Vida Esportiva
Confira o retrospecto do Brasil contra o Japão, adversário na segunda fase da Copa do Mundo, e relembre os confrontos
Com confronto marcado para a próxima segunda-feira, as seleções já se encontraram em 14 partidas, com 11 vitórias brasileiras, dois empates e apenas um triunfo japonês
O adversário do Brasil na segunda fase da Copa do Mundo, que era uma incógnita até o início desta noite, não é mais um mistério. A seleção canarinho enfrentará o Japão na segunda-feira, às 14h. O oponente, que também poderia ser a Holanda ou a Suécia, foi definido depois de a equipe japonesa empatar em 1 a 1 com a Suécia e ficar com o segundo lugar do seu grupo. O time verde e amarelo é o primeiro colocado do grupo C do Mundial, responsável por confrontar o vice-líder do F na próxima etapa do campeonato. A amarelinha vai para a partida carregando um retrospecto favorável contra os Samurais Azuis, mas também leva rusgas do seu último encontro.
O histórico de embates entre Japão e Brasil nos gramados tem um saldo positivo para a o lado canarinho. As seleções já se encontraram em 14 partidas, com 11 vitórias brasileiras, dois empates e apenas um triunfo japonês. Entretanto, apesar dos números favoráveis aos jogadores de Ancelotti, uma derrota para os Samurais Azuis em 2025 preocupa a torcida verde e amarela.
Em outubro do ano passado, a seleção brasileira enfrentou o Japão em um amistoso de preparação para a Copa do Mundo. Naquela partida, o Brasil passou sufoco e os japoneses levaram a melhor com um 3 a 2. Foram três gols dos asiáticos Takumi Minamino, Keito Nakamura e Ayase Ueda, além de dois dos brasileiros: Paulo Henrique, que não foi convocado para a Copa, e Gabriel Martinelli, que integra a lista de Ancelotti.
Essa vitória, assim como os 2 a 1 na Alemanha na Copa do Catar, e o 1 a 0 sobre a Inglaterra, em março deste ano, são resultados de um projeto bem-sucedido de ascensão do futebol japonês. O país, que abraçou o esporte nos anos 90, já é a maior potência da Ásia na modalidade, e um nome bem conhecido no Brasil tem forte influência nesse panorama.
Um samurai brasileiro impulsionou o futebol japonês
Em 1991, Zico foi contratado pelo clube semiprofissional Sumitomo Metals - que mais tarde se tornaria o Kashima Antlers - e encontrou um futebol precário, sem liga profissional estabelecida e com pouca estrutura para o desenvolvimento do esporte. O Galinho de Quintino, ao lado de importantes nomes do futebol japonês, como kazu Miura, se mobilizou para implementar uma reestruturação futebolística no país, que passou a ter uma tática mais aprimorada e implementou campos e centros de treinamento mais tecnológicos.
A J - League (liga profissional de futebol japonesa) foi criada em 1993, sendo o primeiro grande passo para o crescimento da atividade no Japão. O torneio que começou com apenas dez clubes hoje já soma mais de 60 times adeptos e tem três divisões principais. Apenas 5 anos depois do início do campeonato, o desenvolvimento do futebol japonês já podia ser percebido: em 1998 o país se classificou para a Copa do Mundo pela primeira vez.
A participação japonesa no Mundial da França foi fraca e contou com três derrotas seguidas na fase de grupos, o que custou a sua eliminação. Não houve confrontos com o Brasil no campeonato; naquele momento as duas seleções só tinham se encontrado em quatro amistosos, todos com saldo positivo para os brasileiros. Um deles, ocorrido em 1995, resultou em uma goleada de 5 a 1 para o Brasil, que acabara de conquistar o tetracampeonato. Edmundo, Leonardo, César Sampaio e Sávio marcaram para a equipe de Zagallo, enquanto o proeminente Fukuda balançou a rede japonesa na ocasião.
Em 2002, na primeira Copa sediada na Ásia, com jogos divididos entre Japão e Coréia do Sul, os anfitriões japoneses assistiram de perto ao pentacampeonato brasileiro, aumentando o respeito pelo futebol canarinho, que está nas suas raízes. Inclusive, a própria seleção japonesa contava com um jeitinho bem brasileiro no seu comando. A equipe ficou conhecida no país como "Jîko Nippon", ou "Japão de Zico" em português. Arthur Antunes Coimbra assumiu o comando dos Samurais e os conduziu à invencibilidade na fase de grupos, que permitiria os asiáticos chegarem às oitavas pela primeira vez.
Meta de vencer uma Copa do Mundo até 2050
A Associação Japonesa de Futebol lançou, em 2005, um Plano de 100 Anos para o futuro do esporte. A vitória de um Mundial até 2050 foi descrito no documento como o objetivo mais importante para a seleção nacional. Naquele ano, o Japão conquistaria o seu segundo empate com o Brasil. Entretanto, na Copa de 2006, a equipe tomou outra goleada brasileira, perdendo de 4 a 1 para os verdes e amarelos na fase de grupos. Remanescentes da seleção do penta, Ronaldo fez dois gols e Gilberto um. Além dos veteranos, o então estreante Juninho Pernambuco ajudou a alargar o placar. Tamada fez o único gol japonês.
Aquela foi a primeira e única vez que o Brasil enfrentou o Japão e um Mundial. Os asiáticos foram eliminados ainda na fase de grupos. Eles nunca ultrapassaram as oitavas de final, mas são presença confirmada no Mundial desde a sua estreia em 1998, somando oito edições de participação. Daquele único encontro em Copas em 2006 até a derrota brasileira no ano passado, foram cinco encontros, quatro em amistosos e um na Copa das Confederações de 2013, todos com vitória do Brasil.
A virada de jogo no 3 a 2 de 2025 não foi questão de sorte do lado asiático, mas um reflexo direto da estruturação da seleção japonesa. O técnico Mojime Moryasu está à frente da seleção há 8 anos e tem construído um trabalho sólido com os seus atletas. A equipe que hoje ocupa o 18º lugar do ranking da FIFA de seleções fez a melhor campanha entre os asiáticos nas Eliminatória para a Copa, sendo o primeiro país a se classificar no torneio.
Os Samurais Azuis somam 13 vitórias, dois empates e apenas uma derrota no ciclo para garantir vaga no Mundial. O time chegou ao torneio do Estados Unidos, do Canadá e do México com um coletivo fortalecido e consistente, que dispõe de versatilidade tática e bons recursos no ataque e na defesa. Há ainda a presença dos craques Diachi Kamada, do Crystal Palace, Takefusa Kubo, do Real Sociedade, e Zion Suzuki, do Parma. Porém, eles também contam com pontos fracos significativos. Dois atletas importantes estão lesionados e não foram convocados: os atacantes Kaoru Mitoma, do Brighton, e Takumi Minamino, do Monaco, autor de um dos gols da derrota brasileira para o Japão.E a dificuldade com bolas aéreas defensivas é outra baixa.
Até o momento, os japoneses empataram com a forte Holanda, golearam a Tunísia com 4 a 0 e venceram a Suécia com um magro 1 a 0. Os resultados do Japão na competição deixaram a seleção em segundo lugar do grupo F, o que a leva a enfrentar o Brasil, primeiro colocado do grupo C. A amarelinha, que por muitos anos esteve consideravelmente acima do Japão, encontrará outros Samurais Azuis, que estão imersos em cada partida deste Mundial. A seleção brasileira precisará de cautela para avançar às oitavas.
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