Alagoas

Belém lidera com o prefeito mais rico de Alagoas; Prefeito de Maceió, a capital, aparece apenas em 10º lugar

Patrimônio de prefeitos em Alagoas fica sob lupa após decisão do TSE que garante transparência total

Redação com agências 13/01/2026
Belém lidera com o prefeito mais rico de Alagoas; Prefeito de Maceió, a capital, aparece apenas em 10º lugar
Adalberto Antero Torres, prefeito de Belém, Alagoas e JHC, prefeito de Maceió

Uma pesquisa baseada nas declarações de bens entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições municipais de 2024 reacendeu o debate sobre riqueza, poder e transparência na política alagoana. O levantamento lista os 10 prefeitos com maior patrimônio declarado em Alagoas e chama atenção para dois pontos centrais: a concentração partidária entre os mais ricos e o fato de o maior patrimônio pertencer ao prefeito de Belém, um dos menores municípios do estado.


No início de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu, em plenário, que os dados patrimoniais de candidatos e eleitos devem permanecer públicos, mesmo diante da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O entendimento foi reforçado pelo ministro Alexandre de Moraes, ao afirmar que a Constituição Federal consagrou o princípio da transparência como vetor indispensável da administração pública. Em outras palavras: quando se trata de mandato eletivo, o interesse público prevalece.

O ranking dos prefeitos mais ricos de Alagoas


Segundo as declarações ao TSE, metade dos dez prefeitos mais ricos é filiada ao PP, o que reforça a leitura política do levantamento. Confira a lista:
1º – Belém: Adalberto Antero Torres, o Beto Torres (PP) – R$ 15,2 milhões
2º – Craíbas: Teófilo José Barroso Pereira (PP) – R$ 5,8 milhões
3º – Quebrangulo: Manoel Costa Tenório (PSDB) – R$ 5,2 milhões
4º – Jequiá da Praia: Carlos Felipe Castro Jatobá Lins (PP) – R$ 4,3 milhões
5º – Limoeiro de Anadia: James Marlan Ferreira Barbosa (PP) – R$ 3,9 milhões
6º – Penedo: Ronaldo Pereira Lopes (MDB) – R$ 3,6 milhões
7º – Paripueira: Carlos Abrahão Gomes de Moura (MDB) – R$ 3,4 milhões
8º – Coruripe: Marcelo Beltrão Siqueira (PP) – R$ 2,9 milhões
9º – Taquarana: Geraldo Cícero da Silva (MDB) – R$ 2,1 milhões
10º – Maceió: João Henrique Holanda Caldas (PL) – R$ 1,8 milhão


Repercussão e questionamentos


A divulgação do ranking provocou intensa reação nas redes sociais. Comentários variaram entre ironia, desconfiança e pedidos por aprofundamento jornalístico. “Mistério esses patrimônios”, escreveu um internauta. Outro cobrou: “Façam outra matéria mostrando como os citados atingiram esse nível de riqueza”.


O debate ocorre em um contexto mais amplo de cobrança por integridade e rastreabilidade dos recursos na administração pública. Embora declaração de bens não signifique irregularidade, a transparência permite que a sociedade acompanhe a evolução patrimonial de agentes públicos ao longo do tempo — exatamente o espírito da decisão do TSE.


Transparência como regra


Com a manutenção da publicidade dos dados patrimoniais, o recado institucional é claro: o eleitor tem o direito de saber. A informação, quando pública, não acusa — permite fiscalização. E, em um estado com 102 municípios, a constatação de que apenas dez prefeitos figuram entre os mais ricos alimenta um debate legítimo sobre origem da riqueza, perfil socioeconômico dos gestores e responsabilidade pública.


A lista está posta. Cabe agora à sociedade, à imprensa e aos órgãos de controle fazerem o que a Constituição prevê: acompanhar, comparar e cobrar.