Vida Esportiva

‘Foi gente da gente’, diz filho sobre Brito, campeão de 1970 morto no Rio

Ex-zagueiro de Vasco, Botafogo e Flamengo viveu por mais de 40 anos na Ilha do Governador e pediu para não ser velado fora do bairro

Agência O Globo - 12/06/2026
‘Foi gente da gente’, diz filho sobre Brito, campeão de 1970 morto no Rio
Brito, tricampeão em 1970

Às vésperas da estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, o país se despediu de um de seus ídolos. O ex-zagueiro Brito, campeão mundial com o Brasil em 1970, morreu nesta quinta-feira, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma pneumonia. Ele tinha 86 anos.

Em entrevista ao GLOBO, Leonídio Brito, filho do ex-jogador, falou sobre a trajetória do pai e o período de internação iniciado no último mês de maio.

— Acredito que a gente tem uma missão nessa vida, e quando chega a hora, é porque realmente chegou ao fim essa missão. A verdade é essa. A gente fica às vezes procurando desculpa para a morte, mas quando chega a hora, é isso mesmo. E ele falava que não queria ficar sofrendo, que, se fosse melhor partir, ele preferiria.

Ícone da seleção brasileira

Leonídio também destacou a simplicidade de Brito. Morador da Ilha do Governador por mais de 40 anos, o ex-atleta mantinha uma rotina discreta, descrita pelo filho como a de “uma pessoa normal como qualquer outra”.

— Cara, falar do meu pai é muito simples. Ele foi gente da gente, né? Eu me lembro de quando o Roberto Dinamite veio morar na Ilha. O Roberto tinha muita preocupação para sair na rua, ficava preocupado. Meu pai falava: ‘Cara, faz como eu faço. Eu, lá na Ilha, vou normalmente ao banco, vou à feira, me tornei uma pessoa comum’. Meu pai sempre foi muito humilde.

Insulano com orgulho, Brito dizia ao filho que não queria deixar a Ilha do Governador nem mesmo após a morte. Leonídio afirmou que seguirá o desejo do pai, com o velório realizado no bairro da zona norte do Rio.

— Um diretor do Botafogo até me ligou e perguntou se eu queria velar o corpo dele na sede do Botafogo ou na CBF. Falei que não. Meu pai dizia que nem quando morresse iria sair da Ilha. Falava que seria enterrado no Cacuia, no cemitério do bairro. Ele sempre foi muito brincalhão.

Aos 86 anos, campeão pela seleção brasileira e com passagens por grandes clubes do país, Brito era considerado uma das lendas do futebol nacional. Para Leonídio, a trajetória do pai é motivo de celebração.

— Ele viveu bem. Aproveitou a vida, conheceu o mundo. Meu pai passou fome, sofreu muito. Se traçar de onde ele veio até onde chegou, é a prova disso.

Nascido na Ilha do Governador, Hércules Brito Ruas, o Brito, formou a defesa da eterna seleção do Tri ao lado do volante Piazza, improvisado como defensor. Juntos, compuseram uma dupla que aliava imposição física e qualidade na saída de bola.

Os dois foram titulares na vitória por 4 a 1 sobre a Itália, no Estádio Azteca, na Cidade do México, palco onde México e África do Sul abriram o Mundial de 2026 na tarde desta quinta-feira.

Com 30 anos quando disputou a Copa do Mundo de 1970, Brito era um dos jogadores mais experientes do grupo comandado por Zagallo. Em um time de vocação ofensiva, o Brasil terminou aquele Mundial com sete gols sofridos em seis partidas.

O zagueiro carioca também ficou conhecido por ser apontado como o atleta de melhor preparo físico daquela Copa. Brito integrou ainda a seleção que disputou o Mundial de 1966, na Inglaterra. Ao todo, foram 60 jogos e oito anos defendendo a camisa do Brasil, período em que conquistou, além da Copa do Mundo, a Copa Roca de 1971.

Nos clubes, Brito passou por Vasco, Flamengo, Cruzeiro, Internacional, Corinthians, Botafogo e Athletico. Corinthians, Botafogo e Vasco foram as equipes que ele mais defendeu ao longo da carreira.