Vida Esportiva

Rebeca Andrade celebra volta aos torneios com ouro no Pan: ‘Estou no lugar certo’

Ginasta competiu apenas no salto, mira retorno a outros aparelhos e planeja mudanças nas paralelas para buscar pódio no Mundial

Agência O Globo - 21/06/2026
Rebeca Andrade celebra volta aos torneios com ouro no Pan: ‘Estou no lugar certo’
Rebeca Andrade - Foto: Instagram - @rebecarandrade

Após conquistar o ouro no salto no Pan-Americano de Ginástica Artística, neste domingo, Rebeca Andrade afirmou que pretende comemorar o resultado com amigos antes de retomar a rotina de treinos. A ginasta disse estar orgulhosa do desempenho na competição e revelou o desejo de voltar a treinar todos os aparelhos, com exceção do solo. Com a seleção brasileira, ela também foi medalhista de prata por equipes.

— Ah, eu vou sair com os meus amigos e vou aproveitar esse momento, né? Porque eu acho que também mereço — disse Rebeca, ao comentar o significado do Pan em sua retomada. — Que eu estou de volta, que vale a pena, que eu estou tranquilo, que eu ainda posso entregar o melhor e que eu tenho que treinar mais e mais também. Isso faz parte, está tudo certo. Não estou no lugar certo.

Rebeca passou por um período sabático de cerca de um ano e meio e voltou efetivamente aos treinamentos em janeiro. No início, concentrou-se apenas no salto. Segundo Francisco Porath, o Chico, técnico da seleção brasileira feminina de ginástica artística, o atleta precisa de uma preparação específica para voltar a competir em outros aparelhos.

Na final do salto do Pan-Americano, Rebeca foi a última a se apresentar. Ela executou o Yurchenko com dupla pirueta e o Lopez, alcançando média de 14.266 pontos.

A medalha de prata ficou com a canadense Lia Monica Fontaine, com 14.249 pontos, enquanto o bronze foi para a americana Claire Pease, com 13.916.

Na fase de classificação, Rebeca já obteve a melhor nota com os mesmos dois saltos, registrando média geral de 14.549 pontos.

Sobre a apresentação na final, a ginasta fez uma avaliação crítica do próprio desempenho.

— Eu queria assistir antes para dar uma aparência melhor, mas a minha dupla pirueta eu achei que foi normal. Mas o meu segundo salto, o Lopez, consegui que não fosse dar. Eu corri mal, entrei mal... Pensei: “Meu Deus, não vai dar”. Mas, no meio do salto, eu falei: "Vai dar sim, minha filha. Você vai acertar essa porcaria" (risos). No final, deu tudo certo. Estou muito orgulhoso da competição de um modo geral. Erros fazem parte, mas estou aí, de volta.

Rebeca contou que o período mais difícil foi o recomeço, em janeiro, quando precisou se dedicar cerca de três meses à fisioterapia. Agora, segundo ela, o objetivo é “manter” a evolução. De volta às competições, a ginasta pretende se dedicar aos demais aparelhos, com exceção do solo.

— Acho que é importante a gente voltar a fazer todos os aparelhos. Eu quero estar bem, quero estar bem preparado para me apresentar da melhor maneira possível. Porque, se precisarem de mim e eu não estiver pronto, o que eu vou fazer? — comentou. — Eu fui para o ginásio e não tenho tanto tempo assim, sabe? Então eu realmente estou impressionado com o que eu fiz aqui. Por isso que eu sou tão orgulhoso. Não que eu não estivesse pronto. O Chico não me colocaria em uma competição na qual ele não tivesse certeza de que eu me apresentaria bem e de que eu me sentiria seguro.

Rebeca afirmou que a decisão sobre competir nas paralelas, seu aparelho favorito, no Campeonato Mundial, em Roterdã, em outubro, dependerá do treinador. Um atleta pretende mudar de série com o objetivo de aumentar as chances de pódio.

A seleção brasileira feminina garantiu vaga no Mundial após conquistar a medalha de prata por equipes no Pan-Americano.

— Meus próximos passos serão treinados mais e mais. Tem Campeonato Brasileiro, Copa do Mundo e Mundial. Não sei qual será a equipe, mas espero fazer parte de todos. Este ano é importante porque o Mundial já vale vaga olímpica — declarou. — Pretendo mudar a minha série das paralelas porque entendo que, apesar de a minha série ser muito boa, é muito difícil conquistar uma medalha. Então a gente vai mudar a composição. Ainda não sei ao certo como a gente vai fazer, mas já estou preparando uma parte básica.

Rebeca também foi questionada sobre seu papel na seleção brasileira após o período longo das competições.

— Eu acho que as pessoas podem me usar muito, não só dentro do ginásio, mas como experiência também, né? Eu, apesar de ter tirado o solo agora, era um atleta que amava fazer individual geral. Eu só não faço o mesmo por conta das minhas dores. Mas, quando as meninas estão lá, a forma como eu consigo conversar com elas, de falar “você consegue”... porque elas podem. É muito legal poder fazer parte de tudo isso. É uma geração nova que vem para mim.