Vida Esportiva

Quantos jogadores da seleção você reconheceria no álbum da Copa?

Levantamento com cem torcedores nas duas maiores cidades do país mostra maior identificação com a seleção no Rio de Janeiro

Agência O Globo - 13/06/2026
Quantos jogadores da seleção você reconheceria no álbum da Copa?
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Às vésperas da estreia do Brasil de Carlo Ancelotti na Copa do Mundo, o interesse da população pela seleção brasileira começa a ganhar força. O GLOBO foi às ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro para medir o nível de reconhecimento e conexão dos torcedores com os atletas que representarão mais de 213 milhões de brasileiros no Mundial.

Em entrevistas com 100 pessoas, realizadas em pontos icônicos das duas cidades — como Avenida Paulista, Praia de Copacabana, Rua 25 de Março, Saara e universidades —, a reportagem pediu que os participantes identificassem os jogadores da seleção a partir das fotos no álbum da Copa. Entre diferentes leituras possíveis, um dado se destacou: Vini Jr. é o principal nome do elenco atual — ou, ao menos, o rosto mais reconhecido.

Entre os 18 atletas brasileiros que aparecem nas figurinhas do álbum, o camisa 7 do Brasil e do Real Madrid foi o único identificado por todos os 100 entrevistados.

Preferências regionais

As respostas também revelaram diferenças regionais de apreço e familiaridade com determinados jogadores. Em São Paulo, onde o engajamento com a seleção foi menor entre os entrevistados, a média ficou em sete acertos entre os 18 nomes retratados no álbum. Matheus Cunha e Luiz Henrique tiveram os menores índices de reconhecimento: foram identificados apenas pelos seis torcedores que acertaram todos os jogadores.

No Rio de Janeiro, onde a média subiu para 10 acertos, o cenário foi diferente. Revelado pelo Fluminense e ídolo do Botafogo, clube pelo qual foi protagonista nas conquistas do Campeonato Brasileiro e da Libertadores em 2024, Luiz Henrique apareceu entre os dez mais reconhecidos, com 29 citações. Matheus Cunha foi o segundo menos lembrado, mas ainda assim alcançou número superior ao registrado em São Paulo: 20 menções. Na capital fluminense, o goleiro Bento, que acabou fora da lista final de convocados, foi o menos citado, com 17 reconhecimentos.

Outro dado chama atenção: em São Paulo, seis dos 50 entrevistados acertaram todos os nomes. No Rio, esse número quase dobrou: 11 torcedores, o equivalente a 22% da amostra local, identificaram corretamente os 18 jogadores presentes no álbum. Entre eles, oito têm entre 19 e 24 anos; os demais têm 29, 41 e 52 anos. O resultado sugere que o público jovem é o mais engajado com a atual seleção brasileira.

Esse padrão também apareceu em São Paulo. Entre os locais pesquisados na capital paulista, as universidades registraram a maior média de acertos. Já pessoas de meia-idade, que acompanharam títulos anteriores da seleção, apresentaram desempenho inferior. Um dos entrevistados, que preferiu não se identificar, resumiu o sentimento: “Já vi o Brasil ganhar título. Essa seleção de agora parece que só joga bem nos times de fora, eles não dão o sangue pela nossa camisa como os jogadores antigos. Acho que a confiança foi embora desde a Copa de 2014, com o 7 a 1”.

Neymar segue forte na lembrança do povo brasileiro

Como costuma ocorrer em álbuns de Copa do Mundo, as páginas das seleções classificadas trazem jogadores que participaram do ciclo até o torneio, mas acabaram fora da lista final. Com isso, há pouco espaço para as tradicionais surpresas de última hora. No caso do Brasil, não foi diferente: 50% dos 26 convocados por Ancelotti não aparecem nas figurinhas. A ausência de Neymar foi a mais sentida.

Mesmo fora dos pacotinhos que viraram febre nas ruas, o craque do Santos foi lembrado por 42 dos 50 torcedores entrevistados no Rio de Janeiro. Entre os nomes citados na capital fluminense, Neymar ficou atrás apenas de Vini Jr., mesmo não estando no álbum. Em São Paulo, além dele, o atacante Endrick, revelado e fortemente identificado com o Palmeiras, também foi mencionado em diversas ocasiões.

Confusão entre os craques

Rumo à sua segunda Copa do Mundo pela seleção brasileira, Lucas Paquetá fechou o ranking dos três jogadores mais citados pelos torcedores no Rio de Janeiro, com 41 menções. A explicação está na forte identificação do atleta com o Flamengo, clube ao qual retornou em janeiro, e no apelo popular de suas conhecidas dancinhas nas comemorações.

Em São Paulo, outra curiosidade foi a confusão feita por metade dos entrevistados entre os atacantes João Pedro, que ficou fora da lista final, e Raphinha, destaque da equipe de Ancelotti. O dado chama atenção por envolver atletas com características físicas distintas, mas que, no contexto da página do álbum, acabaram confundidos pelos participantes. Uma possível explicação é a disposição das imagens: como os dois aparecem próximos, parte dos entrevistados pode ter trocado os nomes.

Clima de copa

Historicamente, o interesse pela Copa do Mundo cresce à medida que os jogos se aproximam, especialmente após as primeiras partidas da seleção. Para muitos torcedores, o envolvimento emocional com o Mundial vai além dos jogadores convocados e está ligado à tradição de acompanhar o país em busca de mais um título.

Para o professor e cientista social José Paulo Florenzano, especialista em sociologia do esporte, o desempenho da equipe comandada por Carlo Ancelotti será decisivo para reacender a paixão do torcedor brasileiro.

— Sempre tem uma expectativa de que o Brasil vença a Copa. Eu acho que essa expectativa tem diminuído nas últimas edições e talvez tenha atingido o nível mais baixo agora. Mas, se o Brasil apresentar um bom futebol e for avançando, isso inevitavelmente vai despertar a paixão adormecida do brasileiro pelo futebol. Não tenho a menor dúvida.