Vida Esportiva

Início da Copa do Brasil para os principais clubes do país acirra de vez a maratona do calendário em 2026

Equipes chegarão a 18 jogos em dois meses, por três frentes diferentes, o que coloca à prova a verdadeira força dos elencos e a capacidade de sobreviver na temporada

Agência O Globo - 21/04/2026
Início da Copa do Brasil para os principais clubes do país acirra de vez a maratona do calendário em 2026
Copa do Brasil - Foto: Reprodução/internet

A chegada da quinta fase da Copa do Brasil coloca os principais times do futebol nacional na competição eliminatória, e acirra de vez um calendário ainda mais apertado para quem terá três frentes em 2026 a partir de agora. O tão falado desafio dos 18 jogos em dois meses para alguns clubes neste período pré-Copa do Mundo toma forma em definitivo, com as equipes colocando seus elencos à prova e precisando fazer escolhas pensando, sobretudo, na parte física.

Em 2025, o Flamengo faturou a Libertadores e o Brasileirão, tratados publicamente pela diretoria como as prioridades da temporada. Na Copa do Brasil, deixada para o fim da fila, a queda foi precoce para o Atlético-MG, nas oitavas de final. Desta vez, o rubro-negro estreia contra o Vitória, contra quem faz jogo de ida às 21h30 de quarta-feira, no Maracanã. Recém-chegado, o treinador Leonardo Jardim descarta esse discurso.

— Para quem joga no Flamengo, as três competições são prioritárias. É prioritário classificar a equipe para a próxima fase da Libertadores, é prioritário ter um bom desempenho no campeonato e andar perto do líder, e é prioritário passar na Copa do Brasil. Alguma situação pode não acontecer, mas temos um elenco que pode trocar peças e manter a intensidade — disse o português em coletiva na semana passada.

De fato, ele vem claramente praticando um rodízio no elenco, para dar mais confiança aos reservas e contar com um time mais intenso fisicamente. Foi essa a estratégia nas duas vitórias na fase de grupos da Libertadores, contra Cusco e Independiente Medellín, por exemplo.

Antes de ser demitido do Corinthians, Dorival Júnior também foi vocal ao alertar para a condição física dos atletas por causa do pouco descanso entre dezembro e janeiro. Uma das pré-temporadas mais curtas da história do futebol brasileiro, devido ao novo calendário implementado pela CBF, ainda vai ter efeitos mais concretos observados a longo prazo. O atual campeão da Copa do Brasil estreia às 21h30 desta terça-feira contra o Barra-SC, e agora é comandado por Fernando Diniz, que não costuma mostrar preocupação com isso e sempre escalar o que tem de melhor.

Para o educador físico e gestor de performance Matheus Cioccari, manter alto nível de desempenho durante toda a temporada brasileira, mesmo no novo contexto, é praticamente impossível. Por conta disso, o rodízio acaba se tornando uma necessidade.

— O calendário é muito apertado e ainda existe o fator das viagens longas pelo país e pela América do Sul conforme a temporada avança. Qualquer atleta precisa de um tempo mínimo de preparação antes das competições começarem. Nesse ano, os jogos voltaram tão cedo que praticamente nenhum clube de elite conseguiu fazer uma pré-temporada completa. No fim, os times grandes acabam jogando três vezes por semana e isso, inevitavelmente, compromete o rendimento esportivo, bem como aumenta o risco de lesão — opina o especialista.

A estratégia é uma para os clubes que estão jogando a Libertadores, e outra para quem está na Copa Sul-Americana. Renato Gaúcho, treinador do Vasco, que visita o Paysandu às 21h30 desta terça-feira na Copa do Brasil, voltou a chamar atenção neste ano por escalar um time reserva no torneio continental e nem ele próprio viajar para a Argentina, onde a equipe empatou com o Barracas Central há duas semanas.

Ao mesmo tempo, o rodízio acaba expondo a falta de profundidade de alguns elencos. Até o início da Libertadores, o Fluminense vinha sendo um dos melhores times do país no ano. Mas, a partir do empate com o Coritiba, pelo Brasileirão, no qual Luis Zubeldía rodou o elenco antes de ir à Venezuela encarar o La Guaira, amargou uma sequência de quatro jogos sem vitória. Na quinta-feira, às 21h30, o tricolor visita o Operário-PR, iniciando uma nova competição em meio à paz momentânea estabelecida pelo triunfo sobre o Santos.

Passado o sprint inicial da Série A, Palmeiras e Flamengo vão se confirmando novamente como os principais candidatos aos títulos, tendo elencos robustos para não precisar fazer escolhas tão bruscas. Com um confronto acessível contra a Jacuipense-BA pela frente, o alviverde tem a tendência de poder descansar mais seus titulares.

O Bahia, que vai disputar o mata-mata com o Remo, vive uma condição que atendeu a máxima dos "males que vêm para o bem". Eliminado da Libertadores precocemente na fase prévia, acaba contando com uma preocupação a "menos" para estar mais inteiro nos jogos, e é quem tem mais estrutura para ser o terceiro "cavalo" na corrida pelo título. Ainda assim, as derrotas para o alviverde e o rubro-negro impedem a empolgação.

— O grande desafio de conciliar três competições para os grandes clubes é que os atletas não conseguem se recuperar totalmente entre um jogo e outro. Esse acúmulo de desgaste reduz não só a performance física, mas também a técnica — analisa Cioccari: — Muitas vezes, os treinadores também não conseguem trabalhar com a profundidade ideal os aspectos táticos, técnicos e físicos porque a sequência de viagens e partidas deixa pouquíssimo espaço para isso. No fim, conciliar essas competições exige uma administração muito cuidadosa do elenco e da carga de trabalho.