Vida Esportiva

Brasil leva prata por equipes no Pan de ginástica; Rebeca volta e avança à final do salto

Finais por aparelhos serão disputadas no domingo, a partir das 9h30, na Arena Carioca, no Parque Olímpico.

Agência O Globo - 18/06/2026
Brasil leva prata por equipes no Pan de ginástica; Rebeca volta e avança à final do salto
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A seleção brasileira feminina de ginástica artística conquistou a medalha de prata por equipes no Campeonato Pan-Americano, disputado na Arena Carioca, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. No ano passado, no Panamá, o Brasil havia ficado com o bronze por equipes, a única medalha feminina da competição — Diogo Soares também conquistou duas medalhas individuais no masculino.

Além do pódio por equipes, o país terá suas cinco atletas da equipe adulta em finais individuais. Entre elas está Rebeca Andrade, maior medalhista olímpica do Brasil, que voltou às competições após cerca de um ano e meio de pausa. Ela disputará a final do salto. A ginasta não competia internacionalmente desde os Jogos Olímpicos de Paris-2024.

Com o resultado, o Brasil garantiu vaga nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2027 e no Campeonato Mundial, que será disputado em Roterdã, na Holanda, em outubro. Além da equipe brasileira, Estados Unidos, Canadá, Argentina e México também asseguraram classificação para o Mundial, competição que servirá como classificatória para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.

Na tarde desta quarta-feira, Rebeca competiu apenas no salto. A brasileira executou dois movimentos — o Yurchenko com dupla pirueta e o Lopez — e avançou à final do aparelho com a melhor nota geral: média de 14.549.

— Deu tudo certo, graças a Deus. Estou muito feliz e orgulhosa dos meus resultados e do que eu apresentei. Sou uma atleta que não treina muito todos os dias quando o aparelho tem muito impacto, porque a chegada mexe muito com a parte inferior do meu corpo — disse Rebeca, logo após a competição. — Estava muito confiante e pedi a todos que eu conheço que orassem por mim.

A ginasta contou que a decisão de realizar dois saltos foi tomada há cerca de duas semanas, em conjunto com a comissão técnica. Segundo Rebeca, Francisco Porath, o Chico, técnico da seleção brasileira feminina de ginástica artística, enviou uma mensagem quando estava em competição no exterior e perguntou se ela aceitaria fazer dois saltos.

— Achei que ele estava pensando em uma próxima competição e topei. Quando ele voltou, eu falei: “Chico, para o Pan?”. Decidimos que seria a dupla pirueta porque é um salto que faço há mais tempo. Mas tive um pouco de dificuldade para voltar a saltar dupla, porque eu estava muito tempo parada e muda o apoio, o jeito de fazer. Mas, se hoje eu tivesse tido alguma dificuldade, eu não saltaria. Então não foi um problema. Eu estava bem livre e bem tranquila.

Quando Rebeca apareceu na arena sem o casaco para aquecer ao lado das brasileiras, a torcida comemorou e gritou seu nome. Ela iniciou o aquecimento na rotação anterior à do salto e foi para o solo apenas como preparação para o aparelho seguinte, em uma estratégia para se manter aquecida até sua apresentação.

Rebeca voltou aos treinos de forma mais intensa em janeiro. Segundo Álvaro Margutti, fisioterapeuta das seleções de ginástica artística, a atleta precisou “recomeçar do zero”, pois havia perdido força, mobilidade, agilidade e estabilidade articular. Ele explicou que o maior desafio foi conduzir o retorno ao alto rendimento sem sofrimento.

Por isso, a ginasta se dedicou à fisioterapia por cerca de três meses antes de voltar a incluir elementos técnicos nas atividades. A preparação inicial foi voltada exclusivamente para o retorno ao salto.

Mais finais

Thaís Fidélis e Sophia Weisberg, que competiram nos quatro aparelhos, disputarão a final do individual geral. Thaís, que retornou à ginástica no ano passado após uma pausa de dois anos para cuidar da saúde mental, classificou-se em quarto lugar, com 52.965 pontos. Ela avançou à decisão em terceiro, porque as três primeiras colocadas eram dos Estados Unidos e há limite de duas atletas por país. Sophia ficou em sétimo, com 51.399.

Thaís também disputará a final da trave, após uma apresentação de destaque, com boa execução e nota 13.833, que a deixou na liderança do aparelho. A ginasta ainda estará na decisão do solo, depois de terminar em quinto lugar, com 12.833.

Sophia também competirá na final das paralelas assimétricas, beneficiada pelo limite de duas atletas por país. Ela terminou em nono lugar, uma posição atrás de Gabriela Bouças, que somou 13.033, e ficou com a última vaga. Assim, as duas brasileiras estarão na final do aparelho.

Pelo mesmo critério, com norte-americanas e canadenses ultrapassando o limite de vagas, Sophia também garantiu presença na final do solo, apesar de ter terminado em 11º lugar, com 12.500.

Julia Soares, que se apresentou nas paralelas assimétricas, na trave e no solo, também avançou à decisão da trave, classificada em quarto lugar, com 13.566.

As finais do individual geral serão disputadas nesta sexta-feira, a partir das 9h. As decisões por aparelhos ocorrerão no domingo, a partir das 9h30.

Sobre a medalha de prata por equipes, Francisco Porath afirmou que a pontuação ainda não é tão alta quando comparada a adversários de fora do continente. O Brasil somou 157.796 pontos, atrás dos Estados Unidos, campeões com 161.628. O Canadá ficou com o bronze, com 156.997.

— Não é uma nota expressiva para o Campeonato Mundial, mas temos elementos e dificuldades para colocar, mantendo sempre essa consistência. Tivemos algumas falhas, mas todo mundo, com a sua contribuição, manteve a gente disputando. Está ok, este é o momento de competir, de experimentar esta formação — disse o treinador. — Então, a seleção está se moldando também. A gente não pode acreditar que vai repetir sempre os mesmos resultados com as mesmas meninas, porque o tempo vai passando. A Rebeca hoje não faz mais solo, ela está se preparando para outros aparelhos, e a responsabilidade vai passando para essas meninas. O intuito é dar experiência e consistência para elas, porque precisamos que subam no aparelho e dê certo.

Finais do feminino:

Individual geral: Thaís Fidélis e Sophia Weisberg

Salto: Rebeca Andrade

Paralelas assimétricas: Gabriela Bouças e Sophia Weisberg

Trave: Thaís Fidélis e Julia Soares

Solo: Thaís Fidélis e Sophia Weisberg