Alagoas
É da Ufal a primeira alagoana a integrar a Academia Brasileira de Odontologia
Posse da professora Patrícia Batista Nascimento marca o início de uma nova etapa em uma trajetória de 30 anos de profissão
Mais do que um rito solene, a posse da professora Patrícia Batista Nascimento na Academia Brasileira de Odontologia (AcBO) marca o início de uma nova etapa em uma trajetória de 30 anos construída a partir do compromisso com o ensino público, a extensão universitária e a transformação social por meio da saúde. A docente da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Alagoas (Foufal) é o primeiro membro alagoano a ocupar uma cadeira na entidade e se volta a olhar para os caminhos que pretende trilhar dentro da academia.
A indicação, segundo ela, veio como surpresa, mas também como um momento de reflexão sobre o percurso profissional iniciado ainda no início dos anos 2000, quando retornou a sua cidade natal, Maceió, para ingressar na Universidade Federal de Alagoas como docente. “Quando eu entrei na Ufal foi a realização de um sonho. Eu já ensinava em uma instituição privada em Pernambuco e queria estar em uma universidade pública para contribuir com as pessoas por meio do ensino público”, relembra. A valorização da educação, presente em sua história familiar, sempre guiou suas escolhas.
Dentro da universidade, Patrícia encontrou na extensão o elo entre o conhecimento acadêmico e as demandas reais da sociedade. Um dos marcos dessa atuação foi a parceria com a Associação dos Pais e Amigos dos Leucêmicos de Alagoas (Apala), onde ajudou a estruturar um consultório odontológico que se tornou campo de estágio para estudantes da Foufal. A experiência revelou um desafio ainda pouco explorado à época: os impactos das internações hospitalares na saúde bucal de crianças em tratamento oncológico.
Foi desse contato direto com a prática que surgiu seu primeiro projeto de extensão e, posteriormente, o “Sorriso Mágico”, iniciativa que levou atendimento odontológico aos leitos da Oncopediatria da Santa Casa de Maceió. Para isso, a professora investiu em formação específica, incluindo o curso de Odontologia em UTI no Hospital Heliópolis, em São Paulo, e passou a atuar de forma sistemática em enfermarias e unidades de terapia intensiva por cerca de 12 anos.
Essa vivência extrapolou os limites da universidade e contribuiu para mudanças estruturais no estado. Patrícia participou da criação do primeiro projeto de lei em Alagoas que trata da obrigatoriedade da assistência odontológica a pacientes internados, além de colaborar na formatação de portarias da Secretaria de Saúde que passaram a exigir a presença de dentistas nos hospitais. “Sempre envolvendo a universidade, os alunos e a extensão”, destaca.
No âmbito da formação profissional, sua atuação também deixou marcas. À frente da Comissão de Odontologia Hospitalar do Conselho Regional de Odontologia, ajudou a consolidar a área no estado. No Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), esteve envolvida na implementação de protocolos de higiene oral em UTIs, iniciativa associada à redução de pneumonias adquiridas no ambiente hospitalar. “Ser professora de uma universidade federal significa um compromisso muito grande de provocar mudanças positivas na sociedade”, avaliou.
Atualmente, a docente coordena outro projeto de extensão de impacto social, o “Down Sorriso”, voltado ao atendimento multidisciplinar de crianças com síndrome de Down, em parceria com o Instituto Amor 21. Para ela, a extensão continua sendo um dos pilares de sua identidade acadêmica. “Muitos dos dentistas que hoje atuam na odontologia hospitalar foram meus alunos. É gratificante saber que contribuí com isso.”
essa bagagem que Patrícia pretende levar para dentro da Academia Brasileira de Odontologia. A expectativa é ampliar a visibilidade da Ufal e de Alagoas no cenário nacional, além de fortalecer o debate sobre o papel social da Odontologia e do ensino público. “Essa indicação significa felicidade, significa que valeu a pena desbravar. Onde quer que você esteja, é possível fazer algo pelo social”, reflete.
A representatividade também ocupa lugar central em seus planos. Filha de um dos participantes das primeiras turmas de Odontologia da Ufal e fundador da Faculdade de Odontologia do Amazonas, Patrícia se diz inspirada pela história familiar, que inclui ainda um irmão dentista e professor universitário. “Sou a primeira alagoana a ter assento na Academia. Uma mulher e negra. É uma honra e uma responsabilidade e significa muito não só para mim, mas para o meu estado e para mulheres como eu, que agora têm uma representação para quem olhar”, ressalta.
Academia Brasileira de Odontologia
Fundada em 1949, a Academia Brasileira de Odontologia é uma entidade civil, filantrópica e sem fins lucrativos, que reúne professores e cirurgiões-dentistas de todo o país com o objetivo de promover o aprimoramento do ensino e o avanço técnico-científico da Odontologia brasileira. Integrar esse espaço, para Patrícia, é também a confirmação de uma missão cumprida — e, ao mesmo tempo, um convite a continuar fazendo diferença. “A gente veio para transformar a vida das pessoas. Quando chego a esse momento, é como se passasse um filme”, concluiu.
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