Vida Esportiva
'Os extremos estão batendo à porta do poder': Mbappé mostra lado político e fala da fama precoce em entrevista à Vanity Fair
Astro do Real Madrid demonstrou consciência política em entrevista: 'antes de ser estrela internacional, atletas também são cidadãos
— Você pode ser um jogador, uma estrela internacional, mas, antes de tudo, você é um cidadão. Não estamos desconectados do mundo — Kylian Mbappé é capa da edição de esportes de maio da revista Vanity Fair. Na conversa, o astro francês, que não vive bom momento no Real Madrid, demonstrou consciência política, falou da fama precoce e, também, da Copa do Mundo deste ano, sediada por México, Canadá e Estados Unidos.
Cronometrada. Foi assim que a revista descreveu a conversa com Kylian Mbappé. Antes de começar a entrevista, o assessor do jogador entrou na sala, pegou um cronômetro e ligou; Mbappé entrou em seguida vestindo um suéter da Marine Serre, calça esportiva, tênis da Dior, uma pulseira de diamantes pavé e um relógio Hublot.
Na conversa, a revista lembrou do primeiro momento mais conturbado da carreira do astro francês, em 2021, quando perdeu um pênalti decisivo diante da Suíça nas oitavas de final da Eurocopa. Naquele momento, Mbappé foi alvo de ataques racistas e chegou a considerar deixar a seleção francesa. Mas o orgulho pelo país fala mais alto.
— Acho que um francês é mais feliz quando não está feliz. Porque é verdade: criticamos tudo. E eu digo ‘nós’ porque eu também sou assim! — disse o jogador, comentando sobre o espírito do próprio povo com orgulho. Da mesma forma franca e direta, o atleta comentou sobre a ascensão do partido de Marine Le Pen, na França, em 2024 — catastrófico; os extremos estão batendo às portas do poder.
Na época, o Reunião Nacional de Le Pen despontou como favorito a conquistar maioria no parlamento francês, mas foi derrotado no segundo turno das eleições pela coalizão de centro do presidente Emmanuel Macron e pela coalizão progressista da Nova Frente Popular.
— Foi algo que nos chocou — disse Mbappé sobre a ascensão do partido de Le Pen. O atleta acrescentou que nunca esteve feliz com a ideia de que jogadores não podem se posicionar politicamente.
— Somos cidadãos, e não podíamos simplesmente ficar sentados pensando que tudo ficaria bem e ir jogar. Nós realmente tentamos combater essa ideia de que um jogador de futebol deve calar a boca e apenas jogar. Você pode ser um jogador, pode ser uma estrela internacional, mas, acima de tudo, você é um cidadão. Nós não estamos desconectados do mundo — concluiu.
Fama
Mbappé resumiu a fama como a "sensação de não pertencer mais a si mesmo". Perguntado sobre como lida com o fato de ser uma figura conhecida mundialmente, o craque tentou dar uma visão mais positiva sobre o assunto.
— É legal. Claro, é difícil, porque você tem essa sensação de não pertencer mais a si mesmo, de pertencer a todo mundo. Mas, ao mesmo tempo, é uma vida que escolhemos. Talvez não nesse nível, mas ainda assim escolhemos isso. Nós nos comprometemos com isso. E é difícil focar no lado negativo quando milhões e milhões e milhões de pessoas demonstram sua gratidão, seu reconhecimento e seu amor. Então acho um pouco ingrato reclamar — disse.
O astro francês completou a declaração, admitindo que nem sempre lidou muito bem com todo esse assédio.
— Eu nem sempre lidei extremamente bem com essa situação. Fiquei famoso muito jovem. Então, eu não tinha a sabedoria, a mente aberta ou a empatia para, às vezes, me colocar no lugar das pessoas e entender que, muitas vezes, elas só vão me ver uma vez. Nunca mais vão me ver além da TV. Então, agora tento ter um pouco mais de empatia, mesmo que, às vezes, as pessoas ultrapassem os limites — concluiu.
Copa do Mundo
"Mbappé nunca jogou a Copa do Mundo em um país livre de controvérsias éticas", disse o texto da Vanity Fair antes de endereçar a pergunta sobre o mundial deste ano ao atleta. Mbappé jogou duas Copas do Mundo — na Rússia, em 2018, que viria a entrar em guerra com a Ucrânia anos depois, e no Catar, em 2022, país questionado pela forma como usa o esporte para tirar o foco de condutas autoritárias e repressivas, principalmente direcionado a mulheres e minorias.
Sobre os Estados Unidos, no entanto, não houve ressalvas por parte de Mbappé.
— Eu não tenho o conhecimento necessário sobre o que é preciso para organizar uma Copa do Mundo. Se me pedissem para organizar uma, provavelmente não daria muito certo. Se a FIFA decide que ela [A Copa do Mundo] deve acontecer nos Estados Unidos, eles consideram que tudo é administrável e que é possível para nós virmos para cá — concluiu o atleta.
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