Vida Esportiva

Fifa é denunciada à União Europeia por altos preços dos ingressos da Copa do Mundo de 2026

Organizações e torcedores apontam falta de transparência, preços elevados e práticas que pressionam compra

Agência O Globo - 24/03/2026
Fifa é denunciada à União Europeia por altos preços dos ingressos da Copa do Mundo de 2026
Fifa é denunciada à União Europeia por altos preços dos ingressos da Copa do Mundo de 2026 - Foto: Reprodução

A organização de torcedores europeus (FSE) denunciou a Fifa à Comissão Europeia pelos preços "exorbitantes" dos ingressos da Copa do Mundo deste ano na América do Norte e por seus procedimentos de compra "opacos e desleais", anunciou nesta terça-feira.

Junto com a Euroconsumers, uma organização que defende os interesses dos consumidores, a FSE "apresentou uma denúncia oficial à Comissão Europeia contra a Fifa" por ter "abusado de sua posição de monopólio", informou a associação em comunicado.

A Fifa foi denunciada à Comissão Europeia por suposto abuso de posição dominante na venda de ingressos da Copa do Mundo. A queixa foi apresentada pelas organizações Euroconsumers, de defesa do consumidor, e Football Supporters Europe, que representa torcedores.

A denúncia se baseia no artigo 102 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, que proíbe o abuso de monopólio. Segundo as entidades, a Fifa exerce controle total sobre a comercialização dos ingressos e utiliza essa posição para impor condições consideradas prejudiciais aos consumidores.

“A FIFA tem um monopólio completo sobre a venda de ingressos da Copa do Mundo”, afirmou Romane Armangau. “Eles estão usando esse poder para cobrar preços que não existiriam em um mercado competitivo normal, além de esconder informações dos compradores e induzi-los a decisões apressadas.”

Entre as práticas apontadas estão a falta de transparência sobre categorias e localização dos assentos. “Quando você compra esse ingresso, na verdade não sabe exatamente o que está adquirindo”, disse Armangau.

As entidades também criticam o uso de preços dinâmicos, que variam conforme a demanda, e questionam a real disponibilidade de ingressos mais baratos, anunciados a partir de cerca de US$ 60. Segundo a denúncia, essas opções seriam raras na prática.

Outro ponto levantado é o uso de técnicas conhecidas como “dark patterns”, que criariam sensação de urgência para pressionar o consumidor a concluir a compra rapidamente.

De acordo com as organizações, o resultado é a exclusão de parte significativa do público. “Isso significa que assistir à Copa do Mundo de 2026 se tornou financeiramente inacessível para a maioria dos torcedores comuns”, afirmou Armangau, citando ingressos para a final com valores superiores a US$ 4 mil.

Além disso, taxas de revenda de cerca de 15% aumentariam ainda mais os custos.

A denúncia ocorre em um momento de maior pressão regulatória sobre a Fifa na Europa. O comissário europeu Glenn Micallef também levantou preocupações relacionadas à Copa de 2026, destacando o contexto geopolítico. “Como um dos países-sede do maior evento esportivo do mundo está envolvido em uma guerra, é legítimo exigir garantias”, afirmou.

Micallef ainda criticou a parceria da Fifa com o chamado “Board of Peace”, vista por autoridades europeias como uma tentativa de contornar a ONU.

As entidades argumentam que a venda de ingressos é uma atividade econômica sujeita às regras de concorrência, citando decisão de 2023 relacionada à Superliga, que estabeleceu limites ao poder de organizações como Fifa e Uefa.

Caso a Comissão Europeia avance com o processo, a Fifa poderá ser alvo de investigação formal e obrigada a adotar medidas como maior transparência e possíveis limites de preços.

“Estamos pedindo que a Comissão atue imediatamente com medidas provisórias”, disse Armangau. “Depois que os jogos forem disputados, o prejuízo aos torcedores não poderá ser revertido.”

O caso abre um debate mais amplo sobre o poder econômico de entidades esportivas globais e os limites entre organização de grandes eventos e proteção dos direitos do consumidor.