Vida Esportiva
Altitude e identidade preocupam mais que tradição na fase de grupos da Libertadores 2026
Logística, jogos em altitudes elevadas e projetos organizados desafiam clubes brasileiros em cenário de irregularidade dos grandes da América do Sul
Há oito anos, a Libertadores não tem uma final sem a presença de um time brasileiro. Donos de todos os títulos desde então, os clubes do país chegam ao sorteio da fase de grupos, como o realizado na última quinta-feira, amplamente apontados como favoritos. Esse cenário, aliado à alternância de forças nos principais campeonatos do continente, faz com que logística, condições de jogo e adversários menos tradicionais sejam hoje fatores mais relevantes de dificuldade do que as chamadas "camisas pesadas".
Nesta temporada, equipes campeãs e tradicionais como River Plate-ARG, Racing-ARG, San Lorenzo-ARG, Atlético Nacional-COL e Olimpia-PAR estão na Copa Sul-Americana. Assim, enfrentar Boca Juniors-ARG ou Peñarol-URU, adversários de Cruzeiro e Corinthians, respectivamente, já não parece tão assustador. Jogar na Bombonera ou no Campeón del Siglo segue sendo um desafio, mas o atual nível da competição e a composição dos grupos tornam esses confrontos menos decisivos fora do mata-mata — dependendo, claro, do momento de mineiros e paulistas na disputa.
Das 35 participações brasileiras nas fases de grupos das últimas cinco edições da Libertadores, apenas cinco terminaram em eliminação. Quase todas ocorreram em "grupos da morte" ou em chaves com outros brasileiros, e somente duas envolveram campeões do torneio (Santos em 2021 e Corinthians em 2023). Assim, é improvável que apenas uma dessas "camisas pesadas" por grupo seja suficiente para frear o avanço brasileiro.
No panorama atual, altitude elevada, viagens longas para jogos fora de casa e duelos com equipes organizadas e com identidade própria se mostram armadilhas maiores para a perda de pontos e saldo de gols. O estreante Mirassol terá pela frente o pacote completo: as altitudes da LDU-EQU em Quito e do Always Ready-BOL em El Alto, além do vitorioso Lanús-ARG, que, consciente de suas limitações, vem surpreendendo brasileiros em sequência.
O atual campeão Flamengo e o Fluminense também enfrentam alguns desses desafios, ainda que em menor intensidade. O rubro-negro terá pela frente a altitude de Cusco, onde encara o time homônimo (ex-Real Garcilaso-PER), e o Estudiantes, que tenta se reestruturar após a saída do técnico Eduardo Domínguez, responsável por um projeto que quase eliminou os cariocas nas quartas de final, sendo parado apenas nos pênaltis por Rossi.
Já o tricolor terá como principais desafios o imprevisível Bolívar-BOL, também em altitude elevada, e o Independiente Rivadavia, um dos grandes projetos do futebol argentino na atualidade, além de uma longa viagem para enfrentar o La Guaira na Venezuela.
Entre os brasileiros, o caminho mais tranquilo parece ser o do atual vice-campeão Palmeiras, que caiu em um grupo com o Cerro Porteño-PAR em crise e um Junior Barranquilla distante de seu melhor momento, apesar de ter conquistado o campeonato colombiano em 2025.
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