quinta-feira, 19 de Maio de 2022

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Pablo Neruda

Por Laurentino Veiga

Alagoas exportou à Cidade Maravilhosa Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Pontes de Miranda, maior jurisconsulto da América Latina. Bahia consagrou-se com Ruy Barbosa, o Águia de Haia. Maranhão com Sarney, imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Pernambuco com sociólogo-escritor Gilberto Freyre. Paraíba, José Américo de Almeida, José Lins do Rego. Minas, João Guimarães Rosas, Portugal: Fernando Pessoa (1888-1935), Argentina Júlio Coetázar, Espanha – Miguel de Cervantes. O morro do Livramento gerou Machado de Assis, maior escritor do Brasil moderno.

O Chile, por sua vez, tornou-se internacional com o nascimento de Ricardo Neftalí Reyes Bosoalto, nascido na cidade chilena de Parral, em 12 de julho de 1904. Que, por sinal, adotou o pseudônimo (1920) de Pablo Neruda, homenagem ao poeta tchecoslovaco Jan Neruda.

Poliglota, falava fluentemente francês-espanhol. E, sendo assim, exerceu o cargo de diplomata em Burma, Sri Lanka, Java, Cingapura, Buenos Aires, Barcelona e Madri. Em 1943, voltou ao Chile para ser eleito senador da República pelo partido comunista chileno.

Nas suas andanças literárias, Pablo Neruda (1904-1973), foi uma das vozes mais altas da poesia do nosso tempo. Sintetizou consciência política, lirismo e profundo domínio da linguagem poética. Recebeu em vida (1971), o cobiçado Prêmio Nobel de Literatura, extrapolando fronteiras internacionais. Dentre suas obras (bilíngues) publicou Cem sonetos de amor, Canto geral e Confesso que vivi.

Merece, portanto, destaque Residência na Terra (I, II e III), cuja tradução ficou a cargo do poeta-escritor Paulo Mendes Campos. Afora isso, A barcarola: “ Si solamente me tocaras el corazón/ Si solamente pusieras tu boca en mi corazón/ tu fina boca, tus dientes/ Si pusieras tu lengua como uma flexa roja/ allí donde mi corazón polvoriento golpea/ Si soplaras en mi corazón, cerca del mar, Ilorando/ Sonaría com um ruído oscuro, com sonido de ruedas de tren com sueño.

Pela sua importância  poética, notabilizou-se no seu país e, por isso, fora obrigado a viver clandestinamente em seu próprio país por dois anos, até exilar-se, em 1949. Um ano depois foi publicado no México e clandestinamente no Chile o livro Canto geral.

Além de ser o título mais célebre de Neruda, é uma obra-prima da poesia telúrica, que exalta poderosamente toda vida do Novo Mundo, denuncia a impostura dos conquistadores e a tristeza dos povos explorados, expressando um grito de fraternidade através de imagens poderosas.

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