Vida Esportiva

Ex-jogadores da NFL mortos entre 2016 e 2021 podem ter sofrido danos cerebrais, indica novo estudo

Novo estudo identifica sinais de doenças associadas a impactos repetitivos na cabeça

Agência O Globo - 25/08/2026
Ex-jogadores da NFL mortos entre 2016 e 2021 podem ter sofrido danos cerebrais, indica novo estudo
- Foto: Foto AP/Carolyn Kaster.

Um novo estudo publicado indica que até 97,7% dos jogadores da NFL analisados podem ter desenvolvido doenças cerebrais associadas a impactos repetitivos na cabeça. Os pesquisadores também identificaram a demência como uma condição comum entre os atletas avaliados.

Os autores do estudo analisaram 878 ex-jogadores, entre 2016 e 2021, que morreram durante esse período, sendo que 235 deles doaram seus cérebros para a pesquisa. Desses, 215 apresentavam encefalopatia traumática crônica (ETC), uma doença cerebral degenerativa que só pode ser diagnosticada após a morte.

– Nós e outros demonstramos que, especificamente entre os jogadores da NFL, a taxa de mortalidade por doenças neurodegenerativas é cerca de quatro vezes maior do que na população em geral – afirmou Daniel Daneshvar à BBC, o autor principal do relatório e professor associado da Faculdade de Medicina de Harvard.

"Esses resultados indicam que os jogadores da NFL têm uma prevalência de CTE (encefalopatia traumática crônica) no momento da morte maior do que a demonstrada anteriormente em múltiplos estudos baseados na comunidade."

Os pesquisadores estimaram, de forma conservadora, uma prevalência mínima de 24,5% de CTE entre as pessoas que morreram ao longo dos seis anos analisados, podendo chegar a um máximo de 97,7%. Assim, foi pedido à NFL que adote medidas preventivas para reduzir a exposição a impactos repetitivos na cabeça em todas as categorias do esporte.

– A maioria dos impactos na cabeça sofridos por esses ex-jogadores da NFL não ocorreu no nível profissional. Esses incidentes ocorreram no nível universitário, no ensino médio e, em muitos casos, no nível juvenil. E todos esses impactos cumulativos na cabeça contribuíram para um aumento do risco – disse Daneshvar.

Um porta-voz da NFL afirmou que a liga trabalha continuamente para tornar o futebol americano mais seguro, incluindo a adoção de estratégias para reduzir concussões e impactos na cabeça. Disse também que a NFL mantém o compromisso de ampliar o acesso da comunidade ligada à liga a recursos voltados à promoção do bem-estar físico e mental.

– Incentivamos os ex-jogadores a utilizarem esses recursos para identificar e buscar tratamento quando estiverem preocupados com sua saúde.

A encefalopatia traumática crônica (CTE) entre jogadores de futebol americano tem ganhado atenção crescente nos últimos anos. Em 2011, um acordo coletivo de trabalho da NFL limitou o número de treinos com contato físico.

Após uma longa disputa judicial coletiva, a NFL concordou, em 2016, em pagar US$ 1 bilhão (cerca de R$ 700 milhões, em valores da época) a mais de 5 mil ex-jogadores.