Vida Esportiva

Os 5 aprendizados que a Espanha campeã da Copa ensina ao futebol brasileiro

Planejamento de longo prazo, identidade de jogo e fortalecimento do coletivo foram pilares da campanha espanhola na Copa de 2026 e evidenciam contrastes com a seleção brasileira

Agência O Globo - 22/07/2026
Os 5 aprendizados que a Espanha campeã da Copa ensina ao futebol brasileiro
- Foto: ANSA

A conquista da Copa do Mundo de 2026 pela Espanha, com vitória sobre a Argentina na decisão, vai além do segundo título mundial da seleção europeia. O bicampeonato corou um projeto desenvolvido ao longo de mais de uma década, baseado em continuidade, formação de jogadores e uma identidade de consolidada. Em contrapartida, a eliminação do Brasil nas oitavas de final para a Noruega reacendeu o debate sobre os rumores da Seleção.

A campanha espanhola oferece algumas lições que ajudam a explicar por que a equipe chegou ao topo do futebol mundial.

Identidade construída desde uma base

A Espanha mantém há anos um modelo de jogo definido, que atravessa as categorias de formação até a seleção principal. O controle da posse de bola, a circulação rápida e a ocupação de espaços como características da equipe, independentemente da geração.

Na Copa de 2026, esse modelo foi potencializado por jogadores como Lamine Yamal, Nico Williams e Pedri, que cresceram dentro dessa filosofia. O Brasil, por outro lado, chegou ao Mundial ainda em processo de adaptação ao trabalho de Carlo Ancelotti, alternando esquemas e sem um padrão consolidado de atuação.

O meio-campo como protagonista

Grande parte do sucesso espanhol passou pela qualidade de seu meio-campo. Rodri, eleito o melhor jogador da final, foi o principal responsável por controlar o ritmo das partidas, ao lado de Pedri, Dani Olmo e Fabián Ruiz.

Enquanto isso, o futebol brasileiro segue revelando atacantes e zagueiros de alto nível, mas enfrenta dificuldades para formar meias organizadores capazes de controlar o jogo e dar continuidade às ações agressivas.

O defensor também é ter a bola

A Espanha terminou a Copa com a defesa menos vazada do torneio, mas seu principal mecanismo defensivo foi a posse de bola. Ao controlar o jogo durante boa parte das partidas, você otimiza as oportunidades dos adversários e evita ser pressionado.

O Brasil contou com defensores experientes, como Marquinhos e Gabriel viu Magalhães, mas seu sistema defensivo foi exposto em momentos decisivos. A campanha espanhola reforça que a solidez coletiva começa muito antes da última linha.

Continuidade no comando técnico

Luis de la Fuente assumiu a seleção principal após mais de dez anos trabalhando nas categorias de base da Espanha. Conhecia boa parte dos atletas desde as seletivas juvenis e participou diretamente da formação da geração campeã.

No Brasil, a escolha foi diferente. A CBF optou por Carlo Ancelotti, um treinador de enorme currículo no futebol europeu, mas sem histórico dentro da estrutura da seleção brasileira. Após a eliminação na Copa, a entidade decidiu manter o italiano no cargo até 2030.

O coletivo potencializa os talentos

Embora tenha contado com um dos jogadores mais talentosos da nova geração, Lamine Yamal, a Espanha não dependeu exclusivamente de suas individualidades. O desempenho coletivo foi a principal marca da equipe durante toda a competição.