domingo, 08 de dezembro de 2019

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Teófilo além de demitir 800 pais de famílias não paga servidores há 3 meses

Por Redação com Davi Salsa

Mesmo com o incremento de 11,70% no FPM dos municípios alagoanos no final do mês de novembro, o prefeito Rogério Teófilo resolveu de uma canetada só exonerar mais de 800 servidores comissionados da prefeitura de Arapiraca.

Em Alagoas, os 102 municípios alagoanos receberam R$60 milhões de repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e Arapiraca ficou com a segunda maior parte.

Contudo o cartão vermelho apresentado a esses 800 pais de famílias arapiraquenses foi o presente de natal que o prefeito-tartaruga resolveu dar aos seus assessores e gente de confiança (cargos em comissão), para se esquivar de pagar o décimo-terceiro salário.

Além disso, prestadores de serviços da prefeitura estão há mais de três meses sem receber suas remunerações e a gestão não dá explicações. Sem poder reclamar do atraso publicamente, pois estão vinculados à prefeitura de maneira irregular, os prestadores de serviços amargam o sofrimento de não ter o dinheiro que mantém suas famílias.

Rogério Nezinho

“Parece que eu estava adivinhando quando cobrei da tribuna da Câmara Municipal de Arapiraca uma atitude do prefeito Rogério Teófilo, para resolver o problema no atraso no pagamento dos servidores municipais, onde muitos não recebem há três meses”, disse o vereador Rogério Nezinho (MDB), ao tomar conhecimento de uma portaria assinada nesta quarta-feira, pelo prefeito Rogério Teófilo, demitindo 800 servidores do Município.

Segundo o parlamentar, fica até difícil imaginar um pai de família ficar desempregado, principalmente no final de ano.

“Quando eu falei que a administração municipal perdeu o rumo, não estava fazendo críticas sem fundamento, pois o abandono em todas as áreas dessa gestão, por si só já confirma”, argumentou o parlamentar.

Nezinho foi mais além em suas cobranças, ao pedir aos colegas vereadores, o apoio até com a subscrição de um requerimento que pretende encaminhar ao prefeito, para que ele ou na sua impossibilidade, o secretário da Fazenda, compareça em uma sessão no início de dezembro, explicando os motivos pelos quais a cidade chegou a esse caos administrativo e financeiro.

O vereador chamou a atenção também, para um colapso no comércio arapiraquense, lembrando que essas 800 pessoas não terão direito nem a comprar um prego, porque dificilmente receberão qualquer valor da administração municipal com as demissões.

Rogério Nezinho, disse que é praticamente impossível, alguém se colocar no lugar de um pai de família, que desde o início do ano havia se programado para fazer uma confraternização com a família e os amigos neste final de ano, disse.

O vereador encerrou afirmando, que não aceita os argumentos de que essas 800 demissões, foram necessárias para poder cumprir com o pagamento do décimo terceiro salário.

“É falta de capacidade administrativa e acima de tudo, falta de sensibilidade do prefeito em tornar esse final de ano, como o mais negro na vida desses servidores”, disse.

Salários atrasados

Ainda sem um cronograma definido de pagamento e com três meses de salários em atraso, os 700 servidores demitidos, na semana passada, pela gestão do prefeito Rogério Teófilo (PSDB), em Arapiraca, vivenciam momentos de aflição e desespero.

Na manhã desta segunda-feira (2), um grupo de trabalhadores e trabalhadoras afastados do serviço público percorreram várias secretarias, no Centro Administrativo Municipal, na tentativa de buscar informações acerca de um cronograma para o pagamento das folhas salariais em atraso.

Os servidores com cargos em comissão, que ainda não foram demitidos e recebem até R$ 3 mil, estão com os meses de outubro e novembro em aberto.

Já os servidores comissionados, com salários acima de R$ 3 mil, acumulam os meses de setembro, outubro e novembro sem receber os seus vencimentos.

“Tem gente vendendo eletrodoméstico e outros bens para fazer a feira e pagar os compromissos. É muito triste ver pessoas amigas numa situação dessas”, desabafou um servidor que trabalha no setor de saúde e não quis ter o nome revelado, com receio de sofrer represálias.

Desde que assumiu a gestão, em janeiro de 2017, essa é a terceira vez que o prefeito Rogério Teófilo promove a exoneração em massa de servidores em sua gestão.

Nos primeiros dias de governo, Teófilo exonerou todos os servidores com cargos em comissão e, em seguida, nomeou pessoas de sua confiança e ligadas a caciques dos grupos políticos que ajudaram na sua eleição.

Porém, com a divisão e afastamento dos grupos do deputado federal Severino Pessoa (Republicanos) e Breno Albuquerque (PRTB), em novembro do ano passado, cerca de 200 servidores foram exonerados de seus cargos.

Na época, o prefeito anunciou o Decreto 2551 afirmando que só iria manter no serviço público pessoas comprometidas com o trabalho, dizendo que era preciso separar o joio do trigo e afastar políticos que só pensavam em si.

Cobranças

O assunto das novas demissões também foi o tema principal de sessão na Câmara Municipal de Arapiraca.

O vereador Rogério Nezinho (MDB) fez um pronunciamento duro e apelou ao prefeito Rogério Teófilo para que resolvesse a situação de desespero de centenas de servidores.

Nezinho também lembrou dos proprietários de veículos locados e que estão há quatro meses sem receber o pagamento dos serviços.

O presidente da Câmara, Jario Barros (PRP), disse, na ocasião, que é preciso um posicionamento do prefeito para que seja definida uma data para o pagamento dos salários atrasados.

Barros defendeu que Teófilo use os meios de comunicação para dar uma explicação sobre uma data possível do pagamento.

Nossa reportagem procurou, no início da tarde desta segunda-feira, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Arapiraca para saber informações se já existe algum cronograma estabelecido para o pagamento das três folhas salariais em atraso dos 700 servidores demitidos, como também do funcionalismo que continua trabalhando na administração municipal.

Contudo, até o presente momento, não obtivemos resposta acerca da grave situação que está afetando centenas de pais e mães de famílias que vivenciam momentos de revolta, angústia e muita tristeza.

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