Vida Esportiva

Brasil chega com quatro nomes e aposta no paralímpico para voltar ao topo do Laureus

No feminino, três americanas concorrem com futebolista espanhola e queniana do atletismo

Agência O Globo - 20/04/2026
Brasil chega com quatro nomes e aposta no paralímpico para voltar ao topo do Laureus
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

*O jornalista viaja a convite do Laureus

O Brasil chega à edição deste ano do Prêmio Laureus World Sports Awards com quatro representantes em três categorias diferentes, e com a chance concreta de voltar ao topo depois do feito histórico de Rebeca Andrade, que em 2025 se tornou a primeira mulher brasileira a vencer o “Oscar do esporte”, ao levar o troféu de Retorno do Ano.

Na categoria Revelação do Ano, João Fonseca é o representante nacional, e deverá comparecer ao prêmio, já que disputa ainda nesta semana o Masters 1000 de Madri, cidade-sede da cerimônia. Na boa fase da atual gira do saibro, o tenista teve em 2025 a consolidação de uma temporada que o colocou definitivamente no radar mundial, com títulos importantes e as primeiras vitórias relevantes entre profissionais, confirmando o status de principal promessa do tênis brasileiro em décadas.

Nos Esportes de Ação, o Brasil aparece com dois nomes. No surfe, Yago Dora chega impulsionado por uma temporada campeã na elite da WSL, com vitórias em etapas importantes, consolidando-se entre os principais nomes da nova geração do circuito mundial. Já Rayssa Leal, indicada pela quarta vez, segue perseguindo um troféu inédito. Em 2025, a skatista manteve o padrão de excelência que a acompanha desde a adolescência, com pódios em etapas da Street League e protagonismo contínuo nas principais competições internacionais — agora já não mais como promessa, mas como referência.

Mas é no esporte paralímpico que é a maior esperança brasileira. Gabriel Araújo, o Gabrielzinho, chega como um dos favoritos ao prêmio de Melhor Atleta com Deficiência após um ciclo dominante. Depois de brilhar em Tóquio, ele consolidou em 2025 uma sequência de performances de alto nível, com três medalhas de ouro no Mundial em Singapura, e tempos de elite mundial, reforçando uma trajetória que aponta para mais um protagonismo na Paralimpíada de Los Angeles, em 2028.

A dimensão do momento é bem resumida por Daniel Dias, maior nome da história da natação paralímpica do país, e maior vencedor brasileiro do Laureus, com quatro prêmios na categoria, o último há exatos 10 anos.

- Eu gosto de números redondos, dez anos é um bom número, e do fundo do coração espero que isso possa acontecer (Gabrielzinho vencer). Fazia um tempo que não usamos atletas paralímpicos brasileiros concorrendo. E o que ele vem consolidando uma carreira: Tóquio já foi incrível, Paris ele faz muito bem tudo que faz. É um garoto, um jovem e já está concorrendo. A gana dele, a vontade de evoluir… o que esse menino treina é algo incrível, surreal. Ele merece muito estar aqui e tem grandes chances - opina.

Se entre os homens a juventude avança com força, a categoria de Melhor Atleta Mulher do Ano reúne um grupo que mistura auge precoce e domínio sustentado. A espanhola Aitana Bonmatí chega embalada por mais uma temporada de protagonismo no futebol europeu, enquanto a queniana Faith Kipyegon mantém uma hegemonia histórica nas provas de meio-fundo, com marcas que redefinem limites da modalidade.

Nos Estados Unidos, três nomes representam diferentes formas de excelência. Sydney McLaughlin-Levrone segue evoluindo os 400m com barreiras com performances quase inatingíveis, Katie Ledecky prolonga uma das carreiras mais dominantes da natação, e Melissa Jefferson-Wooden se firma como força emergente na velocidade. Completa a lista a tenista Aryna Sabalenka, que consolidou sua posição no topo do circuito com títulos de Grand Slam e regularidade em alto nível.

O conjunto reforça um cenário curioso: se a nova geração acelera o acesso ao topo, entre as mulheres o Laureus ainda premiava, majoritariamente, atletas que não apenas dominam chegar cedo, mas permanecem por mais tempo em um patamar de técnico quase absoluto.

Todos os indicados às categorias do Laureus 2026

Melhor Atleta Homem do Ano:

Carlos Alcaraz (Espanha) – tênis

Ousmane Dembélé (França) – futebol

Armand Duplantis (Suécia) – salto com vara

Marc Márquez (Espanha) – motociclismo

Tadej Podacar (Eslovênia) – ciclismo

Jannik Sinner (Itália) – tênis

Melhor Atleta Mulher do Ano:

Aitana Bonmatí (Espanha) – futebol

Melissa Jefferson-Wooden (Estados Unidos) – atletismo

Faith Kipyegon (Quênia) – atletismo

Katie Ledecky (Estados Unidos) – natação

Sydney McLaughlin-Levrone (Estados Unidos) – atletismo

Aryna Sabalenka (Bielorrússia) – tênis

Melhor Equipe do Ano:

Seleção Feminina de Futebol da Inglaterra

Equipe Europeia da Ryder Cup – golfe (torneio masculino)

Seleção Feminina de Críquete da Índia

McLaren – Fórmula 1

Oklahoma City Thunder – NBA

Paris Saint-Germain – futebol (equipe masculina)

Revelação do Ano:

João Fonseca (Brasil) – tênis

Désiré Doué (França) – futebol

Shai Gilgeous-Alexander (Canadá) – basquete

Luke Littler (Reino Unido) – dardos

Lando Norris (Reino Unido) – Fórmula 1

Yu Zidi (China) – natação

Retorno do Ano:

Amanda Anisimova (Estados Unidos) – tênis

Egan Bernal (Colômbia) – ciclismo

Rory McIlroy (Reino Unido) – golfe

Yulimar Rojas (Venezuela) – salto triplo

Leah Williamson (Reino Unido) – futebol

Simon Yates (Reino Unido) – ciclismo

Melhor Atleta nos Esportes de Ação:

Yago Dora (Brasil) – surfe

Rayssa Leal (Brasil) – skate

Kilian Jornet (Espanha) – ultramaratona

Chloe Kim (Estados Unidos) – snowboard

Molly Picklum (Austrália) – surfista

Tom Pidcock (Reino Unido) – ciclismo

Melhor Atleta com Deficiência:

Gabriel Araújo (Brasil) – natação

Simone Barlaam (Itália) – natação

Catherine Debrunner (Suíça) – atletismo

Kelsey DiClaudio (Estados Unidos) – feliz no gelo

David Kratochvíl (República Tcheca) – natação

Kiara Rodríguez (Equador) – salto à distância

Prêmio para o Bem:

ASD Gruppo Sportivo Valanga (Itália) – oferece oportunidades educacionais por meio da combinação de atividades esportivas e psicologia;

Fútbol Más (projeto global) – promove inclusão, trabalho em equipe e respeito por meio de torneios de futebol;

Kings County Tennis League (Estados Unidos) – reduz barreiras econômicas que impedem jovens locais de ter acesso ao tênis;

MindLeaps (projeto global) – desenvolve competências cognitivas por meio de um programa inovador, que combina aulas de dança e ensino acadêmico;

Rugby for Good (Hong Kong) – promove equidade social e de gênero para crianças com TDAH;

Transformación Social TRASO (México) – oferece aulas de boxe e artes marciais duas vezes por semana, com sessões de terapia em grupo conduzidas por profissionais.