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Número 1 do mundo, Sinner domina o circuito sem Alcaraz e busca Career Slam com título inédito de Roland Garros

Italiano aproveita lesão do espanhol para escancarar superioridade na elite do tênis e reacender comparações com a era do Big 3

Agência O Globo - 24/05/2026
Número 1 do mundo, Sinner domina o circuito sem Alcaraz e busca Career Slam com título inédito de Roland Garros
Jannik Sinner - Foto: Reprodução

“O Sinner é um robô, simplesmente massacra a bola e faz tudo perfeito”. A declaração de João Fonseca representa bem a missão quase impossível de sustentar o nível do número 1 do mundo, que, na ausência de Carlos Alcaraz por lesão no punho direito, vem sobrando diante de seus adversários e empilhando títulos consecutivos, impressionando pelo tamanho da superioridade. Após igualar Novak Djokovic como o segundo tenista da história ao completar recentemente o Golden Masters — nove torneios da categoria —, o italiano persegue outra marca expressiva: o Career Slam — os quatro majors —, com o troféu inédito de Roland Garros, que começa hoje e termina em 7 de junho.

Apesar de o saibro não ser o seu piso favorito, Sinner só não conquistou o torneio parisiense por conta de Alcaraz, que o derrotou nas fases finais das últimas duas edições. No ano passado, os melhores tenistas da atualidade protagonizaram um dos maiores jogos da história do esporte, e a decisão mais longa em Roland Garros na era aberta: 5h29. Desta vez sem o espanhol, líder do ranking faz por merecer o amplo favoritismo e o status de “imbatível”, mesmo sendo justamente este o único Grand Slam que ainda falta na sua carreira aos 24 anos.

— Além de ser muito completo em todos os pisos, o Sinner tem conseguido manter uma consistência técnica, física e mental muito importante para se manter no topo. Nas últimas gerações, tanto o Big 3 (Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer) quanto os grandes nomes de antes mostraram que o mais importante para ter longevidade é justamente manter a consistência. Mesmo nos dias em que não está sentindo tão bem a bola, ele ainda consegue ser dominante. Por isso, ele sendo absoluto no circuito e vai seguir assim por muitos anos — destaca o ex-jogador brasileiro Thomaz Bellucci.

Apenas um rival sólido

Quem pensa da mesma forma é o comentarista da ESPN Brasil Sylvio Bastos, que considera justamente a consistência de Sinner o grande alicerce para a sua ascensão no circuito, uma vez que “é muito mais fácil inserir mais golpes em seu jogo do que em um tenista que tem variação, mas ainda precisa buscar essa regularidade ao longo da carreira”. Diante da solidez que já tinha dentro de quadra, Sinner, junto aos treinadores Darren Cahill e Simone Vagnozzi, colheu frutos ao aperfeiçoar fundamentos em seu estilo de jogo, como o serviço e a devolução de saque, o slice e as bolas curtas.

Por outro lado, esse amplo domínio levanta questionamentos sobre a qualidade os adversários no circuito e comparações com a época do Big 3. Como Djokovic vive uma constante batalha física, Alcaraz aparece como o único que consegue realmente bater de frente com o italiano. Para Sylvio, essa aparente diferença de nível tem mais a ver com a questão mental do que técnica.

— Há jogadores que poderiam estar jogando de igual para igual contra o Sinner e acabam, de certa forma, se desmotivando porque olham para ele e veem algo inatingível, inalcançável. Mas não acho que os jogadores que estão no top 10 estejam muito abaixo técnica ou taticamente. Talvez, mentalmente, não acreditem e entrem no jogo já percebendo que o Sinner está em um nível acima, o que vai gerando desânimo ao longo da partida — opina Sylvio.

Geração enfraquecida?

Já Bellucci enxerga uma diferença considerável de Sinner e Alcaraz para o restante do circuito, principalmente no top 10, o que explica, de certa forma, a superioridade da dupla nos principais torneios — o último campeão de Grand Slam diferente dos dois foi Djokovic, no US Open de 2023.

— Na época do Big 3, eram três jogadores que se revezavam no topo, além de existir um top 10 muito consistente, com ótimos jogadores, algo que hoje em dia não se vê com a mesma força. O Alexander Zverev (3º), por exemplo, é um jogador superconsistente, mas nunca conseguiu ganhar um Grand Slam. No geral, eles acabam se revezando, e não há nenhum que se mantenha consistentemente no top 5 — ressalta Bellucci.

Embora acredite que Sinner se beneficie dessa vantagem técnica, o ex-tenista o acha, em uma viagem no tempo, capaz de enfrentar o auge do Big 3, mas “certamente ganharia menos Grand Slams”. A ver se a soberania do número 1 persiste em Roland Garros.