Vida Esportiva

Ascensão meteórica, ameaças a jogadores e mudança de nome: conheça o Cusco, adversário do Flamengo

Time peruano e rubro-negro se enfrentam nesta quarta-feira, pelo Grupo A da Libertadores

Agência O Globo - 08/04/2026
Ascensão meteórica, ameaças a jogadores e mudança de nome: conheça o Cusco, adversário do Flamengo
Ascensão meteórica, ameaças a jogadores e mudança de nome: conheça o Cusco, adversário do Flamengo - Foto: Reprodução

O Cusco FC, adversário do Flamengo nesta quarta-feira (08/04), pela estreia do Grupo A da Libertadores de 2026, tem uma trajetória marcada por ascensão rápida, polêmicas e transformações profundas. Fundado em 2009, o clube já participou da competição continental, mas sob outro nome: Real Garcilaso. Com uniforme, escudo e identidade diferentes, disputou quatro edições da Libertadores antes de adotar o nome atual.

Entre 2009 e 2019, como Real Garcilaso, o time de Cusco esteve na Libertadores em 2013, 2014, 2018 e 2019. A campanha de estreia, em 2013, é até hoje a mais expressiva da história do clube: foram três vitórias e um empate na fase de grupos, enfrentando Tolima e Independiente Santa Fé (ambos da Colômbia) e Cerro Porteño (Paraguai). Nas oitavas de final, superou o Nacional do Uruguai nos pênaltis após um triunfo em casa e uma derrota fora. O sonho, porém, terminou nas quartas, com duas derrotas para o Santa Fé.

Nas edições de 2014 e 2018, o clube peruano não conseguiu repetir o desempenho e foi eliminado ainda na fase de grupos, ficando em último lugar em ambas as ocasiões. Em 2019, caiu na primeira fase da Pré-Libertadores, diante do Deportivo La Guaira, da Venezuela.

O ano de 2019 marcou o início de uma crise de identidade. O Real Garcilaso enfrentou resistência da torcida do Deportivo Garcilaso, tradicional rival local, que acusava o clube de tentar se apropriar de sua história. Segundo o jornalista Fredy Bellodas, do jornal peruano La República, a tensão se intensificou porque Julio Gerardo Vásquez Granilla, presidente do Real, tentou inicialmente investir no Deportivo, mas não teve sucesso. Com o tempo, as semelhanças no nome, escudo e cores (azul-claro e branco) alimentaram a rivalidade. A situação atingiu o ápice quando uma torcida organizada do Deportivo ameaçou a família de Vásquez, levando o clube a mudar oficialmente de nome, escudo e cores.

Após a mudança, o clube comunicou que a nova identidade foi aprovada pela maioria dos torcedores. Desde então, como Cusco FC, participou das Copas Sul-Americanas de 2020 e 2025 e, agora, disputa a Libertadores pela primeira vez com o novo nome.

Rebaixamento e ameaças a jogadores

Em 2015, o então Real Garcilaso viveu um episódio polêmico envolvendo seu presidente. Após uma derrota por 4 a 0, Julio Vásquez acusou jogadores de terem sido subornados e os ameaçou de morte, referindo-se a práticas violentas no futebol mexicano para ilustrar sua indignação.

“Se quiserem, vão embora. Se quiserem, fiquem. Mas não quero traidores. Sabem o que fazem no México com gente traidora? Cortam a língua, enfiam um ferro no c… e os matam”, teria dito o dirigente no vestiário.

Em 2021, o Cusco FC foi rebaixado pela primeira vez no Campeonato Peruano, após uma escalação irregular que resultou na perda de pontos contra o Cienciano, seu rival local. A partida, originalmente empatada por 2 a 2, foi transformada em derrota por 3 a 0 pelo Tribunal Arbitral do Esporte do Peru. No ano seguinte, o clube conquistou o acesso e permanece atualmente na elite do futebol peruano, ocupando a sexta posição na Liga Peruana.

*Estagiário sob supervisão de Bernardo Coimbra