Vida Esportiva

Campeã mundial, seleção de ginástica rítmica terá novas coreografias, músicas e collants já em 2027

Classificação antecipada para os Jogos Olímpicos de Los Angeles dará ao grupo tranquilidade para o trabalho no ano que vem

Agência O Globo - 19/08/2026
Campeã mundial, seleção de ginástica rítmica terá novas coreografias, músicas e collants já em 2027
- Foto: Reprodução / Instagram

A conquista da vaga olímpica antecipada para Los Angeles mudará todo o planejamento da seleção brasileira de conjunto de ginástica rítmica até os Jogos Olímpicos de 2028. E fará com que os atletas e a comissão técnica tenham férias "de verdade" , algo que o grupo e a treinadora Camila Ferezin não experimentaram desde 2011, quando ela contratou o cargo. É que agora, o ano de 2027 passará a ser apenas de preparação e aprimoramento para a Olímpiada e não mais de briga pela classificação.

No Campeonato Mundial de 2026, disputado em Frankfurt, na Alemanha, na última semana, o Brasil conquistou a medalha de bronze na prova olímpica e a de ouro nas duas séries, a mista (três arcos e dois pares de maças) e a simples (cinco bolas). Essa é a primeira vez na história da ginástica, rítmica ou artística, que o Brasil garante vaga aos Jogos de forma tão antecipados.

— Agora a gente não vai pensar no ano de 2027, no Campeonato Mundial de 2027... Já vamos pensar na Olimpíada em 2028. Ano que vem será de preparação. Vamos poder dar descanso às ginastas e dar experiência a outros atletas. Eles não precisarão ir até o limite novamente em 2027 — declara Ricardo Resende, o Cacá, diretor-geral da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), que comemora a mudança no “clima” . — No final do ano passado, a Federação Internacional avisou que as etapas das Copas do Mundo seriam classificatórias para Los Angeles e tivemos de nos apressar, correr e antecipar toda a nossa preparação de olho nessa classificação. Foi uma loucura. Agora será diferente.

Cacá indica ainda que o ano de 2027 será de expansão para o CBG. Disse que a entidade construirá um novo Centro de Treinamento para a GR em Aracaju e que ampliará sua sede:

— Aracaju não tem os encantos de outras cidades, é todo mundo voltado ao projeto da ginástica. É uma cidade que nos acolhe e que nos proporciona todas as condições de trabalho. Nosso plano agora é tocar o projeto de um novo CT e da nova sede da Confederação. Em 2027, não pegamos nenhum evento internacional porque vamos focar em nossa expansão — divulga o diretor. — Sonhamos com este momento, com esta consagração mundial. E é importante a celebração. As equipes chegarão a Aracaju na sexta-feira e terão carreata, trio elétrico e cerca de 2 mil pessoas para recebê-las. Festa do tamanho que elas merecem.

Camila conta que por causa da classificação aos Jogos antecipadamente poderá adiantar decisões importantes. Revela que o conjunto terá novas coreografias, novas músicas e novas collants para Los Angeles-2028.

Mesmo que “Feeling Good” e “Abracadabra” sejam novíssimas, apresentações este ano, em abril, na etapa da Copa do Mundo no Uzbequistão, em Tashkent. E mesmo que tiveram sucesso no Mundial.

— Imagina ouvir essas músicas todos os dias no ginásio. Seriam mais dois anos com a mesma música e coreografia. Agora que conseguimos chegar a uma execução excelente, acho legal ter outros desafios, mostrar que nossa equipe sabe executar estilos diversos, trazer novidades... Senão, cansa. É importante inovar. Temos meninas com maturidade para isso e agora, tempo — explica Camila. — Em 2027 vamos poder antecipar esses processos. Normalmente mudamos uma coreografia no ano que antecede a Olimpíada e a outra, no ano dos Jogos. Mas como agora a gente já tem uma vaga assegurada, podemos mudar as duas já em 2027 e chegar ainda melhor em Los Angeles.

A treinadora contornou que não dará folga às atletas nesse momento. Os treinos recomeçam na semana que vem, após os compromissos com patrocinadores. A seleção disputará os Jogos Sul-americanos, em setembro, na Argentina.

Ao menos, ela explica, as ginastas terão apenas um período de treino, e não dois.

— Elas terão os Jogos Sul-americanos e depois quero dar folga. Mas não sei por quanto tempo. Por agora, vamos treinar em carga horária menor. Farão um período apenas, quatro horas. Elas treinaram, oito por dia. Com isso terá tempo de recuperação e também para colocar os estudos em dia — explica Camila, que compensará seus atletas ao final do ano. — E teremos férias, férias-férias, não recesso. Eu nunca tive férias desde que assumi este desafio com a seleção em 2011.

Camila, ex-atleta da ginástica rítmica, primeira medalhista de ouro do Brasil nos Jogos Pan-Americanos (Winnipeg-1999) e finalista na Olimpíada de Sydney-2000, dobrou a coletiva da seleção quando o país era 26º no Mundial. E pela primeira vez na história, o Brasil subiu ao lugar mais alto do pódio, na edição de 2026 do Mundial, em Frankfurt.

Ela explica que a seleção teve folgas no final do ano. Mas que não consegui dar um período maior. Ela mesma ficou em Aracaju durante a folga e se via envolvida nos processos da modalidade.

Agora quer fazer diferente:

— Vou viajar com a família, ter Natal e Ano Novo... Eu nunca pude fazer isso desde que assumi a seleção e agora vou poder realizar este sonho. Não sei para onde vamos ainda, mas sairei de Aracaju, para qualquer lugar, e terei a companhia dos meus dois filhos e marido.