Vida Esportiva

O que pegou e o que não pegou no primeiro fim de semana das novas regras do futebol brasileiro

Mudanças implementadas pela CBF aumentaram a média de bola rolando na competição

Agência O Globo - 17/08/2026
O que pegou e o que não pegou no primeiro fim de semana das novas regras do futebol brasileiro
- Foto: Adriano Fontes/Flamengo

O último fim de semana marcou a estreia das novas regras antíceras do futebol brasileiro. Além de apresentar um avanço no tempo eficaz de jogo, as mudanças já interferiram nas partidas e exigiram dos julgados a aplicação de critérios que ainda estão sendo assimilados por jogadores e comissões técnicas.

— Esse primeiro fim de semana com a implementação das novas regras traz um balanço muito positivo. Ainda é prematuro falar em uma consolidação dos resultados, mas já foi possível obter avanços importantes em diversos jogos. O aumento do tempo de bola rolando contribui diretamente para um jogo mais fluido, mais dinâmico e, principalmente, para a entrega de um produto cada vez melhor ao torcedor — disse Netto Góes , diretor de Arbitragem da CBF.

Uma das primeiras situações aconteceu em Fluminense x Palmeiras , no sábado. Daronco precisou fazer o sinal de X com os braços para impedir a formação do chamado “bolinho” dos jogadores ao redor da arbitragem. A medida faz parte da tentativa de restringir as aglomerações durante correções e confrontos.

Outra novidade apareceu em uma partida envolvendo Neymar . Depois do goleiro Gabriel Brazão receber atendimento médico, o atacante precisou deixar o campo e permanecer por um minuto antes de poder retornar, seguindo o novo protocolo criado para reduzir o tempo gasto por atendimentos.

No jogo entre Vitória e Botafogo , também houve uma aplicação da regra sobre jogadores que esconderam a boca durante a discussão. Arthur Cabral recebeu cartão vermelho após cobrir a boca enquanto discutia com Jair Ventura logo após o apito final.

— Estamos falando de uma mudança significativa, que exige adaptação de todos os envolvidos. uma preparação importante dos nossos julgados, mas também contamos com a compreensão e a cooperação dos clubes, atletas e comissões técnicas. Esse primeiro fim de semana demonstra que, quando a arbitragem e o futebol trabalham de forma integrada, fizemos avançar na construção de um jogo mais dinâmico, com mais bola em campo e uma experiência melhor para quem acompanha o Campeonato Brasileiro — disse Sandro Meira Ricci , presidente da Comissão de Arbitragem da CBF.

O que ainda geriroso

Nem todas as mudanças, porém, foram aplicadas de maneira tão clara. Um dos principais pontos de discussão esteve relacionado ao momento exato em que começa a contagem regressiva para a programação da bola. Houve ainda reclamações sobre a falta de uniformidade na aplicação dos critérios entre diferentes partidas.

A primeira rodada, portanto, serviu também como um período de adaptação. Jogadores, treinadores e julgados passaram a lidar com regras que exigiram novos ajustes até que fossem incorporados naturalmente à dinâmica das partidas.

Nos nove primeiros jogos da 23ª rodada, a bola ficou rolando, em média, por 55 minutos e 29 segundos. São 2 minutos e 35 segundos a mais que os 52min54s registraram no estudo que serviu de base para a mudança, um crescimento de 4,9%, praticamente 5%. Ainda assim, a marca está 1min31s abaixo do piso de 57 minutos que a entidade aponta como objetivo para uma segunda etapa de evolução.