terça-feira, 30 de novembro de 2021

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Hong Kong cogita testar professores sobre lei de segurança

Por Vanderlei Tenório

A jornalista Jenni Marsh, do Yahoo Finanças apurou que professores de Hong Kong podem ter que passar em um teste sobre a Lei de Segurança Nacional da cidade, segundo uma autoridade do governo, em meio à reforma do sistema educacional para fomentar maior lealdade à China.

Os exames colocariam os requisitos para professores da rede de ensino do governo em linha com os exigidos de funcionários públicos, disse o secretário de Educação, Kevin Yeung, em entrevista à Radio Television Hong Kong e divulgada na sexta-feira (15). A cidade usou a lei imposta pelo governo de Pequim para deter mais de 150 pessoas sob acusações que podem levar à prisão perpétua e justificar uma onda de novas políticas em vários segmentos, desde isenção de impostos até censura de filmes.

“Temos que trabalhar na educação nacional, na educação para a segurança nacional e esperamos promover a identidade nacional dos alunos”, disse Yeung à emissora pública. “Os professores são os guias dos alunos, por isso esperamos que tenham um certo grau de compreensão da Lei Básica.”

Marsh destaca que o sistema educacional da cidade foi reformulado desde que o governo chinês culpou o que chamou de juventude insuficientemente patriótica de Hong Kong pelos protestos em massa de 2019. Desde então, mudanças no currículo escolar exigem que crianças de apenas 6 anos memorizem atos criminalizados pela lei, o Dia da Segurança Nacional foi lançado em escolas e professores foram aconselhados a denunciar crianças que infringem a lei.

“Professores da rede pública já são examinados sobre a Lei Básica, a miniconstituição da cidade que garante liberdade de expressão e de reunião, direitos não protegidos na China continental. O novo teste pode ser implementado para professores em escolas e jardins de infância apoiados pelo governo”, disse Yeung à RTHK.

Marsh reitera que funcionários públicos serão testados sobre a vaga Lei de Segurança, que criminaliza a subversão, secessão, terrorismo e conluio com potências estrangeiras a partir de meados do próximo ano, segundo planos do governo apresentados ao legislativo municipal nesta semana e divulgados pela mídia local.

Em meados de 2020, a controversa lei chinesa de segurança nacional aplicada em Hong Kong aumentou o medo nas escolas e universidades, e muitos professores temiam que fosse o fim da liberdade para ensinar. Ainda, em 2020, a AFP reportou que as autoridades chinesas deixaram claro que consideram o sistema educacional de Hong Kong como o principal responsável pelos enormes e, às vezes, violentos protestos pró-democracia que abalaram o território em 2019.

Na época, os correspondentes da AFP em Hong Kong reportaram que as autoridades chinesas deram ordens às autoridades locais para praticar uma educação mais “patriótica” e garantir que a recente lei de segurança seja respeitada.

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