Vida Esportiva
Thais Fidelis retoma carreira, ganha projeção internacional e mira Los Angeles-2028
Ginasta brasileira foi bronze no individual geral do Pan-Americano e se tornou a terceira melhor atleta das Américas
Integrantes da comissão técnica da seleção brasileira feminina de ginástica artística celebraram não apenas o retorno de Rebeca Andrade às competições, mas também a volta de Thais Fidelis. O atleta ficou afastado do esporte por dois anos, chegou a desistir da carreira e reencontrou no ginásio o lugar onde deseja seguir construindo sua trajetória.
Thais rompeu com a ginástica em 2022, em meio a um período de forte desgaste psicológico e físico. Ela conta que não lembrou em retornar. A decisão começou a mudar ao acompanhar uma competição nacional, com ginásio lotado, que também definiu a seleção brasileira para os Jogos de Paris-2024.
Balanço:
Em seu retorno, Thais voltou aos treinamentos, recuperou ritmo competitivo e passou a colecionar resultados expressivos. A retomada ganhou força na semana passada, quando ela se consagrou como a terceira melhor ginasta das Américas ao conquistar a medalha de bronze no individual geral do Pan-Americano de Ginástica Artística, no Rio de Janeiro.
Pódio:
— Quando pensei em parar, não pensei em voltar. Na minha cabeça, ali era o fim, de tão cansada mentalmente e fisicamente. Não tinha chance de voltar — afirmou Thais. — Mas, em 2024, nesse mesmo ginásio, na época da convocação para a Olimpíada de Paris, percebi que aqui é o meu lugar, que tinha de voltar. É o que eu amo mesmo, o que faz meus olhos brilharem. Quando lembro dessa cena... Foi emocionante ver o ginásio cheio.
A ginasta foi arbitrada na Arena Carioca 1, no Parque Olímpico, onde conquistou três medalhas no Pan-Americano de Ginástica Artística. Thais foi a maior medalhista do Brasil na competição: além do bronze no geral individual, ficou com o bronze na trave e a prata por equipes. Ela ainda ficou perto de mais um pódio, ao terminar em quarto lugar no solo.
Na atual temporada, Thais também conquistou o ouro no solo e a prata na trave no Troféu Brasil, disputado em Natal.
No ano de seu retorno ao esporte, a ginasta também competiu no Troféu Brasil e foi medalhista de bronze nas paralelas. No Pan-Americano, no Panamá, conquistou o bronze por equipes. Já no Sul-Americano, ficou com a prata na viagem.
— O ano passado, para mim, foi de experiência mesmo, o ano do retorno, de dar um passo de cada vez. Estou muito feliz e grato por ter ficado em terceiro no meu primeiro Pan-Americano em casa — disse Thais.
Segundo Francisco Porath, o Chico, técnico da seleção brasileira feminina de ginástica artística, Thais voltou consistente e motivada. Ele afirmou que o atleta está nos planos para o restante da temporada da seleção.
O treinador explicou que, antes do Campeonato Mundial, previsto para outubro, em Roterdã, o Brasil disputará o Sul-Americano e a Copa do Mundo da Hungria. O Mundial é a prioridade da temporada, e as convocadas para essas competições serão definidas após o Campeonato Brasileiro.
— Thais tem o que a gente quer: consistência. É experiência, e isso faz diferença. Já precisou abrir o aparelho, ser a primeira a se apresentar, uma posição difícil para o atleta, e foi lá e resolveu. Confiamos muito nela — declarou o treinador. — Gostamos de histórias assim. Porque, quando voltam, voltam melhores, entendendo o motivo pelo qual estão todos. Para o treinador, é mais fácil. Hoje a Thais quer. Ela está na nossa equipe que está sendo mapeada para o Mundial, e vamos acompanhá-la no Campeonato Brasileiro, em que ela representará o Sesi.
Morte do irmão e cirurgia
Thais também relembrou o período em que se deixou o esporte. Segundo ela, dois episódios em sequência foram determinantes para a decisão de interromper a carreira.
Em 2021, a ginasta perdeu o irmão, Dener Rogério, após um quadro agravado de pneumonia e outras complicações. No mês seguinte, quando ainda representava o Clube Pinheiros, rompeu o tendão de Aquiles.
— Hoje sei que ele está em um mundo melhor — disse a ginasta. — Tive que ter uma cabeça muito boa, e naquele momento eu não tive. Tudo aconteceu bem perto. Empurrei o ano de 2022 com a barriga, mas eu não estive mais feliz no ginásio. Eu não queria mais estar ali, não era prazeroso. Decidi parar porque estava cansada física e mentalmente. Eu estava ali por estar... Foi muito difícil. Terminei aquele ano como pude. E dei uma pausa. Hoje vejo o quanto essa pausa foi importante para mim. Voltei feliz, diferente. Sou outra Thais. Tenho muita gratidão e amor pela ginástica.
Durante o período afastado, Thais foi estagiária no projeto social Brasileirinho, de Daiane dos Santos, e conheceu, segundo ela, “o lado de lá, o do treinador”.
— Fui a festivais, mas já é uma adrenalina diferente — comentou sobre a experiência.
Um atleta também cursou Educação Física e ainda tenta concluir a graduação. Ela reconhecer que conciliar as duas agendas é difícil, mas afirma que "a gente não pode parar de estudar".
De olho no Mundial, Thais pretende aprimorar suas séries, especialmente no solo, um de seus melhores aparelhos. Foi nele que a ginasta alcançou seu principal resultado internacional: o quarto lugar no Mundial de 2017. Em 2019, ela já havia se tornado a primeira brasileira a subir ao pódio de uma etapa de Copa do Mundo no individual geral, com o bronze em Birmingham, na Inglaterra.
— No solo, quem sabe, eu posso acrescentar alguma coisa. A série de viagem deve ser a mesma. Preciso, na verdade, me soltar mais, melhorar principalmente a parte artística, tanto na trave quanto no solo. E estou treinando uma nova saída para a paralela, mas é um aparelho em que tenho um pouco mais de dificuldade. Só preciso dar um passo de cada vez — comentou a ginasta, que ainda não define qual salto fará no Mundial, caso seja convocada.
Questionada sobre seu principal objetivo após o retorno, Thais não hesitou: quer chegar aos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Ela ainda não disputou uma Olimpíada.
— É o que eu quero. Tem todo um processo para chegar lá, eu sei. E vou trabalhar para isso. É o que eu quero.
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