Vida Esportiva

Fifa acusa Uefa de promover ‘campanha de difamação’ contra Gianni Infantino

Entidade europeia busca documentos nos EUA para preparar possível ação criminal na Suíça por plano que previa vender 20% de nova empresa ligada aos direitos comerciais da Copa por US$ 4,2 bilhões

Agência O Globo - 04/09/2026
Fifa acusa Uefa de promover ‘campanha de difamação’ contra Gianni Infantino
Gianni Infantino presidente da Fifa - Foto: © ANSA/EPA

A crise entre a Fifa e a Uefa ganhou um novo capítulo e chegou aos tribunais. A entidade que comanda o futebol mundial acusou formalmente a confederação europeia de promover uma campanha de difamação contra a instituição e seu presidente, Gianni Infantino. A reação ocorre depois de a Uefa recorrer à Justiça dos Estados Unidos em busca de documentos que pretende utilizar em uma eventual ação criminal na Suíça contra o dirigente.

Como distância entre Palmeiras e Flamengo

No centro da disputa está o Fifa Forward Enterprise (FFE), projeto idealizado pela gestão de Infantino para criar uma nova estrutura comercial e abrir parte dos negócios da Fifa a investidores privados. O plano previa a venda de uma participação de 20% por US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 22,8 bilhões na cotação atual) e acabou abandonado em julho diante da forte resistência dentro do futebol.

A Uefa questiona principalmente a avaliação atribuída ao negócio. Em documentos apresentados nos Estados Unidos, advogados da entidade europeia afirmam que o valor proposto era “absurdamente baixo” e sustentam que a operação poderia ter sido conduzida por um preço abaixo do mercado. A confederação prepara uma possível denúncia na Suíça contra Infantino e eventualmente outros dirigentes e assessores da Fifa por suposta gestão danosa.

Para reunir provas, a Uefa recorreu na semana passada a tribunais americanos em busca de documentos e depoimentos de pessoas e empresas envolvidas nas negociações. Entre elas está a Thrive Capital, empresa fundada pelo bilionário Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump, e que seria uma das principais investidoras da operação.

A ofensiva provocou a reação da Fifa. Em documentos apresentados à Justiça americana, advogados da entidade pedem que os requerimentos sejam rejeitados e afirmam que a iniciativa possui “deficiências legais”. A Fifa também argumenta que não existe atualmente uma ação penal aberta contra Infantino na Suíça ou em outra jurisdição que justificaria o acesso ao material solicitado.

A entidade foi além e classificou os movimentos da Uefa como parte de uma tentativa deliberada de atingir sua direção.

— Embora essas solicitações sejam apresentadas no formato de petições judiciais, com seus cabeçalhos e números de processo, elas nada mais são do que comunicados de imprensa destinados a reforçar a campanha de difamação da Uefa contra a Fifa e sua direção — afirma a entidade nos documentos obtidos pela AFP.

A Fifa sustenta ainda que a divulgação das comunicações internas poderia expor informações comerciais confidenciais. Segundo a entidade, a Uefa estaria tentando contornar os mecanismos da Justiça suíça ao recorrer diretamente aos tribunais americanos para obter o material.

O órgão comandado por Infantino também contesta a premissa de que o FFE fosse um negócio já fechado. A Fifa afirma que a iniciativa ainda era uma proposta e dependeria da aprovação das associações que integram a entidade antes de ser implementada.

Projeto abriu crise contra Infantino

O Fifa Forward Enterprise provocou uma das maiores crises políticas da gestão de Infantino. Além da Uefa, a Concacaf, responsável pelo futebol da América do Norte, América Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) se posicionaram contra a maneira como o projeto foi conduzido.

As três entidades chegaram a divulgar uma carta conjunta cobrando mudanças na governança da Fifa e uma investigação independente sobre a proposta. O grupo acusou Infantino de agir sem consulta adequada e defendeu que a Fifa volte a funcionar como uma instituição “a serviço do futebol”.