Vida Esportiva

Novo patamar ou exceção no Brasil? Almada pode ampliar grupo dos negócios acima dos 20 milhões de euros

Em contextos diferentes, Flamengo, Palmeiras, Botafogo e Cruzeiro quebram esta barreira financeira desde 2024

Agência O Globo - 05/08/2026
Novo patamar ou exceção no Brasil? Almada pode ampliar grupo dos negócios acima dos 20 milhões de euros
Thiago Almada

Em uma negociação que já virou novela, o Flamengo tenta contratar Thiago Almada e fechar mais uma aquisição acima dos 20 milhões de euros (cerca de R$ 118 milhões na cotação atual). Outrora um teto intransponível no futebol brasileiro, esta casa de valores ainda segue rara, mas, nos últimos dois anos, vem sendo habitada pelas principais potências financeiras do país. Em contextos distintos, Palmeiras, Cruzeiro e Botafogo também não economizaram nas janelas mais recentes.

O rubro-negro e o alviverde são as duas grandes forças econômicas do Brasil na atualidade, mas, curiosamente, a barreira foi quebrada justamente por Almada, quando o alvinegro buscou o argentino no Atlanta United (EUA) em meados de 2024. Em euros, a contratação valeu cerca de 23 milhões (ou R$ 138 milhões à época).

De lá para cá, foram sete contratações feitas por 20 ou mais milhões, considerando apenas os valores fixos da aquisição de direitos federativos: duas do Flamengo, duas do Palmeiras, duas do Botafogo e uma do Cruzeiro.

Lucas Paquetá - Flamengo - 42 milhões de euros (cerca de R$ 260 milhões)

Gerson - Cruzeiro - 27 milhões de euros (cerca de R$ 169 milhões)

Vitor Roque - Palmeiras - 25,5 milhões de euros (cerca de R$ 154 milhões)

Jhon Arias - Palmeiras - 25 milhões de euros (cerca de R$ 155 milhões)

Thiago Almada - Botafogo - 23 milhões de euros (cerca de R$ 138 milhões)

Samuel Lino - Flamengo - 22 milhões de euros (cerca de R$ 143 milhões)

Danilo - Botafogo - 22 milhões de euros (cerca de R$ 143 milhões)

Três das quatro principais negociações aconteceram já em 2026: o retorno de Paquetá ao Flamengo por 42 milhões de euros (R$ 260 milhões), a ida de Gerson ao Cruzeiro por 27 milhões de euros (R$ 169 milhões), e a de Jhon Arias para o Palmeiras por 25 milhões de euros (R$ 155 milhões). No ano passado, o alviverde havia batido seu recorde ao contratar Vitor Roque por 25,5 milhões de euros (R$ 154 milhões, à época).

O diretor de futebol do Flamengo, José Boto, lembrou deste contexto ao ser questionado sobre a negociação por Almada, e pregar paciência:

— Só quatro clubes brasileiros já estiveram envolvidos em transferências desse nível. Há coisas que sequer existe histórico para fazer comparação. É só para inflamar os torcedores. O que temos que fazer é nos unir, pois o ano não será fácil, e não escutar gente que fala o que não sabe — disse o português ontem, ao desembarcar no Aeroporto do Galeão após viagem à Argentina.

Práticas de mercado distintas

Duas maiores receitas do futebol brasileiro, Flamengo e Palmeiras têm hoje toda condição de fazer investimentos deste porte. Não à toa, antes de Paquetá, o rubro-negro havia batido seu recorde ao contratar Samuel Lino por 22 milhões de euros fixos (cerca de R$ 143 milhões). E, se a negociação por Almada melar, o clube tem Luiz Henrique na mira, podendo ultrapassar novamente os 30 milhões.

O alviverde tinha a intenção de gastar quase isso para tirar Danilo do Botafogo. Cria do Palmeiras, o volante foi contratado pelo alvinegro no ano passado, por 22 milhões de euros (cerca de R$ 143 milhões). Guardadas as devidas proporções, o Cruzeiro teve êxito ao contratar um jogador que possui relação com outro milionário: Gerson, que havia sido vendido pelo Flamengo ao Zenit seis meses antes.

Tanto Botafogo quanto Cruzeiro são SAFs que subiram seus valores por terem proprietários dispostos a gastar alto. A diferença é que Pedro Lourenço segue firme no comando celeste, e até rejeitou propostas do Flamengo por Kaio Jorge no início do ano, em valores superiores a 30 milhões de euros. Já no alvinegro, após John Textor ser retirado do controle por uma série de inconsistências financeiras, estas contratações parecem ter ficado no passado, pois as chegadas desta janela são modestas.

Além disso, o modelo de contratações do Botafogo permitia permanências curtas, por conta da Eagle Football, holding que incluía o Lyon, para onde Almada foi por empréstimo após apenas seis meses no Rio de Janeiro. As relações de Textor com Evangelos Marinakis, dono do Nottingham Forest (Inglaterra), ainda ajudaram Danilo a ser contratado.

Já em Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro, todos os nomes da casa dos 20 milhões de euros ainda seguem nos elencos e fazem parte dos projetos de grandes conquistas no cenário sul-americano. Samuel Lino, por exemplo, fez o gol do título rubro-negro no Brasileiro de 2025.