Vida Esportiva
MotoGP aposta em biocombustíveis e mira carbono zero em retorno ao Brasil
De volta ao Brasil após 20 anos, evento, que será realizado em Goiânia, também cuida do reuso de resíduos poluidores
Quando o Brasil sediou pela última vez um Grande Prêmio de motovelocidade, em 2004, a pauta ESG (Meio Ambiente, Social e Governança) ainda era incipiente no universo dos esportes a motor. Duas décadas depois, a MotoGP retorna ao país, no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, neste fim de semana, totalmente alinhada às demandas ambientais atuais.
Em 2024, a MotoGP realiza sua última temporada utilizando combustível fóssil. Desde este ano, as equipes já são obrigadas a utilizar ao menos 40% de combustível de origem não fóssil. A partir de 2027, a transição será total: 100% dos combustíveis deverão ser biocombustíveis ou e-combustíveis, produzidos a partir da captura direta de CO2 da atmosfera.
Para garantir a autenticidade desse compromisso, a Dorna Sports, detentora dos direitos comerciais da MotoGP, vai utilizar a medição de C14, técnica que identifica a presença de combustível fóssil ao analisar a ausência desse isótopo nas substâncias. Assim, as amostras devem apresentar valores equivalentes aos da atmosfera, com margem mínima de tolerância, eliminando a possibilidade de uso de combustíveis fósseis.
O regulamento de 2025 também trará outras mudanças importantes, como a redução das cilindradas das motos de 1000cc para 850cc e a limitação da aerodinâmica, visando maior eficiência e menor impacto ambiental.
Comprometida com a Agenda 2030 da ONU, a MotoGP adota estratégias para atingir a neutralidade de carbono, incluindo otimização do transporte global, redução de voos, uso de energia renovável nos eventos e eficiência energética em estruturas temporárias.
No Brasil, os organizadores locais precisaram cumprir todas as exigências ambientais da categoria. Em Goiânia, destaca-se o rerrefino do óleo lubrificante das motos — processo essencial, já que apenas um litro de OLUC (Óleo Lubrificante Usado ou Contaminado) pode contaminar até 1 milhão de litros de água se descartado incorretamente. O resíduo é reinserido na cadeia produtiva como óleo básico, matéria-prima para novos lubrificantes.
A preocupação ambiental da Brasil Motorsport, promotora do evento, está integrada à dimensão social. Empresas e cooperativas locais, ONGs e voluntários participam da organização da etapa brasileira.
“Fazemos isso desde o primeiro ano na Fórmula 1. Doamos alimentos excedentes das áreas de hospitalidade, reutilizamos óleos lubrificantes e óleo de cozinha. Trabalhamos para promover um evento limpo e responsável”, afirma Alan Adler, CEO da Brasil Motorsport.
Com contrato firmado até 2030, a organização pretende reduzir ao máximo o uso de combustíveis fósseis na logística do evento.
“A médio prazo, precisamos buscar combustíveis alternativos para aumentar a eficiência energética do Paddock, por exemplo. Apesar do uso de placas solares, a demanda ainda exige geradores a diesel”, destaca Adler.
Medidas adotadas na Fórmula 1, como a instalação de ouvidoria para denúncias de assédio, violência contra a mulher e racismo, também foram incorporadas à motovelocidade.
*A repórter viajou a convite da organização do evento.
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