso na China

Estudo une neurociência e design de games para analisar o impacto dos jogos no comportamento dos jogadores

Ascom Ufal 14/01/2026
Estudante de Design leva pesquisa inovadora a congresso na China
Thiago Santos, estudante do sexto período do curso de Design

A pesquisa inovadora de um estudante da Universidade Federal de Alagoas atravessou o mundo e chamou a atenção de pesquisadores chineses. Thiago Santos, estudante do sexto período do curso de Design, elaborou um estudo que une Neurociência e Game Design e foi selecionado para participar do GachaCon 2026, um evento internacional que acontece na City University of Hong Kong, na China, entre 12 e 13 fevereiro de 2026.

A conferência acadêmica reúne estudos sobre jogos, psicologia, direito e pesquisadores de diversas áreas do mundo para explorar as implicações dos jogos gacha no design de jogos, nas comunidades de jogadores e nas políticas regulatórias, com foco no jogo chinês Genshin Impact.

No evento, o estudante participará de palestras com pesquisadores de países como Austrália, Finlândia, Canadá, Japão, Países Baixos e Singapura. Além disso, serão discutidos temas relevantes tanto para o design de jogos quanto para questões sociais, como gênero, relações parassociais e a construção de comunidades em jogos.

Da curiosidade à pesquisa

O estudante utiliza o jogo Genshin Impact, que é um jogo gacha, há mais de cinco anos e relatou que, diversas vezes, tinha vontade de sair do jogo, mas o estímulo para continuar era maior. Foi a partir disso que surgiu a curiosidade de saber mais sobre o tema e de adentrar no universo da neurociência.

“O termo vem do japonês gacha, que surgiu a partir de máquinas de venda em que você coloca uma moeda e recebe um item misterioso. Esse conceito foi adaptado para os jogos digitais, criando mecanismos em que personagens e armas aparecem de forma aleatória. Para obtê-los, o jogador precisa gastar moedas do próprio jogo, aumentando as chances de conseguir itens melhores, e é exatamente por isso que continuamos no jogo”, contou o estudante.

O trabalho de Thiago tem o tema “The Neuroscience of Desire: Dopamine, Intermittent Reinforcement, and Player Retention in Genshin Impact” (A Neurociência do Desejo: Dopamina, Reforço Intermitente e Retenção de Jogadores em Genshin Impact) e busca estudar como esse sistema influencia o jogador a permanecer no universo do jogo. Utilizando a metodologia de Berridge, o estudo identifica que, durante as partidas, duas áreas do cérebro são ativadas: a do querer e a do gostar.

Ele explica que o “querer” está relacionado às áreas dopaminérgicas, ligadas ao prazer, enquanto o “gostar” envolve os chamados hotspots, pequenos pontos do cérebro que são neurocientificamente mais fracos, pois precisam ser ativados simultaneamente para gerar a sensação de prazer real, criando um ciclo em que o jogador recebe reforços constantes e sente a necessidade de continuar jogando para tentar conseguir determinado personagem.

“A ativação dopaminérgica é mais simples: basta um estímulo para que ela aconteça. É semelhante ao funcionamento de uma máquina de venda: o momento de puxar a alavanca gera mais dopamina do que o momento de, de fato, obter o item desejado. O pico de dopamina ocorre quando o jogador está prestes a conseguir o personagem, e não quando ele o conquista. Esse é o ponto central da pesquisa, que analisa essa diferença entre querer e gostar no funcionamento do nosso cérebro”, ressaltou.

Alcançando novos sonhos

O trabalho foi a primeira submissão internacional de Thiago e já obteve êxito. A iniciativa partiu de seu orientador Daniel da Costa Leite, professor da UniFacisa, de Campina Grande, Paraiba, e contou com a professora da Ufal, Layane Araújo, como introdutora no mundo dos jogos acadêmicos. Ele relembra que enviou duas propostas e acreditava que a aprovação era um sonho distante. Quando o resultado positivo chegou, a surpresa se transformou em êxtase. O projeto foi definido pelos avaliadores como inédito e inovador, destacando-se entre os inscritos.

“Eu sabia que não era garantido passar e, quando saiu o resultado, li primeiro a resposta do artigo que não foi aprovado e fiquei tranquilo. Mas, logo depois, vi que o outro havia sido aceito. É uma sensação muito difícil de descrever. Foi algo bem diferente e inesperado, ainda mais pelos elogios que a pesquisa recebeu. Agora, a ideia é expandir esse resumo e transformá-lo em um artigo mais completo, aprofundando a neurociência do desejo”, revelou.

Para ele, a conquista vai muito além de uma vitória pessoal, pois carrega um forte significado de incentivo para pessoas que possam se identificar com sua trajetória.

“Sempre digo para as pessoas ao meu redor não desistirem de escrever e produzir conteúdo. Eu sou nordestino, venho de família de baixa renda e entrei na Ufal por meio de políticas de acesso. Ter a oportunidade de representar Maceió, o Nordeste e a Ufal em um evento internacional é uma honra enorme. Espero que outras pessoas se inspirem e percebam que, com estudo, determinação e foco, é possível chegar longe”, finalizou.

Para viabilizar a ida a Hong Kong e representar a Ufal no palco principal do evento, o estudante está realizando uma campanha de financiamento coletivo intitulada “Missão Hong Kong”. Os interessados em contribuir podem acessar o Instagram oficial da viagem, @neuronasia, que reúne todas as informações detalhadas e recompensas na plataforma Catarse de acordo com o valor da contribuição.