Vida Esportiva

Quem era Prichard Colón, promessa do boxe que morreu aos 33 anos após passar 221 dias em coma

Porto-riquenho estava invicto quando sofreu grave lesão cerebral durante luta em 2015; foram 16 vitórias, 13 por nocaute

Agência O Globo - 14/08/2026
Quem era Prichard Colón, promessa do boxe que morreu aos 33 anos após passar 221 dias em coma
Prichard Colón

O ex-boxeador Prichard Colón morreu aos 33 anos nesta quinta-feira, mais de uma década depois da luta que interrompeu uma das carreiras mais promissoras do boxe porto-riquenho. Invicto até subir ao ringue pela última vez, em 2015, ele sofreu uma grave lesão cerebral após receber golpes na parte de trás da cabeça durante o combate contra Terrel Williams. Colón passou 221 dias em coma e conviveu com graves sequelas neurológicas pelo restante de sua vida. A morte foi confirmada pelo pai e ex-treinador, Richard Colón.

Reuniões às escondidas, aval de De Jong

Nascido em 19 de setembro de 1992, em Maitland, na Flórida, Colón representava Porto Rico e começou a chamar atenção ainda no boxe amador. Em 2010, conquistou o ouro no Campeonato Pan-Americano Juvenil, na categoria até 64kg. Mais tarde, iniciou a carreira profissional e rapidamente passou a ser tratado como uma das promessas do país.

Conhecido pelo apelido de "Digget", Colón construiu um cartel perfeito nas primeiras 16 apresentações como profissional. Foram 16 vitórias, 13 delas por nocaute. Aos 23 anos, ainda invicto, enfrentaria Terrel Williams em 17 de outubro de 2015, em Fairfax, no estado americano da Virgínia. Seria a última luta de sua carreira.

A luta que mudou sua vida

O combate ficou marcado pelos golpes recebidos por Colón na região posterior da cabeça, conhecidos no boxe como "rabbit punches" e considerados ilegais. O porto-riquenho reclamou repetidamente ao árbitro. Williams chegou a perder um ponto por uma das infrações, mas a luta continuou.

No nono assalto, a equipe de Colón retirou suas luvas por acreditar que o combate havia terminado. O lutador acabou desclassificado. O resultado esportivo, porém, rapidamente se tornou irrelevante diante do que aconteceu em seguida.

Já fora do ringue, Colón começou a passar mal e desmaiou. Levado ao hospital, foi diagnosticado com um hematoma subdural — um acúmulo de sangue entre o cérebro e sua camada externa de proteção — e precisou passar por uma cirurgia de emergência.

Colón entrou em coma e permaneceu nessa condição durante 221 dias. Quando despertou, os danos neurológicos provocados pela lesão haviam transformado completamente sua vida. O jovem que poucos meses antes acumulava nocautes e projetava uma carreira entre a elite do boxe passou a depender de assistência permanente.

Onze anos de cuidados e recuperação

Nos anos seguintes, a família assumiu papel central nos cuidados com o ex-lutador. Colón passou por tratamentos e sessões de reabilitação e viveu na Flórida, cercado pelos familiares. Sua trajetória passou a ser acompanhada pelo mundo do boxe e também se tornou um símbolo dos riscos associados aos golpes na região posterior da cabeça.

Em 2021, o Conselho Mundial de Boxe (WBC) concedeu a Colón o título de campeão honorário. Após a confirmação da morte, diferentes organizações do boxe prestaram homenagens ao porto-riquenho. A Organização Mundial de Boxe (WBO) destacou a luta travada por ele fora dos ringues e o apoio recebido da família ao longo de mais de uma década.

A família também buscou responsabilização judicial pelo ocorrido. Em 2017, foi apresentada uma ação de US$ 50 milhões relacionada às circunstâncias da luta e ao atendimento médico. Até a morte do ex-boxeador, o processo ainda não havia sido concluído, segundo relatos da imprensa americana.

A causa exata da morte não foi divulgada. Richard Colón anunciou a perda do filho nas redes sociais nesta quinta-feira. Prichard morreu aos 33 anos, idade em que, não fosse a lesão sofrida naquela noite de outubro de 2015, ainda poderia estar em plena carreira no boxe profissional.