Vida Esportiva
Em entrevista à Vanity Fair, Carlos Alcaraz posa no saibro e comenta rivalidade com Sinner
Tenista de 22 anos, número 2 do mundo, também falou sobre o cuidado com a saúde mental no esporte de alto nível
— Já fiquei no chão no saibro antes, então isso não é novidade — disse Alcaraz ao posar, para a Vanity Fair, no chão de terra alaranjado onde joga a vida toda. O tenista, que será a capa da edição de esportes do mês que vem, conversou com a revista um dia antes da estreia no ATP 500 de Miami, justamente quando enfrentou João Fonseca e venceu o brasileiro por 2 sets a 0, com parciais de 6/4 e 6/4. O ensaio, antes da sua última competição em quadra dura, era uma preparação para a temporada europeia do saibro, que Alcaraz praticamente não jogou após machucar o punho direito em abril.
Até o dia da entrevista, o atleta era o tenista número 1 do mundo e não tinha perdido o posto para Jannik Sinner. Eventualmente, ele seria derrotado pelo adversário na final do torneio seguinte — o Masters 1000 de Monte Carlo, em abril — e voltaria ao segundo lugar no ranking da ATP.
Falando sobre a carreira, antes de enfrentar um momento conturbado após a lesão, Alcaraz disse que vive a vida dos sonhos, mas queria ter um pouco mais de tempo para si mesmo.
— Tenho consciência de que ainda tenho muito pela frente, e tento não pensar que ainda restam 12 ou 15 anos de carreira, porque isso me sobrecarrega. Eu sei que estou vivendo a vida dos sonhos, a vida com que sempre sonhei. Mas às vezes gostaria de ter mais momentos para mim, para fazer coisas que um cara de 22 anos faria — disse o tenista.
Com o autocuidado em perspectiva, Alcaraz refletiu sobre a saúde mental.
— Já houve momentos em que eu não parei para descansar e isso me levou a não jogar bem, ou a me machucar, ou... — fez uma pausa e completou — Vamos deixar assim: não terminou bem. Acho que cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar do corpo. Há pessoas obcecadas, e com razão, pela estética corporal, mas para mim é igualmente importante cuidar da cabeça — comentou.
Sincaraz
Alcaraz também comentou sobre a rivalidade com Jannik Sinner e não descartou estabelecer uma boa relação de amizade com o italiano.
— Estamos lutando pelo mesmo objetivo, mas não há necessidade de nos odiarmos porque queremos a mesma coisa. Quando você compete nesse nível, ter uma amizade muito próxima é complicado, mas pode acontecer. Sou totalmente a favor — afirmou.
Os dois se enfrentaram pela primeira vez em uma final de Grand Slam no ano passado, em Roland Garros. Sinner venceu os dois primeiros sets, mas Alcaraz reagiu e venceu os três sets seguintes, sendo os dois últimos com resolução apenas no tie break.
Neste ano, Sinner virou a mesa. O italiano venceu o espanhol em outro grande torneio: o Masters 1000 de Monte Carlo. Desta vez, a vitória veio sem muitas intercorrências — 2 sets a 0, com parciais de 6/7 e 3/6.
Perguntado sobre o tamanho do duelo contra Sinner, Alcaraz disse que rivalidades "são processos longos", precisam de tempo para serem construídas.
— Não dá para comparar às rivalidades históricas do tênis, porque ainda temos muitos anos pela frente. Espero que continuemos jogando um contra o outro muitas vezes, em muitas finais, e que dividamos os maiores torneios — concluiu.
Lesão
Carlos Alcaraz desistiu de participar do restante da temporada europeia de saibro após exames médicos durante o ATP 500 de Barcelona, no mês passado. O tenista anunciou a desistência por meio das redes sociais.
Ao jornal Marca, o especialista em cirurgia ortopédica e traumatologia José Luis Martínez avaliou a lesão do espanhol e disse que o tenista pode ficar até seis meses longe das quadras. Segundo o médico, Alcaraz apresenta um quadro de inflamação que afeta tendões da região do polegar, podendo ter diferentes níveis de gravidade.
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