Vida Esportiva

Após campanha histórica no Mundial, seleção de ginástica rítmica chega ao Brasil com nova missão: Jogos Sul-americanos

Ginastas cumprem compromissos em Brasília e São Paulo, têm festa em Aracaju e seguem para competição na Argentina

Agência O Globo - 18/08/2026
Após campanha histórica no Mundial, seleção de ginástica rítmica chega ao Brasil com nova missão: Jogos Sul-americanos
- Foto: Reprodução / Instagram

As atletas da seleção brasileira de ginástica rítmica desembarcaram com festa na manhã desta terça-feira no Rio de Janeiro, após campanha histórica no Campeonato Mundial da modalidade, disputado na última semana em Frankfurt, na Alemanha.

Duda Arakaki, Nicole Pírcio, Sofia Madeira, Maria Paula Caminha, Mariana Gonçalves e Julia Kurunczi, além das técnicas Camila Ferezin e Bruna Martins, foram recebidas pela torcida e por atletas da GR da Vila Mangueira.

Mesmo após a conquista de duas medalhas de ouro inéditas e uma de bronze, além de garantir vaga antecipada para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028, eles não terão folga.

Após compromissos com patrocinadores em Brasília e São Paulo, uma festa em Aracaju, onde treinaram como seleção permanente, elas disputarão os Jogos Sul-americanos de Santa Fé, na Argentina, entre 12 e 26 de setembro.

— A gente sempre espera muito do público brasileiro porque sabemos o quanto é caloroso. Mas a gente sempre se surpreende também. Uma festa desta a gente não esperava — disse Duda, a capitão do conjunto, no meio da confusão do desembarque no Aeroporto Internacional Tom Jobim. — E ver nesta recepção, crianças... isso é o mais importante para mim. O mais importante é que as medalhas inspirem novas gerações. Eu já fui essa criança que sonhava e que tinha objetivos. Mostre que é possível fazer todo o sentido para mim.

O grupo de atletas da Vila Mangueira que recebeu os campeãs mundiais foi acompanhado pela professora Guta Buarque. Ela afirmou que a campanha da seleção é um marco importante para a modalidade e ajuda no seu trabalho, criando novas oportunidades e democratizando ainda mais a ginástica rítmica.

— Os resultados de uma seleção estimulam a prática daquela modalidade. Ou seja, isso facilitará meu trabalho, uma vez que chamará a atenção de mais crianças. E isso é maravilhoso — disse a professora, que lembra que na Vila Mangueira são oito turmas de iniciação para a ginástica rítmica, com cerca de 300 crianças a partir de 5 anos, além das aulas do GR master, que não possui limite de idade. — Viemos todos dar parabéns aos leoas. Este é um feito histórico.

Os resultados obtidos na Alemanha dão sequência ao crescimento que o Brasil vem exibindo na ginástica rítmica. Em 2011, quando Camila Ferezin — ex-atleta da ginástica rítmica, primeira medalhista de ouro do Brasil nos Jogos Pan-Americanos (Winnipeg-1999) e finalista na Olimpíada de Sydney-2000 — desenvolveu o progresso da seleção da modalidade, o país era 26º no Mundial.

Somente no ano passado, o Brasil conquistou suas primeiras medalhas em um Mundial, durante edição realizada no Rio de Janeiro: prata no conjunto geral e na série mista.

Na edição da Alemanha, o Brasil conquistou suas primeiras medalhas de ouro em Mundiais e obteve vaga para os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.

— Estamos muito felizes e aliviados com o fato de que conquistamos nossos objetivos. Trabalhamos duro para isso. E ter a vaga olímpica neste momento significa que teremos mais calma no ano seguinte. Vamos poder ter mais tranquilidade para trabalhar e nos aperfeiçoar — comenta Duda, que enfatiza que agora a meta é o pódio olímpico.

Em Paris-2024, a seleção de conjunto chegou como uma das favoritas ao pódio, fez excelente exibição na primeira rotação, mas na segunda apresentação, Victória Borges entrou mancando. Nos Jogos Olímpicos, a ginástica rítmica não permite substituições, e o Brasil não se classificou para a etapa final.

— A gente lembra desse episódio sempre, mas não remoendo o que aconteceu. Foi um momento difícil, mas importante para o nosso crescimento e para o que vivemos hoje. uma história virada de chave a partir daí, e este episódio foi relevante — observa Duda, que irá pela primeira vez aos Jogos Sul-americanos, o próximo compromisso do conjunto. — Já fui para dois Jogos Olímpicos e nunca disputei o Sul-americano. Toda competição é importante, toda vez que entramos em quadra evoluímos. Esta é uma Olimpíada Sul-Americana e estou muito empolgada.

A treinadora Camila explicou que neste momento não haverá folga às atletas. Os treinos recomeçam na semana que vem, após compromissos com patrocinadores. Ao menos, segundo ela, as ginastas terão um período apenas de treino, e não dois:

— Elas terão os Jogos Sul-americanos e depois quero dar folga. Mas não sei por quanto tempo. Por agora, vamos treinar em carga horária menor. Farão um período somente de quatro horas. Elas treinaram oito por dia. Com isso, haverá tempo de recuperação e também para colocar os estudos em dia — explicou Camila, que estava radiante. — Estou muito orgulhoso de ter escolhido isso para a minha vida... Tudo valeu a pena. Este é um sentimento de orgulho e felicidade, o momento mais feliz da minha carreira.