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Brasileirão registra 5% mais tempo de bola rolando na estreia de regras antiparadas, mas ainda abaixo da meta da CBF

Nove primeiros jogos da 23ª rodada tiveram média de 55min29s de jogo efetivo; apenas três partidas alcançaram 57 minutos

Agência O Globo - 17/08/2026
Brasileirão registra 5% mais tempo de bola rolando na estreia de regras antiparadas, mas ainda abaixo da meta da CBF
Confederação Brasileira de Futebol (CBF)

A primeira rodada do Campeonato Brasileiro, sob o novo pacote de medidas contra a cera, apresentou um avanço no tempo eficaz de jogo, porém ainda aquém do patamar pretendido pela CBF. Nos nove primeiros jogos da 23ª rodada, a bola ficou rolando, em média, por 55 minutos e 29 segundos . Isso representa um aumento de 2 minutos e 35 segundos em relação aos 52min54s registrados no estudo que fundamentou a mudança, o que equivale a um crescimento de 4,9% , praticamente 5%. Contudo, essa marca ainda está 1min31s abaixo do mínimo de 57 minutos previstos pela entidade como objetivo para uma segunda fase de evolução.

A origem dos dados utilizados pela CBF é a Opta, empresa de dados da Stats Perform. A Academia CBF recomendou à companhia o relatório “Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro”, apresentado aos clubes antes da aprovação das novas regras. Este estudo analisou 177 partidas da Série A disputadas até a interrupção para a Copa do Mundo, encontrando uma média de 52min54s de bola em jogo. Assim, esta é a linha de base oficial utilizada pela confederação, e não exatamente a média de todas as 22 primeiras rodadas do campeonato.

Tempo de bola rolando nos nove jogos da 23ª rodada:

Athletico-PR 1 x 1 Bragantino: 60min18s

São Paulo 1 x 1 Coritiba: 58min30s

Atlético-MG 3 x 0 Grêmio: 57min16s

Corinthians 1 x 2 Cruzeiro: 56min57s

Chapecoense 3 x 3 Bahia: 56min39s

Mirassol 1 x 5 Flamengo: 55min43s

Vitória 1 x 0 Botafogo: 52min45s

Fluminense 3 x 2 Palmeiras: 52min12s

Vasco 0 x 3 Santos: 48min58s

A melhoria, portanto, não foi uniforme. Seis dos nove jogos superaram os 52min54s usados ​​como referência pela CBF. Apenas três, no entanto, atingiram pelo menos 57 minutos, e somente Athletico-PR x Bragantino ultrapassou a barreira dos 60. O outro extremo foi o confronto entre Vasco e Santos, que finalizou com 48min58s, quase quatro minutos abaixo da antiga média do campeonato. Os registros de cada partida coincidem com os tempos apresentados nas bases estatísticas consultadas para os jogos da rodada.

A comparação internacional ajuda a dimensionar o avanço. Segundo o mesmo relatório elaborado pela CBF Academy com dados da Opta, o Brasileiro ficou atrás das cinco principais ligas europeias e da MLS. Com os 55min29s desta primeira amostra sob as novas regras, o campeonato apresentado neste fim de semana um nível de jogo eficaz próximo ao apresentado nas principais competições do mundo, embora essa comparação coloque uma única rodada brasileira diante de médias obtidas em amostras consideravelmente maiores.

Tempo médio de bola rolando usado pela CBF na comparação entre ligas:

MLS: 57min12s

Bundesliga: 56min18s

Ligue 1: 56min17s

Premier League: 55min23s

LaLiga: 55min09s

Série A italiana: 54min28s

Brasileirão antes das mudanças: 52min54s

Dessa forma, a mídia dos nove jogos da 23ª rodada já supera, isoladamente, as referências apresentadas para a Premier League, LaLiga e Campeonato Italiano. Contudo, permanece abaixo da Bundesliga, Ligue 1 e MLS. O aspecto mais importante para a CBF é que a mídia ainda não atingiu a faixa de 57 a 58 minutos , que o estudo considera como um patamar possível a médio prazo. Para chegar a 60 minutos, ainda faltam 4min31s de partida.

O problema identificado pela Opta vai além das paralisações notáveis. O relatório evidenciou que o Brasileiro não apresentou apenas um tempo baixo de futebol jogado, mas também a necessidade de partidas mais longas para produzir os 52min54s: os jogos duraram, em média, 102min41s . Comprovaram-se também a frequência e a duração das interrupções. Somente as faltas consumiram cerca de 17 minutos e meio por partida, com uma média de 36,6 segundos entre a marcação e a retomada do jogo. Antes das mudanças, 26% dos jogos tinham menos de 50 minutos de bola rolando, enquanto apenas 6,8% ultrapassaram a marca de 60.

Foi a partir desse diagnóstico que a CBF decidiu precipitar e ampliar as medidas de combate ao antijogo. Dentre elas estão a contagem para reposições em tiros de meta e laterais, as obrigações de saídas mais rápidas nas substituições e o intervalo de um minuto fora de campo para jogadores atendidos. A regra dos oito segundos para o goleiro controlar a bola com as mãos, com escanteio para o adversário em caso de infração, já integra as Leis do Jogo da IFAB. O estudo da CBF estima que mudanças no comportamento e na arbitragem podem recuperar diversos minutos de jogo efetivos, mencionando um potencial de ganho próximo a seis minutos por partida.

Onde a média da 23ª rodada está:

Referência anterior da CBF: 52min54s

Nove primeiros jogos da 23ª rodada: 55min29s

Ganho: +2min35s

Aumento percentual: +4,9%

Para chegar a 57 minutos: faltam 1min31s

A rodada ainda será completada nesta segunda-feira por Internacional x Remo, às 20h, no Beira-Rio. Este jogo pode alterar a média final, mas não será suficiente para levá-la aos 57 minutos: para que os dez confrontos terminem com essa marca, Inter x Remo precisaria ter 70min42s de bola efetivamente no jogo. A amostra ainda é pequena para compreender o aumento exclusivamente às novas regras, mas o primeiro fim de semana já gerou resultados em direção ao que a CBF buscava: mais futebol dentro do mesmo jogo .