Vida Esportiva

Lyon é processado por R$ 330 milhões devido a dívida relacionada a Igor Jesus, ex-Botafogo

Clube francês é acusado de não quitar parcela de transferência envolvendo o Botafogo

Agência O Globo - 19/03/2026
Lyon é processado por R$ 330 milhões devido a dívida relacionada a Igor Jesus, ex-Botafogo
Lyon é processado por R$ 330 milhões devido a dívida relacionada a Igor Jesus, ex-Botafogo - Foto: Reprodução / Instagram

O Olympique Lyonnais enfrentou um processo judicial de aproximadamente R$ 330,8 milhões, relacionado à transferência do atacante brasileiro Igor Jesus, expondo ainda mais a delicada situação financeira e de gestão do clube francês.

A ação foi movida em Londres por um fundo associado à gestora de crédito privada MC Credit Partners. O processo cobra cerca de R$ 225 milhões em dívida principal, além de aproximadamente R$ 34 milhões em multas por inadimplência e juros, aplicados a uma taxa considerada elevada.

O caso envolve uma transação entre Lyon e Botafogo —ambos sob o controle do grupo Eagle Football Holdings, do empresário americano John Textor. O Lyon teria deixado de pagar a primeira parcela do acordo de transferência, previsto para novembro do ano passado, o que originou uma disputa judicial.

De acordo com documentos do processo, o acordo original, firmado em outubro de 2024, prevê a transferência de Igor Jesus por 35 milhões de euros (cerca de R$ 190 milhões na cotação atual), divididos em duas parcelas. O pagamento inicial, que deveria ter ocorrido poucos dias após a assinatura, não foi realizado.

Posteriormente, o Botafogo buscou antecipar os valores por meio de um fundo de crédito, transferindo o direito de cobrança da dívida. Em dezembro de 2024, o contrato foi reestruturado, com o Lyon assumindo o compromisso de pagar aproximadamente R$ 222 milhões em três parcelas anuais até 2027.

No entanto, o não pagamento da primeira parcela levou o fundo a recorrer à Justiça para cobrar o valor integral da operação. Segundo a ação, o clube francês não regularizou a pendência nem mesmo dentro do prazo de 30 dias após o vencimento.

O episódio evidencia as fragilidades do modelo de multipropriedade no futebol, em que grupos controlam diferentes clubes e negociam jogadores internamente. Nesse cenário, ativos como atletas e direitos de transferência são frequentemente utilizados como garantia em operações financeiras.

Especialistas destacam que situações como a de Lyon podem gerar mais cautela no mercado de crédito esportivo, especialmente diante do aumento de transações que envolvem antecipação de receitas futuras.

A situação também evidencia o momento delicado do clube francês, que recentemente esteve sob risco de rebaixamento devido a perdas financeiras e alto endividamento administrativo. Em meio à crise, a empresária Michele Kang assumiu a presidência de Lyon no ano passado, substituindo John Textor.

Procurados, representantes do Lyon, de Textor e do fundo envolvido não comentaram o caso.