quinta-feira, 24 de junho de 2021

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Casa da Mulher recebeu 20 denúncias de violência doméstica em um mês

Por Assessoria
Casa da Mulher Alagoana reúne diversos órgãos da rede de proteção às vítimas de violência doméstica.

Vítimas tinham entre 25 e 58 anos de idade; maioria dos casos envolve violência psicológica. Casa da Mulher Alagoana reúne diversos órgãos da rede de proteção às vítimas de violência doméstica. Foto: Caio Loureiro

No primeiro mês de funcionamento, a Casa da Mulher Alagoana realizou 41 atendimentos. Vinte denúncias de violência doméstica foram registradas na delegacia que funciona no local. Pedidos de informação e encaminhamentos para outros setores da Casa somaram 21.

As mulheres que fizeram denúncias tinham entre 25 e 58 anos de idade e moravam em diferentes bairros de Maceió, como Bom Parto, Jacintinho, Santa Amélia, Cruz das Almas e Ponta Verde. A diversidade do público chamou atenção, segundo a psicóloga Bárbara Abreu.

“A diversidade é tanto no sentido de faixa etária, quanto de bairros de origem e de tipos de demandas. Isso nos mostra que, de fato, as mulheres têm sofrido diversos tipos de violência, não importando a classe econômica ou a idade”, afirmou.

Bairros das vítimas de violência que procuraram a Casa da Mulher

De acordo com a psicóloga, a maioria das mulheres atendidas relatou sofrer mais de um tipo de violência ao mesmo tempo. A principal é a violência psicológica, conduta que causa dano emocional, diminuição da autoestima e prejuízo ao desenvolvimento das vítimas.

“Humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, insulto, ridicularização e limitação do direito de ir e vir são alguns exemplos de violência psicológica”, explicou Bárbara. Outras violências comunicadas foram a física, a moral, a patrimonial e a sexual.

De acordo com a coordenadora da Casa, Érika Lima, a violência psicológica é por onde tudo começa. “Depois passa para o empurrão, para a agressão e chega ao feminicídio. O nosso objetivo é evitar que as mulheres cheguem a essas situações mais graves”, afirmou.

Faixa etária das vítimas de violência doméstica atendidas na Casa da Mulher

Para o desembargador Tutmés Airan, que está à frente da Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) e foi um dos idealizadores da Casa, os números do primeiro mês mostram o acerto da política de instalação do equipamento.

“Os números já indicam o quão volumoso é o problema da violência doméstica e o quanto ele precisa de atenção por parte das autoridades”, afirmou o desembargador, ressaltando dados de pesquisa nacional que apontou Alagoas como o Estado com mais casos de feminicídio no Nordeste, e o quinto em todo o Brasil. “Esses números mostram a necessidade de um equipamento como a Casa da Mulher”.

A tendência, segundo Tutmés Airan, é que o local seja cada vez mais procurado. “Tenho certeza de que a Casa vai continuar dando frutos. Precisamos oferecer proteção integral às vítimas de violência doméstica”, destacou.

Funcionamento

A Casa da Mulher Alagoana passou a ter todos os serviços funcionando no dia 10 de maio. O prédio, localizado ao lado da Praça Sinimbu, no Centro de Maceió, reúne Delegacia, Defensoria Pública, Juizado, Patrulha Maria da Penha e outros órgãos da rede de proteção às mulheres.

O local conta ainda com alojamento temporário, salas de atendimento psicossocial, brinquedoteca e centro de mediação e conciliação. O atendimento às vítimas é feito de segunda a sexta, das 7h30 às 19h30.

Segundo a coordenadora Érika Lima, a intenção é ampliar o atendimento no futuro. “Pretendemos, assim que houver condições, passar a atender 24 horas, todos os dias da semana”.

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