sábado, 15 de Maio de 2021

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Arivaldo Maia revela drama da luta contra a Covid-19

Por Denison Roma - GE

O palmeirense Arivaldo Maia é um dos personagens marcantes do rádio alagoano e nas últimas semanas enfrentou uma batalha pela vida, saindo-se vencedor contra a covid-19.

O Portal GE, através do jornalista Denison Roma, publicou importante relato do grande narrador esportivo sobre o drama vivido contra a covid-19 que reproduzimos abaixo.

 

A história do rádio esportivo alagoano carrega pelo tempo figuras marcantes. Uma delas é Arivaldo Maia. Narrador há mais de cinco décadas, Ari, como é carinhosamente chamado pelos amigos, é a voz do futebol em Alagoas, um profissional respeitado e querido por todas as torcidas.

Em 2021, ele ficou fora das transmissões esportivas da rádio 98,3 FM. Precisou lutar pela vida num hospital particular de Maceió.

Aos 73 anos, Arivaldo contraiu a Covid-19 e ficou 40 dias internado. Precisou ser intubado duas vezes nesse período e travou uma batalha pela sobrevivência.

O narrador concedeu entrevista ao ge/AL nesta quinta e deu um depoimento dramático sobre os momentos vividos por causa do novo coronavírus.

– Com relação ao meu problema de Covid, foi um problema muito sério, gravíssimo! Vocês não têm ideia do que eu passei. Tive 70% do pulmão comprometido, passei 40 dias (no hospital), sendo 32 intubado, com um intervalo no meio disso. Nesses 40 dias que passei lá, tenho poucos momentos de lucidez – revelou Arivaldo, agradecendo o carinho que recebeu de amigos e admiradores.

Arivaldo Maia no dia que recebeu alta do hospital — Foto: Ascom/MedRadius

Arivaldo Maia no dia que recebeu alta do hospital — Foto: Ascom/MedRadius

– Sofri muito, sofri bastante. Os médicos fizeram um trabalho espetacular na MedRadius. Tiveram uma atenção e um carinho fantástico comigo. E as orações de todos vocês que gostam do meu trabalho, de todo Timaço, das pessoas que me ouvem há muitos anos, todas rezando, pedindo a Deus, e Deus é maravilhoso. Estive praticamente morto em algumas oportunidades. Mas Deus é maravilhoso, e com ele eu fiz essa caminhada, auxiliado por Nossa Senhora Aparecida, Santo Expedito e São José.

Arivaldo revelou que chegou a imaginar que não suportaria tanto sofrimento.

“Rezei muito, mas tinha horas que eu pedia pra morrer porque não aguentava mais. Eu dizia: “Meu Deus, me leve que eu não aguento mais”.

O narrador relata que os médicos chegaram a não acreditar mais na sua recuperação.

– Pra vocês terem uma ideia, teve um momento em que o médico chamou minha filha, Ariana, e disse: “Vá olhar seu pai. Demore o tempo que você quiser”. Não deixaram nem Edna (esposa) entrar. Edna sofreu muito, tá sofrendo até hoje, está muito abatida. E Ariana foi lá, passou meia hora comigo, eu não me lembro de nada disso. Eu tinha cuidadores, que eu também não via. Foi um sofrimento terrível. Essa doença é uma coisa que eu quero que passe bem longe de todos que estão me acompanhando.

Arivaldo conta ainda como a Covid prejudicou a sua voz.

– A voz também foi prejudicada porque o paciente fica com um tubo dentro, praticamente, roçando nas cordas vocais. Já estou praticamente bom, com as graças de Deus, as orações de todos vocês, e desejo que nunca, se eu tivesse inimigo, graças a Deus eu não tenho, eu nunca desejaria o que passei a nenhum deles. Tive experiências assim de imaginar que fecharia os olhos e não abriria mais.

Contando os dias para voltar ao trabalho, Arivaldo Maia deixa um recado sobre os riscos da pandemia.

 – Tenham cuidado. É uma doença que está aí, ativa, se multiplicando em outras formações e uma parte considerável de pessoas levando isso na brincadeira. Eu sofri muito, cheguei em casa sem andar. Eu nunca fui gordo, sempre tive um corpo normal, mas perdi a força da musculatura das pernas, mas, com fisioterapia, consegui me recuperar, já estou andando, ainda hoje com apoio, mas é algo normal, não estou podendo sair ainda, mas com menos de 60 dias estarei de volta às atividades.

Arivaldo Maia é narrador esportivo desde a juventude — Foto: Arquivo Pessoal

Arivaldo Maia é narrador esportivo desde a juventude — Foto: Arquivo Pessoal

A inspiração no rádio

A paixão pelo rádio vem de longa data. Ainda jovem, em Palmeira dos Índios, sua terra natal, Arivaldo já narrava os bingos na cidade, bem como os jogos de futebol de salão. De onde veio a inspiração, ele mesmo conta.

– A minha inspiração veio dos grandes narradores da época. Ivan Lima, de Pernambuco, Carlos Magalhães, de Sergipe, Jorge Curi, Waldir Amaral, José Carlos Araújo… Aqui em Alagoas, tinha o Arnoldo Chagas, o Reinaldo Cavalcante, o Jorge Vilar. Essas foram as minhas inspirações para subir nos pés de castanhola e aproveitar o dom que Deus me deu.

Arivaldo já participou de coberturas internacionais como Copa do Mundo, Copa América, Eliminatórias. No Clássico das Multidões, entre CRB e CSA, são mais de 50 anos de coberturas.

 

Arivaldo Maia está em fase de recuperação — Foto: Arquivo pessoal

Arivaldo Maia está em fase de recuperação — Foto: Arquivo pessoal

Com tantos anos de trabalho, Ari fala sobre o que é preciso para se tornar um grande profissional da narração.

– Os tempos mudaram. Mas se você quer ser um narrador, tem que praticar primeiro em casa, buscar a inspiração em um nome que você pode escolher entre tantos que existem talentosos no Brasil e fazer a sua carreira. Tem que ouvir e ler bastante. É necessário que você leia sempre. Eu tenho mania de ler, sempre fiz isso. Isso lhe dá facilidades de improvisação.

 

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