Vida Esportiva

Dez anos da Rio-2016: destino do Campo Olímpico de Golfe, na Barra, foi parar nos tribunais; entenda

Disputa judicial une a prefeitura do Rio e a Tanedo S/A, proprietária da área, contra a CRF Empreendimentos, que administra o espaço

Agência O Globo - 07/08/2026
Dez anos da Rio-2016: destino do Campo Olímpico de Golfe, na Barra, foi parar nos tribunais; entenda
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma década depois de ser palco de competições na Rio-2016, o destino do Campo Olímpico de Golfe, localizado na Área de Preservação Ambiental de Marapendi, na Barra da Tijuca, entrou em disputa judicial este ano. Até o momento, a ação não paralisou as atividades no local, onde foram realizados dezenas de torneios nacionais e internacionais nos últimos dez anos. A disputa une a prefeitura do Rio e a Tanedo S/A, proprietária da área, contra a CRF Empreendimentos, que administra o espaço.

No centro da controvérsia, a prefeitura acusou a operadora de desvirtuar o uso do equipamento, alegando que a CRF teria provocado degradação ambiental ao construir um campo de futebol, promover festas privadas e atividades como exposições de carro, além de utilizar o terreno descampado para pousos e decolagens de helicópteros para voos panorâmicos, quando deveria haver apenas partidas de golfe.

Um laudo elaborado em março por peritos do Instituto Carlos Éboli (ICE) confirmou a remoção de vegetação, reforçando as acusações. A CRF nega irregularidades e permanece administrando o equipamento por forças de liminares judiciais.

A atual gestora assumiu a operação com base em um plano da prefeitura para viabilizar o complexo. Durante os preparativos para a Olimpíada, as inspeções realizadas pela Federação Internacional de Golfe e pelo Comitê Rio-2016 descartaram, por questões técnicas, os clubes mais tradicionais da cidade, o Gávea Golf Club e o Itanhangá. Para as primeiras competições em um campo construído do zero, após 112 anos sem a modalidade nos Jogos Olímpicos, seriam necessárias obras avaliadas em R$ 60 milhões.

Recorreu-se, então, à iniciativa privada. Em troca do investimento que garantiria a manutenção do espaço como campo aberto ao público até pelo menos 2035, a prefeitura alterou as regras de construção de terrenos particulares nas proximidades, permitindo novos empreendimentos perto do condomínio Riserva Uno, onde uma unidade atualmente não custa menos de R$ 7,5 milhões. Anteriormente, onde era permitida a construção de 96 prédios residenciais de seis andares, agora foram liberados 22 prédios de 22 andares cada, reduzindo a área total construída em 100 mil metros quadrados.

Cabia à prefeitura decidir quem administraria o espaço. A escolhida em 2015 foi a Confederação Brasileira de Golfe, que deixou a operação após dois anos, alegando falta de recursos. O ex-prefeito Marcelo Crivella firmou um aditivo ao contrato com a CRF até novembro de 2025, com possibilidade de prorrogação. Entretanto, em meio a acusações de irregularidades, a prefeitura optou por não renovar a parceria. O empresário Carlos Favoretto, proprietário da CRF, questiona a decisão judicialmente:

- Não há irregularidade. O contrato com a prefeitura previa que eu tinha direito a complementar as receitas com outras atividades acessórias. A manutenção do espaço custa R$ 12 milhões por ano, sendo que R$ 100 mil mensais apenas em conta de luz. Somente as receitas com torneios e o aluguel do campo não são suficientes para cobrir os custos - argumentou Carlos Favoretto. - De todo o legado esportivo da Rio-2016, o que mais recebe torneios internacionais é este. Se fosse organizada uma nova Olimpíada, só seria necessário instalar arquibancadas.

Em nota, a Tanedo informou que seguirá rigorosamente as regras urbanísticas e de utilização do espaço após a retomada da área. Segundo a empresa, as receitas acessórias mencionadas 'não guardam relação com o viés esportivo proposto'. A nota lembrou ainda que, pela legislação, não é permitido construir nenhum prédio no local.

"Para viabilizar a nova gestão, foi assinado um protocolo de intenções com a Confederação Brasileira de Golfe, de modo a assegurar que o campo siga as melhores práticas internacionais do esporte", diz um trecho da nota.