Vida Esportiva

Mandante de assalto violento à casa de goleiro do Manchester City é condenado a nove anos de prisão

Grupo levou dinheiro, joias, relógios e artigos de luxo avaliados em quase € 1 milhão; outro acusado de comandar a ação foi absolvido

Agência O Globo - 12/09/2026
Mandante de assalto violento à casa de goleiro do Manchester City é condenado a nove anos de prisão
O goleiro do Manchester City, Gianluigi Donnarumma - Foto: AP/Dave Thompson

Apontado como o mandante do violento assalto à residência do goleiro Gianluigi Donnarumma e de sua companheira, Alessia Elefante, Ilyas Kherbouch foi condenado a nove anos de prisão. A sentença foi proferida nesta sexta-feira por um tribunal de Paris.

O Ministério Público francês havia pedido uma pena de dez anos para Kherbouch, de 21 anos. Segundo a acusação, ele comandou a operação de dentro da própria cela, utilizando celulares encontrados no local. O jovem, conhecido como "Ganito", negou ser o mentor do crime e alegou que os aparelhos também eram utilizados por outros detentos.

Kherbouch já era conhecido pelas autoridades francesas. Ele havia fugido da prisão de Villepinte em março e também é relacionado a outros casos de sequestro.

O assalto aconteceu na madrugada de 21 de julho de 2023, no apartamento em que Donnarumma e Alessia viviam em Paris. Na época, o italiano defendia o Paris Saint-Germain. Atualmente, é jogador do Manchester City.

O casal foi surpreendido enquanto dormia, retirado da cama, amarrado e agredido. Em um depoimento escrito enviado ao tribunal, Donnarumma relatou que foi golpeado até sangrar enquanto os invasores exigiam dinheiro e relógios.

Alessia, que estava grávida, foi estrangulada com o cabo de um carregador de celular. Ela entregou aos criminosos um relógio Cartier, joias e € 2 mil — aproximadamente R$ 12 mil.

A quadrilha, formada por sete homens — alguns ainda não identificados —, levou dinheiro, joias, relógios, malas de luxo e as chaves de um Mercedes e de um Lamborghini. Donnarumma estimou o prejuízo em quase € 1 milhão, equivalente a cerca de R$ 6 milhões.

De acordo com a investigação, os assaltantes utilizaram uma escada para alcançar o telhado do edifício. Em seguida, desceram até a varanda do apartamento e arrombaram as janelas para entrar no imóvel.

O caso também teve consequências trágicas. Alessia sofreu um aborto espontâneo pouco tempo depois do assalto. Durante o julgamento, o Ministério Público afirmou que a perda da gestação foi consequência do choque traumático causado pela invasão e pelas agressões.

Um dos suspeitos de participar do crime morreu por suicídio dentro da prisão, em maio de 2024. Segundo a acusação, ele vinha sendo ameaçado por outros envolvidos por ser considerado um possível delator.

Khyan M., de 22 anos, apontado pela acusação como o segundo mandante do assalto, foi absolvido. O Ministério Público havia pedido nove anos de prisão para ele. A advogada Céline Dadouat afirmou estar “satisfeita e aliviada” com a decisão.

Moktar D., que atuou como vigia na noite do crime, foi condenado a cinco anos de prisão, dos quais dois foram convertidos em pena suspensa sob regime probatório.

Durante o interrogatório, Moktar afirmou ter sido sequestrado pelos integrantes do grupo depois do assalto porque teria abandonado o local antes do combinado. Ele, porém, não forneceu detalhes sobre o episódio.