domingo, 16 de Maio de 2021

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Sinteal repudia anúncio de volta às aulas com pandemia subindo em Alagoas

Por Assessoria

A volta às aulas presenciais na rede pública de Alagoas foi anunciada para o início de 2021 pelo Secretário de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, na tarde desta quinta-feira (3). No mesmo dia, a imprensa divulgou informações de que os números da pandemia voltaram a subir e que os hospitais já estão em alerta. Sem diálogo nenhum com a comunidade escolar, principalmente as trabalhadoras/es que serão expostas a um  grande risco, o Governo de Alagoas demonstra descaso com a vida humana.

O Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal) se manifesta contrário à iniciativa.

“Estamos sofrendo muito com esse formato de aula online desde o início da pandemia, sabemos que há prejuízos para todos. Mas nada justifica que governantes coloquem milhares de famílias em risco de contaminação. As notícias são alarmantes, estamos vendo os hospitais lotando, a pandemia que tinha estabilizado voltando a subir de forma muito rápida. Serão feitas testagens  em massa nos trabalhadores e estudantes? Não dá pra estar aglomerando pessoas em salas de aula sem fazer testagem”, criticou Consuelo Correia, presidenta do Sinteal.

Segundo ela, o Sinteal se reuniu esta semana com o Secretário de Estado da Educação e esse plano de retomada sequer foi mencionado. “Ainda estamos preocupadas com a questão pedagógica de 2020, que está sem definições. Na rede estadual, por exemplo, foi um ano difícil, que os educadores trabalharam mais e em piores condições que o normal, mas mesmo assim ainda não se sabe como será finalizado. Foram mudanças de plataforma, alunos com dificuldade de acesso, entre outros problemas”, relatou.

Para pensar em um próximo ano letivo, o anúncio feito dessa forma pelo secretário de saúde, e não pelo secretário da educação, trouxe ainda mais dúvidas, como levanta Consuelo. “Como foi discutido o protocolo? Será viável do ponto de vista pedagógico o formato que a saúde pensou? Quais as condições reais nas escolas, na estrutura que temos? As pessoas receberão treinamento, ou vai ser como o ensino online, que cada trabalhador teve que se virar e tirar da própria estrutura para manter o trabalho?”.

Desde o início da pandemia, em março, especialistas tem alertado para o alto risco que o ambiente escolar traz para a contaminação. De acordo com uma pesquisa publicada no site El País, colocar 20 pessoas em sala de aula implica em 808 contatos cruzados. Em um momento de alta como estamos vivendo, um fator como esse pode representar descontrole e colapso.

Consuelo questionou as razões do Governo do Estado. “Por que essa precipitação de anunciar na imprensa sem antes discutir com a parte interessada? Por que dar uma data tão próxima em tempo de tanta incerteza? Quem vai se responsabilizar pelas milhares de vidas que estarão em risco, que já entraram em pânico desde ontem ao saber dessa forma?”.

Em outros lugares, as aulas chegaram a ser retomadas e as consequências foram imediatas, obrigando a recuar. “Não precisamos passar por isso, esperamos que o Governo de Alagoas repense. A centralidade nesse momento é garantir a vida das pessoas, e não o calendário. Calendário a gente recupera, ano letivo se recupera. Tem prejuízo sim, mas a gente pode buscar outro formato e ir recuperando isso”, finalizou Consuelo.

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