Alagoas
Belém lidera com o prefeito mais rico de Alagoas; Prefeito de Maceió, a capital, aparece apenas em 10º lugar
Patrimônio de prefeitos em Alagoas fica sob lupa após decisão do TSE que garante transparência total
Uma pesquisa baseada nas declarações de bens entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições municipais de 2024 reacendeu o debate sobre riqueza, poder e transparência na política alagoana. O levantamento lista os 10 prefeitos com maior patrimônio declarado em Alagoas e chama atenção para dois pontos centrais: a concentração partidária entre os mais ricos e o fato de o maior patrimônio pertencer ao prefeito de Belém, um dos menores municípios do estado.
No início de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu, em plenário, que os dados patrimoniais de candidatos e eleitos devem permanecer públicos, mesmo diante da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O entendimento foi reforçado pelo ministro Alexandre de Moraes, ao afirmar que a Constituição Federal consagrou o princípio da transparência como vetor indispensável da administração pública. Em outras palavras: quando se trata de mandato eletivo, o interesse público prevalece.
O ranking dos prefeitos mais ricos de Alagoas
Segundo as declarações ao TSE, metade dos dez prefeitos mais ricos é filiada ao PP, o que reforça a leitura política do levantamento. Confira a lista:
1º – Belém: Adalberto Antero Torres, o Beto Torres (PP) – R$ 15,2 milhões
2º – Craíbas: Teófilo José Barroso Pereira (PP) – R$ 5,8 milhões
3º – Quebrangulo: Manoel Costa Tenório (PSDB) – R$ 5,2 milhões
4º – Jequiá da Praia: Carlos Felipe Castro Jatobá Lins (PP) – R$ 4,3 milhões
5º – Limoeiro de Anadia: James Marlan Ferreira Barbosa (PP) – R$ 3,9 milhões
6º – Penedo: Ronaldo Pereira Lopes (MDB) – R$ 3,6 milhões
7º – Paripueira: Carlos Abrahão Gomes de Moura (MDB) – R$ 3,4 milhões
8º – Coruripe: Marcelo Beltrão Siqueira (PP) – R$ 2,9 milhões
9º – Taquarana: Geraldo Cícero da Silva (MDB) – R$ 2,1 milhões
10º – Maceió: João Henrique Holanda Caldas (PL) – R$ 1,8 milhão
Repercussão e questionamentos
A divulgação do ranking provocou intensa reação nas redes sociais. Comentários variaram entre ironia, desconfiança e pedidos por aprofundamento jornalístico. “Mistério esses patrimônios”, escreveu um internauta. Outro cobrou: “Façam outra matéria mostrando como os citados atingiram esse nível de riqueza”.
O debate ocorre em um contexto mais amplo de cobrança por integridade e rastreabilidade dos recursos na administração pública. Embora declaração de bens não signifique irregularidade, a transparência permite que a sociedade acompanhe a evolução patrimonial de agentes públicos ao longo do tempo — exatamente o espírito da decisão do TSE.
Transparência como regra
Com a manutenção da publicidade dos dados patrimoniais, o recado institucional é claro: o eleitor tem o direito de saber. A informação, quando pública, não acusa — permite fiscalização. E, em um estado com 102 municípios, a constatação de que apenas dez prefeitos figuram entre os mais ricos alimenta um debate legítimo sobre origem da riqueza, perfil socioeconômico dos gestores e responsabilidade pública.
A lista está posta. Cabe agora à sociedade, à imprensa e aos órgãos de controle fazerem o que a Constituição prevê: acompanhar, comparar e cobrar.
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